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domingo, 7 de janeiro de 2018

Independência?

Independência?

O grupo restrito de comentadores que intervêm sobre a actualidade política no espaço mediático e sem contraditório, em particular nas televisões, é reconhecidamente discriminatório e marcado pela exclusão do PCP. Já o disseram estudos, observatórios ou o provedor do telespectador da estação pública.
Mas dentro deste grupo, há uma elite: os que o fazem em canal aberto.
A opção editorial das duas estações privadas de dar «tempo de antena», como o director de informação da RTP caracterizou estes espaços em meados de 2015, a cada semana e em sinal aberto, a três personalidades é recorrentemente justificada com uma pretensa «independência» dos mesmos. Nada mais falso.
A TVI tem José Miguel Júdice às segundas-feiras, num espaço chamado «Porquê?». Da sua militância contra-revolucionária da década de 70 às cadeiras do poder no PSD passaram menos de dez anos. Nos últimos anos libertou-se do cartão partidário mas não das convicções de sempre: continua a destilar anti-comunismo a cada semana.
Na SIC, há dois comentadores residentes no Jornal da Noite. Há terça-feira, é Miguel Sousa Tavares. Se neste caso não lhe é conhecida filiação partidária, isso não é sinónimo de independência. Basta lembrar o que disse a propósito do centenário da Revolução de Outubro, como a afirmação de que «a Rússia nunca viveu um dia em liberdade até hoje».
Ao domingo, tem lugar cativo Luís Marques Mendes. O seu perfil público, de ex-quase-tudo o que havia para ser no PSD (governante, autarca, deputado, líder parlamentar, dirigente nacional, presidente do partido…), não permite fingir uma independência formal. E na prática, parece seguir a máxima de um antigo comentador dominical, com passado idêntico ao seu, que dizia estar a ajudar o PSD, mesmo quando dizia mal do PSD.
Os três têm em comum o seu alinhamento à direita. Se independência, está visto, não existe, credibilidade pouca sobra. É relembrar as «notícias» dadas em primeira mão por Marques Mendes que não se concretizaram, como a não eleição do ministro das Finanças para a presidência do Eurogrupo, ou as previsões falhadas de José Miguel Júdice, como a abstenção do PCP no Orçamento do Estado para este ano.
A reposição do pagamento integral dos subsídios de férias e de Natal na altura devida serviu para demonstrar a completa ausência de pluralismo no comentário político e na comunicação social nacional. À boleia da mistificação e, tantas vezes, da pura mentira, foi sendo repetido o mesmo discurso: que os trabalhadores iam perder dinheiro em Janeiro, nunca dizendo que o iriam receber no tempo devido; que estava em causa um «direito de escolha», nunca dizendo que no sector público isso nunca existiu e que no privado só menos de três por cento os recebiam em duodécimos.
A presença esmagadora de comentadores que são ou foram do PSD nos espaços de comentário fixos e sem contraditório nas televisões, a par da exclusão absoluta do PCP, atesta um pluralismo que não existe e uma independência faz-de-conta, que só serve para justificar opções políticas e ideológicas de quem detém o poder na comunicação social dominante.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Se disserem que amanhã há tempestade, duvidem sempre


Os media não mentem só por razões políticas, por servirem a voz dos donos ou por falta de investigação sobre a verdade da notícia original. Os media mentem por dá cá aquela palha, por cliques ou por audiências.

A evolução científica e tecnológica tem permitido aperfeiçoar os métodos de previsão da meteorologia mas não ao rigor e ao pormenor que muitos serviços querem fazer parecer: o tempo daqui a um mês, às dez horas de amanhã trovoada em Albergaria dos Doze, o aviso com cores, são coisas a que já nos habituámos - às vezes acertam, outras tantas não.

Os media gostam do tema e ao menor indício dramatizam a previsão: fazem manchetes, ampliam as informações, desenvolvem notícias e o recetor iça as antenas, clica, lê e comenta com o vizinho. Isto porque está preocupado porque vai fazer uma viagem, porque espera uns amigos a quem quer mostrar a zona, porque tem de mudar o telhado, porque tem de fazer a vindima ou muita roupa para enxugar.
Enfim, o estado do tempo é uma coisa que interessa a todos. Não é por acaso que é o tema porque puxamos quando temos de inventar conversa para não dizer só bom dia.

Isto aconteceu este fim de semana, os tipos, lá prenderam os seus leitores, ouvintes, cliques na página, gostos, para grande consolo dos contadores, alerta, alerta e está certo, o tempo não está por aí além mas também não era preciso exagerar tanto garantindo que vinha aí uma tempestuosa tempestade com nome e tudo.

