Com mais de 123 jornalistas assassinados nos últimos
anos, o país azteca transformou-se num dos mais perigosos do mundo para exercer
a profissão. Em 25 de março a correspondente de a ‘La Jornada’ Microslava
Breach, foi assassinada em Chiguaga. Poucos dias depois, o chefe de redação do
semanário ‘La Opinión’ Armando Arrieta Granados, ficou gravemente ferido depois
de ser baleado. Só nestes primeiros três meses de 2017, foram assassinados três
jornalistas.
sexta-feira, 31 de março de 2017
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Debates sobre a liberdade de imprensa e comunicação
Debates
sobre a liberdade de imprensa e comunicação
Eu,
de minha parte, asseguro-lhes, cavalheiros, eu prefiro acompanhar os grandes
acontecimentos mundiais, analisar o rumo da história, do que pelejar com ídolos
locais, com policiais, com tribunais. Não importa o quanto esses cavalheiros
podem se considerar grandes em suas próprias imaginações, eles não são nada,
absolutamente nada nas titânicas lutas dos dias de hoje. Considero um
verdadeiro sacrifício quando decidimos medir forças com estes oponentes. Mas,
de uma vez por todas, é o dever da imprensa tomar a palavra em favor dos
oprimidos à sua volta [...]. O primeiro dever da imprensa, portanto, é minar
todas as bases do sistema político existente (Marx: 1980, p.70).
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Os media e os Muros
Os media
e os Muros
Os media
são os mais altos e espessos muros que o imperialismo levanta entre o escuro da
ignorância e opressão que nos impõe e a luz da inteligência e liberdade que nos
sonega.
O Muro media erguido pelo
grande capital, é a maior fortaleza de que dispõe para dominar quaisquer
ideologias contrárias aos seus interesses, implantando princípios e regras aceites
pelos dominados como se suas fossem.
Os muros são impercetíveis para quem docilmente
se deixa conduzir pelos múltiplos meios altamente sofisticados pela tecnologia
que retém e domina.
O muro é transponível a todos os que prezam a
Liberdade.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Contra a corrente
As
causas da guerra
Por
Guy Mettan
(in, "Le Courrier")
A
histeria provocada pelos supostos ataques informáticos russos atingiu
proporções alucinantes nos Estados-Unidos. Como explicar que a primeira
potência mundial, dotada de um orçamento militar dez vezes superior à do seu
rival, e que, sozinho ultrapasse todas as outras potências, seja sensível à
“ameaça” putiniana ao ponto de
colocar o país à beira de uma ataque de nervos institucional, e aumentar ainda
mais o caos mundial? Há uma causa interna, bem entendido, que põe
inesperadamente em cheque a coligação Obama-Mc Cain que se julgava segura de
conservar o poder com Hillary Clinton. Depois da segunda presidência de Bill
Clinton, forjou-se nos Estados-Unidos uma aliança de facto, entre o establishment democrata por um lado, e
os neoconservadores de obediência republicana por outro. O bombardeamento da
Sérvia em 1999 selou esse acordo, que nem as aventuras militares calamitosas de
Bush Jr, nem os desmentidos elegantes, mas sangrentos, de Obama conseguiram por
em causa. Hillary Clinton encarnava a melhor esperança para estes dois campos
continuarem o seu business usual, ou
seja o prosseguimento de uma hegemonia americana fundada sobre o ‘comércio
livre’ sem limites, a abertura das fronteiras e o derrube dos regimes hostis em
nome da democracia e dos “valores” ocidentais, o envolvimento dos media – embedded depois da invasão do Iraque em 2003 – e a mobilização
ilimitada de todos os recursos do soft
power.
