Mais
um excelente artigo de António guerreiro
quarta-feira, 2 de março de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Dizem que a mensagem não passa
Dizem que o discurso está ultrapassado, que não tem novidade e mesmo quando é dito por alguém mais jovem, está contaminado por velhas ideias. Dizem que o mundo mudou e que só os comunistas é que ainda não perceberam o quanto mudou. Dizem que o PCP é sempre do contra, que só sabe dizer mal e que nada de construtivo tem para propor ao País. Dizem que quanto mais miséria e exploração melhor, pois é da miséria que vive o Partido. Dizem que dizemos sempre a mesma coisa, que é cassete! E dizem-no dez, cem, mil vezes. Nos jornais que lhes dão espaço, nas rádios que lhes amplificam os comentários, nas televisões onde se sentam todos os dias e onde debitam as suas sentenças, incluindo a de dizer que a mensagem do PCP... não passa!
A mensagem de Portas e de Passos passa. A mensagem de Marcelo e de Marques Mendes passa. A mensagem do PS e do BE passa. Só a mensagem do PCP é que não passa. Que azar! Melhor dito, que incompetência!!! Nós que andamos nisto há quase 95 anos, nós que nos fartamos de ter opinião sobre quase tudo, nós que temos análises, propostas, projecto, já devíamos ter aprendido alguma coisa com a vida. Falta-nos o jeito, a técnica, o sentido de oportunidade, a agilidade, a inteligência, a dicção, a presença, a telegenia que sobra seguramente em todos os outros. Mas não ensinam isso no Partido?? Perguntam alguns. E muitos acreditam que assim é. Falta-nos também essa independência, esse livre espírito de pensamento que abunda noutras paragens e que por aqui escasseia e que só se adquire, dizem, quando se deixa de ser comunista...
Entre a discriminação do Partido e a promoção de outros, passando pelo sistemático preconceito que invade e condiciona muitas das redacções, até às ordens directas dos centros de decisão em operações dirigidas contra o PCP e das quais temos exemplos bem recentes como foram as eleições para a Presidência da República, a voz do Partido, a mensagem do Partido, é absolutamente intolerável para os senhores do dinheiro. Impossibilitados de ir onde a PIDE e a censura chegaram, utilizam a propriedade dos órgãos de informação como se de um exército se tratasse. Porque temem o mensageiro? Também. Mas temem sobretudo a mensagem, sobretudo se for entendida e transformada em acção transformadora por quem a sente e ouve.
Vasco Cardoso - Avante
sábado, 20 de fevereiro de 2016
Temos todos as mãos sujas de sangue
O jornalista, Carlos Santos Pereira, garante que, em cenários de guerra, os media são manipulados por agências de comunicação e pressionados a veicular informação falsa.
Diz que a Alemanha está a exercer a mesma política que Hitler e que as medidas de austeridade aplicadas a Portugal e à Grécia não têm a ver com racionalidade, mas com questões ideológicas.
Qual foi a guerra que mais o marcou?
Balcãs, sem dúvida nenhuma. Kraina, Bósnia, Kosovo representaram um ponto de viragem na história europeia, no quadro geo-estratégico e das relações internacionais, nas suas diversas componentes: políticas, diplomáticas, institucionais, legais. No caso do Kosovo, ao nível das estratégias de comunicação, operações militares, práticas políticas e diplomáticas e questões jurídicas que este conflito levantou. O conflito dos Balcãs abriu a era em que estamos agora. Na perspectiva jornalística, teve uma importância crucial. Vivi este conflito, particularmente a questão da Kraina, muito por dentro, e não apenas como observador. Deixou-me marcas muito vivas.
Quanto tempo acompanhou esse conflito?
Um ano antes das primeiras hostilidades, peguei numa mota e corri a Jugoslávia de ponta a ponta. Entrevistei montes de gente. Quando cheguei ao fim, disse que era inevitável haver uma guerra. E escrevi isso numa reportagem para o Expresso. O Vicente [Jorge Silva] começou aos gritos comigo porque estava a anunciar uma guerra. Infelizmente, um ano depois, rebentou. Acompanhei-a até ao momento em que a NATO entrou no Kosovo. Depois, fiz meia dúzia de reportagens com a tropa portuguesa. As memórias ainda me doem tanto que não quero voltar àquelas paragens.