Eu que queria festejar 25 anos, fiquei chateado. Fiquei chateado, não por o tempo não estar assim tão mau, talvez um pouco por ter adiado a festa, sobretudo, por ter clicado em tudo o que anunciava tempo, escutado com atenção os noticiários, ter acreditado na conversa do meu vizinho e afinal o céu até estar lindo.
- 25 anos eu? Eu não disse de quê! Poderia ter havido festa se não tivesse acreditado nos media que nos enganam a curiosidade por trinta moedas.

Vá, digam lá a seguir quem deverá a "opinião pública" odiar?

 - Edição Nº2301  -  4-1-2018

A situação do jornalismo e as necessidades do negócio
COMUNICAÇÃO SOCIAL As notícias sobre os responsáveis e as suas competências, as estratégias, a natureza, os objectivos e a terminologia dos grupos económicos que dominam o panorama mediático nacional são uma espécie de introdução, sintética mas esclarecedora, à compreensão do funcionamento da máquina mediática, aquilo que a alimenta, motiva e faz andar – e, pormenor importante, sobre o perfil de quem paga e manda.


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Alguns exemplos resultantes da análise a um curto período de tempo são significativos (destaques a negro nossos).
Necessidades – A Macau KNJ Investinent Limited, liderada por Kevin King Lun Ho, estava para assinar em Março do ano passado o contrato de compra de 30% do Global Media Grup (Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Record, TSF, etc.) e cujo maior accionista era o angolano António Mosquito [ligado em Angola aos sectores do automóvel, construção civil e petróleos], mas isso só veio a acontecer em Agosto. Segundo o Jornal de Negócios (18.8.17), aquele administrador explicou: «Houve outra transacção na qual tivemos de trabalhar, por isso o processo abrandou um pouco. Nada de especial». Entretanto advertiu que «qualquer aumento ou redução dos empregos vai depender das necessidades do negócio e planos futuros». «Neste momento, não posso garantir nada, mas não vejo necessidade de qualquer redução». Ainda segundo o J. Neg., o grupo foi fundada em 2012, dedicando-se aoinvestimento imobiliário, médico e de saúde, bem como à restauração. Kevin Ho é sobrinho de Edmundo Ho, antigo chefe do governo de Macau.
Performance – «O futuro de duas centenas de colaboradores da Impresa ficou suspenso depois de o grupo ter anunciado que vai “reduzir a exposição ao segmento de revistas”. A Impresa, dona do Expresso e da S1C, decidiu vender as 13 revistas do grupo, incluindo a Visão.» Segundo o Diário de Notícias, «o objetivo do grupo é agora abandonar todo o investimento que se prende com revistas e papel, excepto o jornal Expresso, um cenário que não se colocava há cerca de um mês atrás. Terá sido, alegadamente, a pressão dos bancos credores da Impresa que forçou esta mudança de estratégia.»
«A Visão é o título mais apetecível por eventuais compradores. A revista foi alvo de elogios por parte do presidente executivo da Impresa, e filho do fundador do grupo, Francisco Pinto Balsemão. Na última apresentação de resultados, a Visão foi elogiada pela melhoria da sua performance financeira e de vendas.» (D.Not. 24.8).
Markting e inovação – O novo CEO da Sport TV, apontado pelo J. Neg. (8.9) como «experiente nas áreas do markting e inovação», foi «head of inovation na Compal, director de inovação de Central de Cervejas e director-geral das Pousadas de Portugal, integrando ultimamente a comissão executiva do Pestana Hotel Group», que participa na empresa de cervejas da Madeira e na Sociedade de Desenvolvimento da Madeira, gestora do Centro Internacional de Negócios da Madeira. Ao todo são nove as áreas de negócio: hotelaria, golfe, casinos, imobiliário turístico, aviação, distribuição turística, timesharing, indústria e serviços.
Reestruturação – Segundo o J. Neg. (9.9) a Cofina «vai juntar as redacções das suas diferentes publicações num mesmo espaço. O diretor-geral editorial da empresa, Octávio Ribeiro, afirma que o objectivo é “permitir maiores sinergias operacionais” e diminuir “custos na logística”. Assegura que os jornalistas “de cada título continuarão a trabalhar para a sua marca”. A partilhar o mesmo espaço comum vão estar as redacções do Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, Destak, Sábado, Flash, Máxima e TV Guia e do canal de televisão CMTV. A Cofina iniciou um processo de reestruturação em abril, que implicou a dispensa de 65 trabalhadores, com o objectivo de conseguir poupanças superiores a 2,1 milhões de euros por ano.»
Em tudo isto, o jornalismo e os jornalistas são coisa pouca. As chamadas necessidades do negócio, os perfis dos administradores, os critérios para avaliação das publicações ou para as famosas reestruturações, fazem ressaltar até que ponto vai o entusiasmo por uma informação mercantilizada e o distanciamento de um jornalismo preocupado com o apoio à educação, à cultura, ao desenvolvimento, à promoção da cidadania, ao aprofundamento da democracia, à aproximação entre os povos.
Não se trata aqui de esquecer que a produção da informação tem de ser economicamente viável, como qualquer outra actividade produtiva, mas sim de verificar até que ponto se aprofunda a contradição – inerente ao capitalismo – entre o crescente poder social dos media e a sua apropriação privada para fins lucrativos, especulativos, de conquista de poder ou de influência no poder.
A concentração da propriedade em poderosos grupos multimédia tem vindo a agravar esta situação. A eventual aquisição da Media Capital pela Altice, já detentora, nomadamente, da PT e da MEO, seria desastrosa, alargando a presença da multinacional francesa – já estabelecida em vários países, desde os EUA a Israel – à TVI, rádios (R. Comercial e outras), televisão digital terrestre, Internet, produção e distribuição de conteúdos. A concretização do negócio viria a transformar em péssima uma situação que já é má.

