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segunda-feira, 21 de março de 2016

JORNALISMO DE ESGOTO ou de CLASSE?



A Globo tratou as duas manifestações de forma diferente.
Por Jean Wyllys

A cobertura jornalística das manifestações do último domingo e da sexta-feira em boa parte dos veículos de comunicação, especialmente a rede Globo e a Globo News, confundiu gravemente o jornalismo com a propaganda. Vejamos alguns exemplos disso.
Nas manifestações do domingo (a favor do impeachment), houve transmissão ao vivo por esses canais de TV durante o dia inteiro, quase sem interrupções. Nas manifestações da sexta-feira (contra o impeachment), o foco estava nos estúdios e nas falas de âncoras e repórteres, com flashes e breves transmissões desde os locais das manifestações disputando o tempo com outras notícias.
O enquadramento das imagens, no domingo, era o mais favorável e permitia ver que tinha muita gente, enquanto na sexta-feira, a câmera estava sempre muito perto ou muito longe, produzindo o efeito oposto. Em algumas cidades, inclusive, as imagens mostraram o momento em que as pessoas “estão começando a chegar” e, tempo depois, o momento em que “a manifestação já acabou”, omitindo o momento mais importante: quando a manifestação estava acontecendo. No domingo, esse foi o momento privilegiado.
Nas manifestações do domingo (“atos espontâneos da cidadania”), os manifestantes eram protagonistas, ou seja, tinham direito a falar, a dizer por que estavam ali. Nas manifestações da sexta-feira (“manifestações governistas”), essa narrativa era assumida pelo cronista. E alguns fatos relevantes que faziam parte da notícia não foram ditos: diferentemente do domingo, na sexta-feira não houve catracas liberadas no metrô de São Paulo; pelo contrário, a “falta de troco” demorava as pessoas que queriam viajar.
Contudo, o momento mais vergonhoso foi quando começou a fala do ex-presidente Lula. “Estamos com problemas no áudio, vamos pedir ao nosso repórter que conte o que está acontecendo”. Como assim? Você pode amar ou detestar o Lula, pode acreditar ou não no que ele diz, ou pode (como eu espero que você faça!) fazer uma leitura crítica, mas para isso você, cidadão, cidadã, tem direito a ouvi-lo! Como é possível que a fala dele não tenha sido transmitida ao vivo? Qual é o critério de “notícia”? (Vale aqui fazer uma ressalva: a Band News transmitiu o discurso; pelo menos a audiência desse canal teve seu direito a se informar respeitado).
Passamos dois dias inteiros assistindo sem parar pela televisão, em repetição continuada como no velho cinema, às conversas privadas do ex-presidente (uma espécie de Big Brother involuntário do qual ele não sabia que estava participando) e agora não temos direito, como audiência, público e cidadania, a ouvir o que ele diz num comício com cerca de cem mil pessoas na avenida Paulista? Não é notícia?
Qual é o medo?
Deixem as pessoas assistirem tudo e tirarem suas conclusões sozinhas! Até porque, diferentemente do que a narrativa da oposição de direita, dos principais veículos de comunicação e também do governismo pretende instalar, não há apenas dois lados nessa história. A realidade é muito mais complexa e não podemos reduzir a atual conjuntura a uma opção entre adesão ao governo e adesão à direita tradicional. Tem muita gente que, como eu, milita na oposição de esquerda ao governo Dilma mas é contra o impeachment porque, até o momento, não há provas concretas que justifiquem esse processo que está sendo conduzido de forma ilegítima por um presidente da Câmara investigado pelo STF por corrupção e lavagem de dinheiro, e porque é a favor da democracia!
Muitas dessas pessoas foram ontem às ruas e tanto a mídia quanto muitos governistas erram se acreditam que todos os manifestantes eram simpatizantes do governo e do PT. Essas vozes não são ouvidas nos telejornais, mas existem.
Eu não vejo problema no fato de que cada veículo de comunicação tenha uma posição política. Na maioria dos países, tem jornais de esquerda e de direita (no Brasil, infelizmente, não há esse pluralismo), mas o que não pode é a narrativa enviesada não deixar lugar para a notícia. O jornalismo precisa informar e, depois, se quiser, pode dar sua opinião, deixando claro que é opinião. É a diferença entre a notícia, a coluna e o editorial.
A minha pergunta é: cadê a notícia? Cadê o jornalismo?

O texto acima foi publicado no facebook.

domingo, 20 de março de 2016

A "GLOBO" E OS GOLPISTAS




“MANIFES NO BRASIL PALAVRAS DE ORDEM”
A grande mídia, especialmente a rede Globo, foi rechaçada aos motes de:
“O Povo não é bobo, abaixo a rede Globo”
e
“A Verdade é dura, a rede Globo apoiou a ditadura”
e acusada de alardear a falsa análise de que a deposição da presidenta Dilma, via um golpe de Estado, reconduziria o país à normalidade e à retomada do crescimento económico.

sábado, 19 de março de 2016

Informação manipulada para manipular a informação

Concurso INFORMAÇÃO MANIPULADA MANIPULADORA

Mais que um concurso, é um festival! Que tem décadas de contínuas candidaturas.
Perante uma verdadeira avalanche (à dimensão, importância e especificidade País-alvo), o "júri", confessando a dificuldade, decidiu