A que se refere em concreto?
À Kraina. Foi um genocídio, no sentido técnico do termo, feito com a cumplicidade militar e política dos EUA e da Europa, que estiveram envolvidíssimos naquela operação. Temos todos as mãos sujas de sangue. Ainda me lembro de um oficial croata me dizer, pouco antes do ataque à Kraina, que as ordens eram muito simples. Ninguém podia dar um único tiro sem ser comandado pelos EUA. Foram os EUA que montaram a operação toda. A capacidade de mentir, de manipular, ultrapassou tudo o que era capaz de imaginar.
Foi nessa ocasião que teve divergências com alguns editores que queriam que divulgasse a informação veiculada pelas agências e não a que tinha recolhido?
Sim, tive choques sistemáticos com diversos editores. Mas não fui o único. Martin Bell, um famoso repórter, dizia que tinha mais problemas com os editores do que com os inimigos.
Esses editores duvidavam da informação que tinha investigado?
Não era duvidar. Os editores lidam com uma série de condicionantes: o ambiente informativo, o que a concorrência diz, as expectativas do próprio público. Têm uma perspectiva da informação completamente diferente da do repórter no terreno. Normalmente, somos atirados para um cenário qualquer, em relação ao qual se criou uma visão mais ou menos consensual e, quando chegamos lá, deparamo-nos com realidades bem mais complexas. E o choque é inevitável. Queríamos denunciar e dar uma visão das coisas que não jogava com a linha da NATO e dos EUA. E como a questão da informação era ultra- sensível naquele conflito, havia pressões enormes.
Alguma vez foi censurado ou obrigado a fazer auto-censura?
Nunca deixei. Agora, porem-me a andar ou tentarem evitar que falasse, sim. O caso da Ucrânia é um bom exemplo. Em toda a parte, estava proibido de contar o que vi. Só publiquei a história na Revista de Ciências Militares. Ao contrário do que seria de esperar, a multiplicação dos canais de comunicação e de informação e o acirrar da concorrência tem o efeito de afunilamento. Nunca a informação foi tão uniforme, tão igual. A resposta à concorrência não é tentar fazer diferente do vizinho. É garantir que eu não deixei de dar aquilo que ele também deu.
passos iniciais de mais uma vergonhosa campanha de manipulação
1
Esta foi a notícia:
Há acordo União Europeia-Reino Unido
Ontem 22:16 Económico com Lusa
Anúncio feito pela presidente da Lituânia através da conta do Twitter e já confirmado pelo próprio Donald Tusk, líder do Conselho Europeu.
Há acordo União Europeia-Reino Unido
Ontem 22:16 Económico com Lusa
Anúncio feito pela presidente da Lituânia através da conta do Twitter e já confirmado pelo próprio Donald Tusk, líder do Conselho Europeu.

...para ingleses (e portugueses e "europeus") verem!
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Palavras, vozes, cabeças - Correia da Fonseca
Palavras, vozes, cabeças
Foi em «O último apaga a luz»,
título curioso de um programa de diálogo e debate da «RTP3», a antiga «RTP
Informação» depois de recentemente metamorfoseada talvez com resultados
positivos, talvez não, um dia destes se saberá. Falava-se (também mas não só)
da recente eleição presidencial, dos seus resultados, dos factores que os terão
explicado no todo ou em parte, e a certo passo um dos intervenientes no
programa asseverou que «não é a comunicação social que governa o País». Ouvida
assim, de passagem e no meio de muito mais conversa, a afirmação parece de
relevância escassa e de fundamento óbvio: é sabido que quem governa o País é o
Governo, como aliás a própria palavra logo torna evidente, pelo que não pareceria
adequado perder mais tempo com a questão, se é que de questão se chega a
tratar. Contudo, e ao contrário do que parece, o ponto merece reflexão e,
porventura mais que isso, correcção. É certo que a comunicação social não
nomeia os cidadãos a quem será confiada a governação, está aliás
convenientemente distante dessa nomeação directa, mas o facto é que no terreno
em que ela actua há-de florir, algum tempo depois e após adequada maturação, a
escolha que sob a forma de voto livre e presumivelmente esclarecido designará
quem vai mandar no País. E esse terreno onde foi lançada a sementeira é nem
mais nem menos que as cabecinhas dos cidadãos.