Pressões e constrangimentos
Sobre a maioria dos jornalistas o céu está longe de ser azul e acumulam-se nuvens negras. Destaquemos alguns tópicos.
– Despedimentos, precariedade, diminuição dos salários reais, imposição da polivalência funcional, com diminuição da qualidade e introdução de um clima de insegurança; restrições e condicionamentos às acções das estruturas representativas dos trabalhadores, criando um clima de intimidação; subalternização do jornalismo e dos jornalistas em favor de outros sectores da empresa, nomeadamente a publicidade e o marketing.
– Imposição na produção da informação, da velocidade, do efémero e do superficial, com pouco ou nenhum tempo para confirmar, pensar e contextualizar; dependência de fontes organizadas cada vez mais poderosas, nomeadamente empresas de comunicação e de assessoria, cuja importância cresce à custa da fragilização dos jornalistas; subordinação a agendas e critérios que valorizam a comercialização da informação, recorrendo ao emocional e ao sensacional, à mistura do entretenimento e da publicidade com a notícia, à superficialidade das abordagens, tudo isto na perspectiva do aumento das audiências e do lucro económico, político e ideológico da classe dominante e dos que a servem.
– Limitações ao pluralismo político e ideológico, através de mecanismos internos de controlo como a escolha de responsáveis editorais, o funcionamento da agenda, a contratação de jornalistas ou, mais subtilmente, o estabelecimento nas salas de redacção de um consenso implícito sobre o que e como deve ser passado ao público; crescente participação de analistas, colunistas e comentadores, apresentados muitas vezes como especialistas independentes, mas na grande maioria enfeudados a determinados sectores políticos, sociais e ideológicos da direita, neoliberal ou nem tanto – enfim, à volta disso.
Esta realidade permite entender melhor não só o jornalismo que temos mas também os jornalistas que o fazem, como e porquê. (Ver «Tolhidos e mal pagos»). Como bem dizia José António Cerejo num debate sobre jornalismo de investigação, em Janeiro passado: «É como se houvesse uma espécie de máquina de adormecimento para os jornalistas serem mansos.» Felizmente são cada vez mais os que não se resignam.