GRANDE PRÉMIO

1ª página do i 


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MENSÃO desHONROSA
por tão HABILIDOSA

editores do EXPRESSO diário

A FERVER Os brasileiros voltaram hoje a descer às ruas. Na Avenida Paulista, em São Paulo, voltaram a ouvir-se palavras de ordem contra Lula da Silva e exigindo a demissão de Dilma Rousseff. Mas também há quem defenda o antigo Presidente. Afinal, o que é que faz de Lula um homem tão amado e odiado ao mesmo tempo?
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Justificação da mensão;
A "notícia"/chamada poderia ter sido dada assim:

A FERVER Os brasileiros voltaram hoje a descer às ruas. Em todo o Brasil houve manifestações a favor de Dilma e de Lula. Também se voltaram a ouvir, na Avenida Paulista  palavras de ordem contra Lula da Silva e exigindo a demissão da Presidente Dilma Rousseff. Afinal, o que é que faz de Lula um homem tão amado e odiado ao mesmo tempo?



faz a sua diferença!!!

sexta-feira, 18 de março de 2016

REDE GLOBO PORTA-BANDEIRA DOS GOLPISTAS


Minuto a minuto: 18/03 – Nas Ruas Contra o Golpe, em Defesa da Democracia


Milhares de pessoas marcham rumo a central da Rede Globo, em Aracaju. Manifestantes consideram a emissora uma das maiores articuladoras do processo de impeachment em curso no Brasil.

ESPAÑOL | Desde las calles de São Paulo, Raimundo Bonfim de la Central de Movimientos Populares: “no podemos dejar que los medios fascistas vuelvan a golpear a Brasil”.

"Como meio de comunicação, a Globo deveria prestar serviço de informação à população. Entretanto, trai os princípios da Constituição e se torna uma ferramenta de manipulação e reprodução da ideologia da classe dominante", afirmam os trabalhadores e trabalhadoras durante marcha no município de Eunápolis, segundo o MST.
"A Rede Globo tem manipulado as informações e tem construído de novo um golpe no Brasil", afirmou Patrícia Chávez, do Levante Popular da Juventude, durante marcha em defesa da democracia e contra o golpe, em Salvador.







quarta-feira, 16 de março de 2016

“A Internet pode tomar o lugar do mau jornalismo” - Umberto Eco

“A Internet é perigosa para o ignorante.”
 “O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. (…) Acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet.”

“A Internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um mau serviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A Internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação em demasia faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com os animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam a sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na Internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.”
“Se você sabe que sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a Internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A Internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a Internet para as mais variadas inutilidades: jogos, conversas online e busca de notícias irrelevantes.”
“[Há uma solução para o excesso de informação?] Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação quotidiana com a Internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.”
“As redes sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um vencedor do Prémio Nobel.”
“O problema da Internet é que produz muito ruído, pois há muita gente a falar ao mesmo tempo. Faz-me lembrar quando na ópera italiana é necessário imitar o ruído da multidão e o que todos pronunciam é a palavra ‘rabarbaro’. Porque imita esse som quando todos repetem ‘rabarbaro rabarbaro rabarbaro’, e o ruído crescente da informação faz correr o risco de se fazer ‘rabarbaro’ sobre os acontecimentos no mundo.”
“Populismo mediático significa apelar diretamente à população através dos meios de comunicação. Um político que domina bem o uso dos meios de comunicação pode moldar os temas políticos fora do parlamento e, até, eliminar a mediação do parlamento.”

Fontes: “Época” (Brasil), “Diário de Notícias” (Portugal) e “The New York Times” (Estados Unidos)

terça-feira, 15 de março de 2016

Pressões! Lóbis! Manipulação! Tudo sobre os media atuais.



Pressões! Lóbis! Manipulação! Tudo sobre os media atuais.
Desde sempre, os homens de poder controlaram a informação. Durante muito tempo, censuraram as verdades que punham em perigo o seu domínio. Antigamente amordaçava-se o mensageiro. Um método que viria a tornar-se contraprodutivo. Num universo mediático de proliferação descontrolada, a censura brutal chama a atenção e multiplica o impacte da informação que se quer esconder. O alarido mediático tornou-se o melhor aliado dos novos censores. Profissionais aguerridos têm por missão fazer com que o cidadão não entenda aquilo que ouve… Já não se censura, «gere-se a perceção» do público. Nasce uma verdadeira censura com os seus estrategas: os spin doctors, como lhes chamam nos países anglo-saxões. A sua razão social: vender-nos a verdade do mais forte. As técnicas de manipulação de informação empregues quotidianamente sob os nossos olhos são múltiplas e extraordinariamente inteligentes. Aplicam-se a toda a cadeia da informação. Primeiro, há que esconder a verdade. Se a verdade aparecer, há que fazer pressão sobre os mediadores capazes de a substituir, ameaçá-los, aterrorizá-los, seduzi-los, comprá-los. Se a verdade for difundida pelos media, há que controlar o impacte sobre a opinião e tudo fazer para que não seja ouvida e, sobretudo, para que não crie uma emoção popular. Através de exemplos concretos, vividos, que narra com a inspiração de um contador talentoso, Paul Moreira pinta um retrato impressionante deste universo da desinformação. Quer se trate de militares (americanos no Iraque ou franceses na Costa do Marfim), de financeiros ou industriais (a indústria farmacêutica é uma mina de ouro nesse domínio) ou de políticos (os staffs de George Bush e Nicolas Sarkozy são especialistas temíveis), todos empregam os mesmos métodos fundados sobre uma convicção simples: o cidadão, como o consumidor, é manipulável se se souber carregar nas teclas certas.