Acontece
que a derrota de Hillary veio quebrar este mecanismo bem oleado. Com Trump
tornou-se impossível continuar a conivência estabelecida, não obstante as
conferências chorudamente pagas pela Wall Street, a venda de armas e de bombas
aos aliados subalternos, - França, Arábia-Saudita ou Turquia - com o encargo de
as lançar sobre a Líbia, a Síria, o Mali ou o Iémen e ainda a implantação de
multinacionais 2.0 e 4.0 pelos quatro cantos do universo. Congregando sob a sua
poupa todos os deserdados da mundialização foi de imediato catalogado com a
infamante etiqueta de “populismo”, Trump quer ao contrário quebrar o comércio-livre
e travar as operações da baixa política de “polícia” mundial. Semeando o pânico
no campo dos que aproveitando o sistema com a bendição do espirituoso Obama e a
encantadora Michelle. Mas esta histeria também tem uma causa externa tendo em
conta as novas posições para com os europeus e as Américas, potências que não
partilham esta visão do mundo. A reação terrorista é um exemplo, ela que provém
de uma região e de uma religião que se sente humilhada por um século de
ingerências desastrosas. A reação chinesa, russa, indiana a que se veio juntar
as Filipinas, precedentemente pelas da América Latina, que com manobras mais ou
menos legais tendem manter a ordem, como foi o caso na Argentina, no Uruguai,
no Brasil ou na Venezuela, entre outros.
Todos
estes países há pouco silenciosos e ausentes da sena mediática mundial,
reivindicam o seu lugar ao sol. Os seus media,
contrariamente aos nossos, encontram-se em pleno desenvolvimento. TV, rádio,
jornais e media numérico estão em
constante progressão e dão lucro. Abrem escritórios de correspondentes em todo
o mundo e lançam canais de info em
cadeia, não aceitando servir de relay
à vulgata mundial da CNN ou BBC, querendo pelo contrário compartilhar a sua
própria visão do mundo, intolerável para os dirigentes políticos e os caciques dos
nossos grandes media, habituados a
que se beba o seu palavreado sem gaguejar.
Pior,
esses media são contestados no seu
próprio terreno pelos seus leitores e auditores, que perderam toda a confiança,
depois que tomaram posições contrárias à sua própria deontologia e falhando
calamitosamente quanto ao Brexit, Trump, Fillon e na capacidade do povo sírio
de resistir ao terrorismo islâmico.
O
storytelling do bom democrata
respeitoso dos direitos do homem e comprometido com a liberdade de expressão,
não aceita os que saem dos círculos estreitos do poder europeu e
norte-americano. O New York Times, o Washington Post, a BBC, Le Monde e seus associados já não marcam o passo. Ter de se
inclinar face aos sucessos de audiência da Rússia Today, é a vergonha suprema,
a afronta final, e que o Parlamento Europeu quis lavar adotando uma resolução
que restabelecia a censura na Europa!
Para
o establishment de Washington,
habituado a dominar o planeta desde há vinte anos, compreende-se que a pírula
seja amarga.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
TELEVISÃO
Campo de batalha
Ainda que não se dê conta disso, o
utente (ou consumidor, ou frequentador) dos chamados media está todos os
dias no centro de uma espécie de campo de batalha em que ele próprio é o
objectivo a tomar de assalto, a ocupar. Isto será verdade relativamente a
qualquer meio de comunicação social, sendo contudo que para estas colunas
importa sobretudo a televisão que, aliás, mesmo perante o enorme relevo que as
redes sociais adquiriram nos anos mais recentes, parece continuar a ser o
factor que mais generalizadamente condiciona os convencimentos dos cidadãos e,
por consequência, o seu posicionamento cívico, as suas acções e também as suas
inacções. Não é grande novidade que seja assim: pelo menos desde Goebbels e a
proclamada eficácia da «mentira mil vezes repetida» que a ocupação das cabeças
das gentes é reconhecida como um fundamental objectivo político, que a
impostura passou a valer como verdade, isto para não recuarmos mais no tempo e
na História. De onde a artilharia específica deste combate sem estrondos mas
sempre caracterizado por muita dureza e poucos ou nenhuns escrúpulos, sector de
primeiríssima importância daquilo a que chamamos, e bem, batalha ideológica.