Jornalistas: tolhidos e mal pagos
A 9 de janeiro de 2017 existiam 6114 jornalistas com carteira profissional ou equiparados. Idade  Média de 39,9 anos. 38% entre 35-44 anos, 25% entre 25-34, 21% entre 45-54, 9,1% com 55 anos ou mais. [São muito poucos os que tinham mais de 18 anos de idade em 25 de Abril de 1974]. Sexo  51,8% homens, 48,2% mulheres. Filhos – 47,8% não tem uma relação conjugal, mais de 50% não tem filhos. Tempo de profissão – Há menos de 5 anos são 17,9% ; há mais de 15 anos são 52,1%, dos quais 24,4% entre 21 e 30 anos.
Região – 64,2 % trabalham na área metropolitana de Lisboa, 16,6% no Norte, 8,4% no Centro, 11,2% nas outras regiões do continente, regiões autónomas e estrangeiro.
Formação – 79,6% possuem licenciatura ou bacharelato (uma escolaridade quase cinco vezes superior à média nacional), a grande maioria em Ciências da Comunicação, Comunicação Social ou Jornalismo.
Vencimento – 69% entre 501 e 1500 euros líquidos mensais, dos quais 23,3% entre 1001 e 1500 euros; 21,8% menos de 700 e 23,9% entre 701-1000 euros.
– 57,3% menos de 1000 euros, 19,4% mais de 1500 euros, 10,8% ganha até
2000 euros, 3,6% até 2500 euros e 5% um valor superior.
– 11,6% menos de 500 euros por mês, e 7% destes menos de 300 euros.
Ocupação e desemprego – 87,5% a trabalhar e 7,9% no desemprego. 2,2% reformados e 2% em estágio profissional ou curricular.
Contratação – 33,4% sem contrato fixo, a trabalhar em condições precárias. Este grupo integra colaboradores (16,4%), dos quais 8,8% em regime de avença e 7,6% à peça e 17% comofreelance.
– 56,3% contrato sem termo e 10,5% a termo certo. 2% estagiários.
– 65% de contratos são até 40 horas semanais, mas a maioria trabalha mais. 60,7% trabalham mais de 40 horas, dos quais 13,8% tem uma semana laboral de 51 a 60 horas e 9% mais de 60 horas. Dos jornalistas a tempo integral, 29,6% trabalha as horas previstas no contrato.
– 3,9% são remunerados pelas horas extraordinárias. 10,2% são compensados em tempo de descanso pelo trabalho extra, 63,4% não tem qualquer compensação.
– 25,8% prestam serviço para mais de um órgão de c. social dentro do mesmo grupo. Desses, 66,8% não recebe remuneração extra por esse trabalho.
Tipo de trabalho
– 58,9% redactor/repórter, 7,7% fotojornalista, 6,8% repórter de imagem.
– 6,8% direcção, 4,2% chefia, 11,3%, edição (num total de 22,3%).
– 46,5% imprensa como actividade principal, 8,7% como actividade secundária.
– 23,1% jornalismo online (site) como actividade principal, 15,9% como actividade secundária, o que significa que 39% dos profissionais publica em sites.
– 20,3% televisão;
– 12,4% rádio.
– Secções ou especialidades a que os jornalistas mais se dedicam (não de forma exclusiva): Sociedade (30,5%), Desporto (27,8%).
– 26,4% dedica-se à informação local ou regional (seja em meios locais ou nacionais).
– 16,5% desenvolve outras actividades remuneradas em paralelo com o jornalismo, e destes 33,7% no ensino ou formação; 25,9% no comércio ou serviços; 13,5% na escrita, revisão ou tradução.
– 13,3% dos inquiridos interrompeu a profissão de forma voluntária para desenvolver outras actividades profissionais, sendo as principais Assessoria (16,7%), Comércio ou Serviços (10,9%) e Agências e Gabinetes de Comunicação (10,1%).
Empresas
– 57,8% fazem avaliações negativas às empresas, sendo que 19,9% são extremamente negativas.
– 5,4% dá nota positiva à actuação das empresas.
Sindicato dos Jornalistas
– 43,7% tem uma visão neutra sobre a sua actuação.
– 31,7% consideram a actuação positiva.
– 24,6% expressam uma opinião negativa, e destes, 7,1% extremamente negativa.
Participação sindical
– 25,2% diz ter participação sindical.
– 18,3% já foi sindicalizado mas deixou de ser.
– 56,5% nunca foi sindicalizado. Entre estes, 22,1% afirmam não ter interesse. 14,3% não aderiu por razões financeiras.
– 31,8% diz existir na sua empresa Comissão de Trabalhadores, em 36,4% dos casos há Delegado Sindical e em 49,5% Conselho de Redacção.
Carreira e salário
– 80% não tem progressão há mais de 4 anos; 28,4% há mais de uma década; 29,4% têm carreira congelada há pelo menos 7 anos.
– 63,6% estão insatisfeitos com os salários; 33,2% extremamente insatisfeitos; 25,3% satisfeitos e 2% extremamente satisfeitos.
Autonomia e trabalho
– 31,5% dizem ser pouco ou nada autónomos em relação às decisões das chefias; 41% em relação às decisões das administrações.
– 9,9% dizem-se totalmente autónomos em relação às chefias e 12,3% às administrações.
– 47,2% consideram a agenda o maior condicionalismo; 43,6% as condições de trabalho e 43,5% o salário.
– 29,2% consideram-se limitados pelas chefias.
– 40,2% invocam limitações à vida pessoal e familiar.
– 36,6 % referem o medo de perder o emprego.
Satisfação/insatisfação
– 77,9% dizem-se insatisfeitos com a profissão; destes, 48,8% extremamente insatisfeitos; 11% satisfeitos; 1,9% extremamente satisfeitos.
– 64,2% dos jornalistas já pensaram pelo menos uma vez abandonar a profissão.

