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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Populismo e os media



O populismo está noutro lugar
António Guerreiro, in Público (aqui)

«A palavra “populismo” é actualmente objecto de um uso imoderado que adulterou o seu sentido e faz dela um sintoma que diz muito pouco sobre um regime político e uma forma de governação, mas diz muito sobre o discurso do jornalismo e os mecanismos mediáticos. “Populismo” já não designa nada da ordem da constituição e legitimação de um corpo político ou dos métodos de governação, já que o seu sentido está inteiramente do lado dos meios de comunicação, do regime mediático; não tem nada a ver com o povo, mas apenas com os espectadores. Os dispositivos populistas dos media e do jornalismo não são um exclusivo de certos programas de televisão e de alguns jornais.»

terça-feira, 24 de maio de 2016

Da vergonha alheia que se sente ao ver telejornais



Há inúmeras maneiras de descrever um acontecimento, mesmo que se respeite a verdade dos factos - ou melhor, mesmo que haja um esforço para não distorcer qualquer facto. Meia dúzia de testemunhas de boa fé de um mesmo acontecimento podem apresentar narrativas diferentes do mesmo.

Porquê? Porque, sempre que descrevemos um acontecimento, temos de criar uma narrativa (a realidade não vem acompanhada de uma legenda, como os quadros numa exposição) e a narrativa que cada um de nós constrói é influenciada pela nossa experiência, pelos nossos valores e desejos. O que pode variar? Pessoas diferentes começam a narrativa em pontos diferentes, valorizam diferentes aspectos do acontecimento, constroem diferentes fluxos narrativos, escolhem diferentes testemunhos, seleccionam diferentes excertos desses testemunhos, apresentam esses testemunhos de forma diferente, acrescentam diferentes comentários explícitos ou implíctos, usam um estilo diferente, exibem emoções distintas, diferente linguagem corporal e expressões faciais, etc. Tudo isto faz parte do B-A-BÁ do jornalismo ou da historiografia. E as ciências sociais há séculos que nos alertam para os limites da objectividade. O acontecimento morre sempre no momento. Depois dele, apenas sobram narrativas, que seleccionam e valorizam diferentes vestígios desse acontecimento.

Mesmo que conseguíssemos fazer uma descrição objectiva de um dado acontecimento singular, o retrato que faríamos da sociedade seria sempre enviesado, porque não podemos relatar tudo e a escolha daquilo que relatamos deforma radicalmente o retrato que produzimos. Publicamos todas as notícias sobre desigualdade? Ou as notícias sobre os namorados daquela cantora? Perguntamos todos os dias o que Pedro Passos Coelho pensa? Continuamos a seguir a guerra na Síria ou já chateia tanta criança morta? Recolhemos a reacção desta organização ou da outra? Que factores escolhemos para explicar a evolução da dívida pública?

Isto significa que fazer um jornalismo como deve ser feito - independente dos poderes, que não tenta beneficiar determinado grupo, que faz um retrato justo do mundo, que trata todas as fontes de forma leal - é difícil.

Mas então é impossível fazer uma descrição honesta da realidade? Não, significa apenas que essa deve ser uma preocupação constante.

Vem isto tudo ainda a propósito do polémico segmento do telejornal de há umas semanas onde José Rodrigues dos Santos explica, à sua maneira, como evoluiu a dívida pública portuguesa. É evidente que se trata de uma explicação enviesada, que selecciona certos dados e escamoteia outros, que possui como subtexto a ideia de que a dívida é da responsabilidade exclusiva dos governos do PS. Esse subtexto recorre a dados verdadeiros mas é desonesto porque escamoteia tudo o que não valida a tese do pivot e, por isso, o segmento inscreve-se no que se chama “propaganda”, algo de que os jornalistas se devem abster, mas é curioso verificar que as críticas feitas a JRS foram classificadas pelo próprio e por outros campeões da objectividade como “censura”. Porque é que isso é curioso? Porque essa reacção prova que o segmento de JRS não foi uma falha inconsciente, que o próprio estaria disponível para corrigir, mas um gesto intencional, um enviesamento deliberado.

