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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

11 filmes sobre manipulação mediática


"Esses filmes são verdadeiras obras-primas conscientizadoras sobre a máquina manipulativa que são as mídias, eles mostram de forma crua e bastante didática o poder de persuasão delas sobre as massas. Em vários países as mídias derrubam governos, formam opiniões, ditam modas, criam ídolos, símbolos e mitos. Vemos o seu poder manipulativo principalmente em países onde o índice educacional é baixo, onde governos trabalham em prol da corrupção e onde as grandes mídias são economicamente dependentes do governo, tipo no Brasil por exemplo.
O que mais chama a atenção nesses filmes é como o sensacionalismo pode ser algo assustadoramente chamativo, como essas mídias se aproveitam de artifícios baixos em busca de altas audiências, e de como estruturas sociais e vidas pessoais são destruídas no processo.
Esses filmes são magníficos, são aulas de como se prevenir contra as artimanhas midiáticas para te tornar num espectador em transe, acreditando piamente em tudo que é mostrado nessas mídias."
Leandro Godoy 
Veja a lista (disposta por ordem cronológica).

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Semiótica das Notícias Burguesas / Fernando Buen



Semiótica das Notícias Burguesas

A semiótica não é um campo indemne na disputa do sentido

Isso a que chamam “noticiadores” (nas máquinas de guerra ideológica chamadas “mass media”) são unidades de combate na disputa semiótica que o capitalismo impõe para deformar e manipular a realidade, o seu conhecimento e a sua expressão. A garantia do êxito reside na lógica dos monopólios e na repetição – ad nauseum – do arremesso da estultícia refinada com escória ideológica. Silenciar todos para impor uma só voz. Formatar cérebros com moldes de mansidão. Quer o inimigo de classe manter-nos bem informados? Para quê? De acordo com quem?
No entanto dá trabalho (a não poucos) aceitar que vivemos sob os projeteis ideológicos de uma guerra mediática, incessante e multifacetada, aberta de “par em par” para nos fazer aceitar sem contestação, o mundo tal qual nos impõem… para nos obrigar a financiar os seus instrumentos de mentiras e aceitá-los com aplausos e a submissão da própria alma. Ainda que seja verdade que os destinatários não sejam “robô” que aceita linearmente todo o lixo que lhe impõem, é também verdade que a mentalidade dos povos está sequestrada entre jaulas de falácias monopólicas de onde o pensamento crítico é perseguido, satanizado e ridicularizado. É, tal qual uma guerra assimétrica. E certamente não se ignora que as massas estão também fermentando a sua emancipação informativa. Não aceitar que se trata de uma Guerra condena-nos à ignomínia e ao silêncio.
Dito de outro modo, a complexidade semiótica das notícias burguesas radica na sofisticação ideológica e tecnológica das mentiras e as calúnias tecidas com protagonistas de ocasião e blindagem das suas (por definição) corruptelas de forma e conteúdo. O seu “maná” é o linchamento dos líderes sociais e a neutralização das movimentações populares. É o seu habitual orgasmo repressor. E despendem muito dinheiro para o conseguir. E tudo é redutível a mercadoria (incluso as próprias notícias) nos mercados concorrentes, disparando às claras, em horários precisos, contra a população até derrubar todo o bastião democratizador, o direito à informação e à comunicação. Uma “tomografia computadorizada” das notícias mostra o catálogo completo das taras com que se fabrica o “equilíbrio” informativo que cai sempre para a direita.
Essa disputa pela produção de sentido nas “notícias” tem ingredientes que se repetem no capricho posto nos cenários em que se luta para reprimir ou omitir o inimigo de classe que incomode o livre exercício do lucro contra o produto do trabalho. É produto envernizado com algum brilho de ilusionismo, individualismo e idolatria burguesa, mantida pela moral da propriedade privada e do seu fetiche multiforme nas mercadorias. É um grande exército para a defesa da propriedade privada.
Se a notícia burguesa serve para algo, não será mais que a sua conversão em expedientes de canalhices servis a interesses os mais aberrantes quer se trate de “notícias do espetáculo”, “notícias vermelhas”, “desportivas”… É no seu ser mercantil que se baseia o seu poder de ilusão sempre distorcida. Só se salva o êxito burguês, seus amos e criados. Tudo o mais é carne do inferno dantesco em que o proletariado terá de se bater entre detritos de “periodistas”, constantemente, sem tréguas e sentir a satisfação de “estar bem informado” pelo inimigo de classe.
Pela manhã, tarde e noite a disputa (guerra noticiosa) para dominar as ferramentas de produção de sentido nutre-se com mísseis de tática e estratégia burguesas. Que fique bem claro: Nenhuma semiótica que se preze pode ficar à margem desta guerra e da sua alma mater, a luta de classes, camuflada como “notícia”. Não há dúvida, a ética burguesa é rigorosa e não tem fronteiras, especialmente no que respeita aos lucros. Os seus mais destacados caudilhos são os que mais pagam para mentir e os que mais se aplaudem a si mesmos, inclusive com prémios e ovações académicas de mercado. Cumprem com o seu dever disciplinarmente, como soldados cuja precisão de ataque e ódio de classe se intercalam para se mostrar “equânimes”, informados”, neutros” e “profissionais”. Na alma da notícia, na sua estrutura interna, a mentalidade burguesa só aspira a dar um golpe certeiro, um crime perfeito, uma punhalada ideológica que anule o destinatário, que esconda a luta de classes e torne invisível toda a força transformadora nas mãos dos povos revolucionários. A forma e o género são só coartados para projetar munições e assegurar-se de territórios de todo o tipo.
 Nisto temos muito por fazer, começando por reconhecer nossas debilidades revolucionárias em matéria de produção de informação. São frentes concretas de luta: a batalha das ideias emancipadoras das notícias; a desmontagem dos seus dicionários e dos seus vocabulários, na maioria tributários de anglicismos léxicos e ideológicos. É frente de disputa a sintaxe, a ordem das ideias, os valores e as prioridades da ação e as formas de enunciar a transformação do mundo e o mundo mesmo em todos seus espaços. Contra a sintaxe paupérrima com que a burguesia apregoa suas verdades de escolinha pateta e contra a pedantaria dos donos do dinheiro, temos o desafio de romper o cerco monopólico que viola todos os preceitos e leis do mundo incluídas nas leis de comunicação que criou Equador, Venezuela e Argentina, que se atreveram a sonhar a democratização dos media e a desmonopolização de seus feudos “mediáticos”. Isso, sim, é notícia.

