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domingo, 14 de maio de 2017

A indústria da mentira

Fake news

As notícias falsas, ou fake news, entraram no discurso dos media e dos que em sua volta gravitam. De repente, de há meio ano para cá, todos – de comentadoras a quem controla o acesso à informação, como a Google ou o Facebook – traçaram o combate às fake news como um desígnio civilizacional, ignorando que a questão reside na submissão à voz e aos interesses do patrão. É que, como veremos, as notícias falsas têm o berço e viveiro nas direcções dos principais meios de comunicação social.
Exemplo disso foi a forma como a entrevista de Arménio Carlos a um jornal e a uma rádio, ou mais exactamente, parte de uma das resposta, foi treslida, mal reproduzida e manipulada na véspera do 1.º de Maio. Depois da pergunta, várias vezes repetida, se uma greve geral é «admitida» ou «está prevista pela CGTP-IN», com uma detalhada resposta pelo meio, ambos os órgãos descobriram as palavras que lhes permitiam cozinhar o título, aparentemente cozinhado previamente: «CGTP abre portas a uma greve geral».
Acontece que as entrevistas gravadas têm a vantagem para quem as ouve de poder confirmar os destaques que delas se fazem. Vejamos então as palavras exactas: «Todas as hipóteses estão em cima da mesa, nenhuma é excluída. Agora, dependerá também da vontade do Governo a solução atempada dos problemas.»
Levado o título à prova dos factos sai bastante chamuscado. O «abrir portas» afinal foi a afirmação que qualquer trabalhador esperaria da parte da CGTP-IN, ou seja, nenhuma forma de luta está excluída à partida. O que não é o mesmo que «ameaçar», como se lia numa revista, «pode avançar», como outro jornal citava, ou «admite» de acordo com um outro meio online.
Tudo isto se passou com duas agravantes ao caso: a primeira, e capital para quem quer dar combate às fake news, é que o Secretário-geral da CGTP-IN nem sequer falou em qualquer greve geral na entrevista; a segunda, reveladora da intenção e alvo do truque, foi fazê-lo um dia antes da grande jornada de mobilização dos trabalhadores do 1.º de Maio.
Inventando uma afirmação que não existiu, a máquina mediática conseguiu torná-la no tema central do 1.º de Maio, reduzindo tudo o que foi dito e anunciado nas acções desse dia numa nota de rodapé face ao tema fabricado numa qualquer central de informação, desde logo as acções agendadas para 3 de Junho e as numerosas e intensas lutas que, nos sectores público e privado, se têm desenvolvido nos últimos meses.
Uma entrevista deve ser a reprodução, com verdade, do que o entrevistado disse. Ao contrário, a opção foi por forçar uma resposta que, ainda assim não condizendo com a tese, foi martelada até permitir criar um «facto alternativo», à medida de uma qualquer agenda mediática. De seguida, prolongaram o tempo de vida da notícia ao procurar reacções dos partidos presentes nas comemorações do 1.º de Maio e fazendo títulos de um recuo da central sindical face à intenção… que os próprios inventaram.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Desculpem, mas a coisa funciona assim!

Desculpem, mas a coisa funciona assim!

É sabido que o alinhamento das principais notícias sobre a situação internacional nos principais órgãos de comunicação social há muito que deixou de corresponder a uma procura séria e rigorosa da informação. Seja nas televisões, seja nos jornais, seja também nas chamadas redes sociais na internet – onde é reproduzido no essencial o conteúdo veiculado pelos media – os elementos informativos multiplicam-se à escala planetária com uma força tal que as mesmas notícias, as mesmas imagens, os mesmos depoimentos, os mesmos protagonistas, as mesmas fontes, as mesmas organizações citadas, os mesmos «factos», são tratados de igual maneira, seja em Portugal, nos EUA, no Brasil, na Austrália, etc.
Falar-se de uma grande central de propaganda é pouco, pois aquilo a que assistimos, de uma forma cada vez mais impressiva e refinada, são a poderosíssimos meios de manipulação ideológica capazes de transformar as vítimas em carrascos, os agressores em ofendidos, os ladrões em espoliados. De pouco servem exemplos históricos não muito distantes, como a manipulação que foi usada para “legitimar” a agressão dos EUA ao Iraque, com as chamadas provas irrefutáveis da existência de armas de destruição maciça que afinal se confirmou não passarem de um pretexto para o início da guerra. Para trás ficaram centenas de milhar de mortos, um país destruído e um povo em sofrimento a quem as televisões do império tratam agora com esquecimento. Tal como se esqueceram dos povos da Líbia, do Afeganistão ou da Palestina, cuja situação actual não constitui nem factor de indignação, nem sequer uma presença, ou menos discreta, nos alinhamentos noticiosos.
Notícias como as da utilização de armas químicas pela Síria contra o seu próprio povo, como a criação de campos de concentração para homosexuais na Rússia, como a ameaça de um ataque à Coreia do Norte aos EUA, surgem e difundem-se, muitas vezes sem qualquer preocupação de confirmar a sua veracidade, sem contraditório, apenas com intuito de criar um ambiente favorável a objectivos sinistros e a isolar as forças progressistas e revolucionárias que lutam pela paz. É preciso estar atento e não ir na onda.