A verdade é que as televisões em geral - e a RTP devia ser, mas não é, excepção - primam pelo sectarismo da sua cobertura. Ver um telejornal é sempre um exercício de sofrimento e de vergonha alheia. Sectarismo nos temas escolhidos, nos testemunhos que recolhem, nas opiniões que valorizam, nos comentários que solicitam. Um sectarismo que se caracteriza pela defesa geralmente subtil, às vezes nem isso, das posições mais reaccionárias e mais próximas dos poderes fácticos mais poderosos. O segmento de JRS sobre a dívida não é mais nem menos sectário do que todos os outros feitos pelo próprio e, por isso, não merece maior escândalo. O que merece indignação é que a RTP continue a não conseguir praticar um jornalismo respeitável e independente.

Que a SIC tenha como editor o alegre propagandista José Gomes Ferreira tem de se aceitar como mais um castigo dos mercados. Que a RTP pública imite o que de pior se faz no jornalismo televisivo e se sinta obrigada a convidar para todos os seus painéis um direitista de serviço do Observador (nem sequer identificado como tal), lamenta-se.
José Vitor Malheiros - Público 24/05/2016 

sábado, 21 de maio de 2016

de liberada mente!

do avante! de 19.05.2016:

O apagão

O PCP realizou nos últimos três meses um conjunto de debates sobre três condições para o desenvolvimento e soberania nacional. O primeiro, em Março, sobre o controlo público da banca; o segundo, em Abril, sobre a renegociação da dívida; e o último, a 10 de Maio, sobre a libertação da submissão ao euro. Temas que têm servido para alimentar de forma mediática caricaturas, mistificações e a deturpação da posição do PCP perante a solução política.
São três questões centrais que contaram na sua discussão com a contribuição de personalidades como Nuno Teles, João Rodrigues, Ricardo Paes Mamede, Sandro Mendonça, João Ferreira do Amaral ou Jorge Bateira. A discussão sobre a submissão de Portugal ao euro e as suas consequências na vida política, económica e social reveste-se de actualidade indesmentível. Nos últimos meses acentuaram-se manifestações de chantagem e tentativas de travar a actual política de recuperação de rendimentos e direitos.
A permanência de Portugal no euro, ou a preparação do País para se libertar da submissão ao euro, deviam ocupar muito do espaço mediático. São cada vez mais os que entendem o efeito devastador de 14 anos de circulação da moeda única no nosso País.
Os jornais do dia seguinte à sessão ignoraram-na. Para o Público, que fez capa com a visita de Passos Coelho a um colégio privado, não existiu. No DN vimos uma realidade esquizofrénica: no dia anterior tinha publicado uma pequena antecipação mas da sessão não deu eco. Só o JN e o Correio da Manhã deram notícia: o primeiro remeteu-a para o canto de uma página dedicada aos peregrinos de Fátima; o segundo numa caixa da última página.
Nos canais televisivos o panorama não foi muito diferente. Nem um segundo dos noticiários das 20 horas dos três canais foi usado para dar notícia da iniciativa do PCP. Só na SIC Notícias e na TVI24 passaram peças da sessão.
Mas não foi só a silenciamento que assistimos. Se no JN as declarações do Secretário-geral do PCP foram apresentadas como balanço de seis meses de Governo, a SIC dizia que «Jerónimo aponta erros à Grécia». Mas em nenhum órgão de comunicação social se pôde ver, ouvir ou ler que lá estiveram também outros dirigentes do PCP e deputados na Assembleia da República e no Parlamento Europeu. Nenhum deu notícia da presença e do contributo deixado pelas personalidades que lá estiveram e o mesmo aconteceu com as iniciativas anteriores.
A verdade é que nessa iniciativa o PCP avançou com medidas que considera necessárias para libertar Portugal da submissão ao euro, mas mais uma vez os critérios editoriais deram primazia a acontecimentos como a visita de Passos a um colégio privado ou aos festejos do título do campeonato de futebol que ainda estavam a cinco dias de distância. Quando o PCP fala pela sua voz própria sobre essas questões surge o apagão.
O critério parece ter pouca ligação com a actualidade. O que fica evidente é a vontade dos responsáveis pelos principaismedia em esconder tudo o que ponha em causa a manutenção da política de empobrecimento e afundamento do País. Resta dizer-lhes que isso não é jornalismo, é manipulação.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