Nota – Esta síntese de elementos, relativos a 2016, baseia-se nos resultados de um inquérito realizado no quadro de uma investigação promovida por uma equipa do CIES-IUL (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa), dirigida por Gustavo Cardoso. A amostra foi de quase 1500 jornalistas (validados). Ver Miguel Crespo, «Profissão Jornalista: experientes e letrados, mas mal pagos e condicionados», Jornalismo & Jornalistas, n.º 64, Julho/Set 2017. Resultados semelhantes e complementares são revelados num outro inquérito realizado por João Miranda, no âmbito do seu doutoramento na Un. de Coimbra sobre Regulação e Auto-Regulação. Ver J&J, n.º 65, Out/Dez 2017.
De referir que algumas das perguntas são de respostas múltiplas, o que justifica o resultado das percentagens apuradas.


Fernando Correia 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A censura rasteira

(E os mais distraídos ou não, dizem que o discurso do PCP não é atraente, que não intervém ou até parece não existir.)

“O PCP elegeu, em 2014, três deputados ao Parlamento Europeu (PE). Abrir com esta afirmação seria desnecessário, não se desse o caso de já ter passado o meio do mandato e, no espaço mediático, a maior parte do tempo parecer que não há nem um.
De quando em vez lá há uma excepção, quando passam uns segundos de uma curta declaração de um deputado do PCP na televisão (por vezes sem sequer o identificar) ou se escreve umas linhas sobre o trabalho dos comunistas portugueses no PE nos jornais. Mas a regra é um silêncio discriminatório.
A intervenção do PCP no PE não se esgota nas reuniões de Bruxelas ou Estrasburgo e esse é o factor mais distintivo da sua intervenção. Ao longo da primeira metade do mandato, foram feitas centenas de actividades pelos deputados em Portugal, por todo o País.
De encontros com produtores agrícolas e pescadores nos Açores, ao contacto com produtores vinícolas na Madeira; de contactos com trabalhadores das autarquias e refugiados em Lisboa, a visitas a empresas de Braga; de reuniões com comissões utentes em Coimbra a visitas ao Hospital de Évora; da Base Aérea de Monte Real, em Leiria, às oficinas da EMEF do Entroncamento, em Santarém; de acções de solidariedade com o povo palestiniano na Península de Setúbal a visitas a serviços públicos do Algarve; do debate no Politécnico de Portalegre à sessão sobre o euro em Bragança; do contacto com os trabalhadores da Petrogal, no Porto, aos apicultores de Viana do Castelo; do encontro com os bombeiros de Viseu aos produtores florestais de Castelo Branco; das reuniões com compartes dos baldios de Vila Real aos produtores de ovos moles de Aveiro...
A lista de acções é tão extensa, em apenas meio mandato, que qualquer enumeração peca por defeito, mas ainda assim, a comunicação social nacional ignorou-as por completo. Registe-se, em muitos casos, o contraste com a imprensa local
A estas acções mais localizadas, juntam-se ainda 11 seminários, seis em Bruxelas e cinco em Portugal, sobre questões relacionadas com os direitos dos trabalhadores, a moeda única, a dívida, os transportes, a banca, as pescas, a crise na e da União Europeia, a luta contra o fascismo e pela paz ou os direitos de licença parental. O tratamento pela comunicação social nacional segue o mesmo tom: a falta de comparência e o brutal silenciamento. Temas que até têm tido amplo tratamento mediático como a prostituição e a sua legalização, quando se trata de um Seminário do PCP merecem zero linhas, zero segundos.
Em 2019 haverá eleições para o PE e lá os ouviremos dizer que «se desconhece quem são e o que os deputados lá fazem no PE» e «que só lá estão para se encher». Não será por acaso.
Os deputados comunistas portugueses prosseguirão um trabalho ímpar na defesa da soberania nacional, dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, contra os constrangimentos impostos pela UE e pelo euro, por uma Europa de cooperação, de justiça social e de paz. Mas se esse trabalho tem sido escandalosamente apagado do espaço mediático, os seus autores terão uma vantagem: é que estiveram nas lutas pelo direito a decidir, soberanamente, sobre o futuro do nosso País, mesmo que as câmaras e os microfones não os acompanhassem.”

domingo, 10 de dezembro de 2017

A PALESTINA NÃO ESTÁ SÓ!



Manifestações em Paris, Roma, Londres, EUA e também na região do Magreb como noutros países que repudiam a decisão de Trump.
A Palestina não está só, dizem os turcos.
VER FOTOS (AQUI)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cartum da semana

Gunduz Aghayev