Vasco Cardoso
Avante, N.º 2265  27 de Abril.2017



domingo, 30 de abril de 2017

“Quem controla os media, controla as mentes”



Valeria Fariña, Resumen Latinoamericano, 29 de abril 2017.

“Quem controla os media, controla as mentes”

Os media são o porta-bandeira da exploração e da guerra e cada vez mais os intelectuais denunciam o seu despótico poder.

No passa do 24 de abril, destacados representantes da plataforma organizaram uma conferência sobre a importância da batalha comunicacional na época atual.

O painel contou com a presença do prestigiado intelectual russo Nicolai Mijailov, Director regional da Fundação Russkty Mir membro do Comité Russo de Estudos BRICS.

A organização esteve a cargo do Centro de investigações Em Política e Economia (CIEPE), contou também com a participação de medias nacionais e internacionais, tais como Prensa Latina, HispanTV, Rádio Rebelde e Resumen Latinoamericano, entre outros.

sábado, 8 de abril de 2017

JORNALISMO DEGRADADO E DEGRADANTE

Houve um tempo em que a distinção entre factos e opiniões era uma prática bem estabelecida no jornalismo, assim como a distinção entre a mentira e a verdade. Hoje isso não é mais assim e os próprios jornalistas que trabalham nos media corporativos são, em grande medida, responsáveis por esta degradação. Consciente ou inconscientemente, a maior parte destes profissionais perdeu qualquer capacidade de análise ou de juízo crítico. Aceitam como verdadeiras as mentiras mais inverosímeis.
 
Basta ver, por exemplo, o semanário Expresso de 08/Abril/2017. Nunca, em momento alguns, os vários jornalistas que ali escreveram sobre a agressão à Síria puseram em causa a versão dos EUA de que o governo Assad teria utilizado armas químicas contra o seu próprio povo. Os leitores desse semanário nem sequer tiveram o direito do contraditório, princípio básico do jornalismo. A mentira passa assim por verdade pura e cristalina.
Nenhum destes escrevinhadores que se intitulam jornalistas aprendeu com a História. O cinismo ou a ignorância imperam entre eles. As mentiras sucessivas do governo dos EUA para lançar guerras são pura e simplesmente ignoradas. A mentira do incidente do Golfo de Tonquim, tramada pelos EUA para lançar a guerra do Vietname, não existe para esta gente do Expresso, dos comentaristas da TV ou das folhas de papel corporativas. A mentira de Collin Powell na ONU e das suas "provas" de armas de destruição em massa no Iraque tão pouco. Assim como a mentira da explosão do navio que serviu para os EUA intervirem militarmente em Cuba, no princípio do século XX. Exemplos destes poderiam suceder-se numa longa série.
 
Verifica-se assim que Goebbels tem émulos à altura nos mediam portugueses. Como diz John Pilger, tais jornalistas têm uma pesadíssima responsabilidade pelas mortes de milhões de pessoas pois preparam o clima para as guerras de agressão do imperialismo. Eles têm as mãos manchadas de sangue. Crimes monstruosos praticados na Jugoslávia, Iraque, Líbia, Somália, Iémen, Síria e tantos outros lugares são também da responsabilidade dos que escrevem nos media corporativos.
Em “resistir.info”

sexta-feira, 31 de março de 2017

Jornalismo profissão de alto risco para profissionais honestos


 No México o jornalismo sangra

Com mais de 123 jornalistas assassinados nos últimos anos, o país azteca transformou-se num dos mais perigosos do mundo para exercer a profissão. Em 25 de março a correspondente de a ‘La Jornada’ Microslava Breach, foi assassinada em Chiguaga. Poucos dias depois, o chefe de redação do semanário ‘La Opinión’ Armando Arrieta Granados, ficou gravemente ferido depois de ser baleado. Só nestes primeiros três meses de 2017, foram assassinados três jornalistas.