Com uma fundamental característica: a de que um dos lados do combate dispõe de
meios financeiros, tecnológicos e logísticos praticamente inesgotáveis,
enquanto o outro apenas dispõe de convicções firmes e de enorme empenhamento.
A alegria
final
Dito isto, não surpreenderá que se
peça a atenção dos cidadãos para alguns cuidados a ter para evitarem a
intoxicação pela absorção dos venenos informativos que todos os dias nos
rondam, que são introduzidos em nossas casas e, no caso da televisão, tentam
entrar em cada um de nós pelos olhos e ouvidos que estejam mais disponíveis. E
é bem caso para dizer que todos os cuidados são poucos, como aliás se
compreenderá quando nos lembrarmos de que os semeadores de toxinas são
profissionais especialistas, peritos no manejo das suas específicas minas e armadilhas,
ao passo que os cidadãos-alvos são criaturas desprevenidas e tendencialmente
crédulas perante o que a televisão ou a rádio disseram e porventura a
generalidade dos jornais terá repetido ou glosado. Neste quadro, convém
mobilizar algumas formas de precaução que possam constituir linhas protectoras:
é uma espécie de autodefesa sob a forma de interrogatório. Chegada até nós a
informação ou o que com informação se pareça, perguntemos de onde vem ela, quem
ganhará alguma coisa se ela for generalizadamente bem acolhida, qual é o alvo
que será por ela atingido, identifiquemos qual o objectivo final que estará em
causa. Em resumo: «revistemos» a informação para nos apercebermos do que pode
ela trazer nas suas algibeiras, sobretudo nas mais interiores, nas que estão
menos à vista. Há muitos casos de impostura óbvia, seja pelo próprio tipo de
informação ou seja por conhecida falta de credibilidade de quem a disparou, mas
é preciso não esquecer de que em política, e portanto também na batalha
ideológica, nem sempre «o que parece é», como muitas vezes é repetido e o
«sempre saudoso» doutor Salazar uma vez terá lembrado. Assim, ocorre por vezes
que informações que parecem incluir-se num pensamento muito democrático são,
afinal, parte integrante de grandes manobras de sentido contrário, ou que
aparentes movimentos de opinião transnacional são de facto efeitos de campanhas
intoxicantes sem princípios mas com fins. Poder-se-á dizer que é difícil viver
assim, num mundo em que a produção de inverdades é permanente e obedece a
estratégias traçadas por especialistas e do outro lado, débil, está o cidadão
em princípio isolado. Por isso é tão importante que o cidadão não esteja
isolado. Que, com ajuda ou sem ela, perceba quais são os dois grandes campos
que estão em confronto permanente. Que, depois disso, reflicta. E depois de
reflectir saboreie a alegria final de, mais uma vez, não ter sido enganado.
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Os media: fábrica de boatos por Carlos Santa María
Os media: fábrica de boatos por Carlos Santa María
Numa serie de grande
audiência para o público estadunidense, The Black List (A lista negra), Raymond
Reddington, a personagem central, esclarece como influenciar a sociedade
através da informação calculada,
denominada “a fábrica de boatos”.
Numa das cenas
contacta-se com uma casa especializada de carácter secreto e capaz de
produzir notícias falsas para orientar a audiência e obter o que se deseja, recorrendo
a múltiplas técnicas, construir situações inexistente, informações manipuladas,
dados fingidos e mensagens em rede.
Reddington explica que a dita agência aproveita a
ansiedade do público, especialmente quando está condicionado pelo medo, para
provocar estados de pânico, adormecer e mudar expectativas, recorrendo às redes
sociais de forma massiva e estabelecendo campanhas de desinformação altamente
coordenadas.
O seu fim específico é desenvolver a arte da desinformação para
criar eventos artificiais como se fossem reais. Com essa finalidade, recorrem a
milhares de histórias falsas, criam-se ataques para desviar a atenção de algo
fundamental que se está passando, provocando respostas condicionadas. (ler
mais aqui)
Subscrever:
Mensagens (Atom)