As Técnicas da moderna propaganda militar


As Técnicas da moderna propaganda militar
Thierry Meyssan
A propaganda é tão velha como as sociedades humanas. No entanto, ela desenvolveu-se consideravelmente na era de massas e segue agora regras precisas. Thierry Meyssan revê a história e os princípios desta ciência da mentira.
(ler aqui)

domingo, 15 de maio de 2016

Marcia Tiburi e a televisão

"Olho de Vidro - a televisão e o estado de exceção da imagem"
(ler + aqui)


 Marcia Tiburi

«Sobre a tela e o telespectador, a autora descreve que, a tela é ela mesma, órgão de controle dos corpos, se opondo aos livros, deixando a memória inerte, não se importando mais com o passado nem com o futuro, promovendo o analfabetismo, que aliás, esta crescendo a olhos vistos, aqui refiro-me ao analfabeto funcional, pois a educação, as leituras, estão deixando de ser atração para compartilhar a atração televisiva, onde a imbecilidade tomou conta do espaço da liberdade, seja de expressão ou de pensamento e a regra geral é a do silêncio (TIBURI, 2011, p. 183), eliminando o pensamento.»

A grande imprensa...

 “A grande imprensa não só se assumiu como golpista como ela é direção política do golpe. Por isso que um dos nossos alvos é a Globo, porque ela dirige as outras. É como se a Globo fosse o Messi de qualquer seleção, ela dirige os outros jogadores”, comparou João Pedro Stédile do MST.

sábado, 14 de maio de 2016

Claro que é natural!!!

Mail por aqui recebido:

«Claro que o assunto é totalmente desinteressante, mesmo que se trate do futuro do país.
Claro que as posições deles são sempre iguais e a cassete também, mesmo que sejam praticamente os únicos com a coragem de dar o passo em frente pela rotura com o pântano.
Claro que são todos já muito conhecidos, mesmo que um independente, catedrático de Economia, dê a cara a seu lado.
Claro que nem sequer têm umas carinhas frescas e jeitosas a quem apontar as câmaras.
Está mais que justificado.
São uns chatos.
Incomodam.
Jorge

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Sessão «A libertação do país da submissão ao Euro, condição para o desenvolvimento e soberania nacional»



Newsletter N. 24 - 2016 / 12 Maio 2016s



"A libertação da submissão ao Euro é uma necessidade e uma possibilidade"

10 Maio 2016
Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral.
O Euro e a crise  
na e da União Europeia

O Euro e a crise na e da União Europeia

10 Maio 2016
Intervenção de João Ferreira, membro do Comité Central e Deputado ao Parlamento Europeu.

"Preparar a saída do Euro é fundamental, é a sustentabilidade do país como país que está em causa"

10 Maio 2016
Intervenção de João Ferreira do Amaral, Economista.

"Com o Euro a soberania nacional foi confiscada"

10 Maio 2016
Intervenção de Jorge Bateira, Economista.

"Os portugueses têm o direito de exercer a opção soberana de libertar o nosso país do Euro"

10 Maio 2016
Intervenção de Paulo Sá, Deputado à Assembleia da República.

"A libertação da submissão euro, a recuperação da soberania monetária é uma necessidade estrutural do país"

10 Maio 2016
Intervenção de Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP.

PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS PARTIDO COMUNISTA PORTUGUÊS
(Sede) R. Soeiro Pereira Gomes, n° 3, 1600 - 196, Lisboa | Tel.: 217813800 | Fax: 217969126 | Email: pcp@pcp.pt | Contactar»

Obrigado, Jorge
(com ironia também se faz a luta)