Fernando Buen Abad Domínguez

  Trad. CS/LA

sábado, 29 de outubro de 2016

Saturação no sector dos media



Vem aí outra onda de destruição criativa no sector dos media

A informação digital cresceu quase exponencialmente. Mas a brutal competição pela atenção das pessoas está chegando a um ponto de saturação.
Miguel Ormaetxea

(ler mais)
 20/10/2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Marcelo acompanha o Presidente da República a Cuba

O conhecido Marcelo Rebelo de Sousa acompanha sempre o novo Presidente da República em todas as suas viagens, visitas, abraços, cumprimentos e fotografias. Reconhece-se que, se tal não acontecesse, a comunicação social não daria a mesma cobertura mediática aos acontecimentos que envolvem a mais alta figura do Estado.

Pode bem o Presidente desfilar entre protocolos, apertos de mão e comitivas negociais que, para o indivíduo Marcelo, lá no seu  íntimo, o seu primeiro objetivo é ter encontros para o seu currículo ou , em último lugar, para o seu álbum de recordações. Ouvi-lo-emos, daqui a uns anos, a contar pormenores nunca revelados, naqueles programas de televisão para que foi feito e que o fizeram, os quais o realizador ilustrará com imagens que testemunham os seus feitos.

E assim, lá surgirá a sua imagem polida e gasta ao lado da senhora do Barreiro a quem prometeu um bagaço na campanha, a abraçar aquele secretário geral da ONU que, quando era outra pessoa, se recusou a encontrar com Fidel, a dar um aperto de mão a Obama, a beijocar a Madre Teresa de Calcutá, a agarrar ao colo a criança de dois anos que desapareceu em Ourém, a visitar a campa de Jim Morrison ou a fazer festas a um cão que nasceu com cinco patas.

É disso que Marcelo gosta, é isso que a comunicação social valoriza e é isso que entretém o povo telespetador. 

Deste modo, não espanta que a imagem que vai ficar da sua visita a Cuba seja a sua fotografia a falar com Fidel Castro.

Legenda - rigorosamente, Marcelo e Fidel

A nossa imprensa atira-se, retrai-se, contorce-se, rende-se. Tem tanta vontade de dizer mal do governo a que chama regime, apetece-lhe tanto chamar ditador a Fidel, queria tanto encontrar crianças famintas nas ruas mas não encontra nada. E depois, há que respeitar Marcelo. Ele não é  um Cavaco que mude de opinião a respeito de Mandela, ele sabe que Fidel já tem lugar de lenda na história que é presente e, por isso, nem que traga só uma foto no regresso, já lhe basta.

É possível que um ou outro empresário ou empreendedor traga projetos, de modo que só a comunicação social virá de mãos a abanar - nem a foto emblemática é obra sua!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Livros de cabeceira



Intoxicação Linguística, de Vicente Romano
Cada vez vale mais a pena ler A Intoxicação Linguística, de Vicente Romano.

Pela sua própria natureza, a informação é selectiva. Devido às limitações espácio-temporais, aos condicionamentos profissionais, ideológicos, culturais, etc., os jornalistas vêem-se sempre obrigados a seleccionar.

Quase nunca dispõem do tempo, do espaço e da autodeterminação suficientes para dizer o que gostariam. Daí que possa afirmar-se que um domínio superior da língua, o seu uso consciente e competente, seja uma das qualidades fundamentais do jornalista. Entre os jornalistas, embora sejam raros, podem existir casos de ingenuidade profissional, mas em informação nada há que seja inócuo.
[…]
Em vez de chamar as coisas pelo nome, esta retórica apresenta a guerra através da metáfora de um jogo. Assim é quando se compara a guerra com partidas de póquer ou de xadrez, ou quando se fala de “teatro de operações” excluindo-se, sempre, as suas consequências mortais para a população. As metáforas da natureza aparecem em terminologias como “guerra relâmpago” (um termo predilecto dos nazis – Blitzkrieg), “ondas de bombardeamentos”, “tempestade do deserto”, etc. Provoca-se, assim, a adesão da ideia das guerras à ideia das catástrofes naturais contra as quais nada há a fazer que as possa evitar. As vítimas reais perdem a sua condição de pessoas. Perdem-se tanques ou aviões, destroem-se instalações militares, etc., mas omite-se o destino dos pilotos ou das vítimas civis desses ataques. Os objectos adquirem, pela mesma via, uma condição humana: trata-se de armas e bombas “inteligentes”.

Outro dos recursos utilizados na desorientação ou, o que é sinónimo, na desinformação, é o emprego de neologismos que ocultam a barbárie das acções bélicas. Os civis mortos, as casas, escolas, hospitais, barragens, campos, colheitas, etc. destruídos são apresentados como “danos colaterais”. Os indicadores de distanciação reduzem, por seu lado, a credibilidade do inimigo. Começa-se com “segundo fontes…” ou “o citado…”, para se prosseguir com a valorização dicotómica entre bem e mal, na qual os bons “confirmam”, “advertem”, enquanto os maus “enganam”, “ameaçam”. Os bons têm “governo”, os maus, “regime”.
O uso correcto da língua contribui para a eficácia da comunicação, para o aumento do conhecimento, quer dizer, para que a ignorância se reduza e para a ampliação da liberdade humana. Por isso há que cuidar e dominar a língua, os recursos expressivos para a transmissão de informações. Em tempos de guerra, de incerteza e de angústia social como os actuais, é fácil recorrer ao sensacionalismo, à manipulação orientada da emocionalidade. Sim, os profissionais da informação não podem renunciar à sua sensibilidade ante a dor e a exploração dos seres humanos. As suas reportagens e as suas palavras reflectem a sua posição perante os factos, mesmo quando tentam ocultá-los. Mas não se pode esquecer que estes profissionais são observadores, não actores. E, ainda que a verdade possua muitas caras e seja difícil obtê-la por inteiro, podem, sim, aproximar-se dela. in A Intoxicação Linguística, de Vicente Romano.