Onde se fala de Goebbels
Não há muitos anos, uma estação de
rádio lançou um «slogan» autopublicitário que, de memória mas com fidelidade ao
essencial, se citará como segue: «(esta é) a estação que lhe diz o que você vai
pensar!». Era, como se vê, um prodígio de franqueza, mas não era nada tolo:
assumia com perspicácia, na parte que teria a ver com aquela estação, um diagnóstico
de âmbito mais geral acerca da reacção de causa e efeito entre o «discurso» da
comunicação social e os comportamentos dos cidadãos nas mais diversas áreas,
desde a escolha do próximo carro a adquirir até ao sentido de voto nas próximas
eleições. E é claro que neste quadro se incluem o governo a eleger e a política
que por ele será praticada, pelo menos se o executivo eleito for honestamente
fiel às promessas feitas em período eleitoral, o que nem sempre acontece, como
bem sabemos. É também razoavelmente claro que não basta que a comunicação
social tenha «voz»: é preciso que a use com clareza e com a insistência
necessária. Quando, há um pouco mais de setenta anos, um sujeito de apelido
Goebbels disse, por estas ou equivalentes palavras, que uma mentira repetida
mil vezes é mais forte que uma verdade, limitou-se a enunciar uma regra
fundamentalíssima da comunicação social quando transformada em manipulação
social. Isto é: seguindo embora um outro itinerário verbal, disse que a
comunicação social serve, sim, para governar um país. Ao contrário do
sustentado pelo participante que na RTP3 e a avaliar pelo título do programa
estará ali disponível para «apagar a luz». Serve para governar, embora não em
regime de exclusividade, isto é, não sendo o único instrumento a usar, que isto
de governanças é matéria complexa. Porém, a questão não acaba aqui: quem fala
em governar poderá falar também em projectos diferentes para o cardápio de
acções políticas, para mudanças de fundo nas estruturas sócio-económicas, para
outros cenários de futuro. Também para isso, e decerto para ainda muito mais, a
comunicação social é de primeiríssima importância, o que, já se vê, tem de
estar no primeiro plano da nossa permanente atenção. O que era sabido por
Joseph Goebbels quanto às mentiras não pode ser ignorado por nós quanto às
verdades que, por obstruções diversas e por vezes terríveis, temos dificuldade
em fazer passar. As verdades, temos de repeti-las mil vezes. E bem, isto é,
eficazmente. Para encurtarmos o trajecto entre o presente e o futuro.
Correia
da Fonseca
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Dos problemas laborais ao ataque à democracia
- Edição Nº2201 - 4-2-2016
Jornalistas e jornalismo
Dos problemas laborais ao ataque à democracia
A situação laboral dos jornalistas portugueses está a atravessar um dos mais graves períodos dos últimos anos. As salas de redacção cada vez têm menos profissionais e a maior parte dos que ficam vêem as condições de trabalho piorar. Mas a fragilização dos jornalistas, e consequentemente do jornalismo, não os afecta apenas a eles mas também a todos os portugueses, assim privados – como se não bastassem razões de natureza mais profunda, de natureza política, económica e ideológica – de uma informação independente, contextualizada, rigorosa e pluralista. O que está em causa não é apenas um grupo profissional, é também a qualidade da democracia.
Só nos tempos mais recentes, saíram da Global Media News (ex-Controlinvest), proprietária, nomeadamente, do Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo e TSF, cerca de 70 profissionais; do Sol e do i mais de 60, da Agência Lusa 22, do Público 28, da Impala 29 (revistas Maria, TV 7 Dias, Nova Gente e outras) e da Cofina 8 (Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, CMTV). Na RTP decorre um processo de saídas voluntárias.
Fernando Correia
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
pela liberdade de expressão em 1971 (e pela equidade em 2016?)
Documento muito interessante. Por várias razões, talvez sobretudo pelos nomes que o assinam. Todos unidos pela liberdade de expressão. E, agora, está-lo-iam pela variedade da e equidade na liberdade de expressão?
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
A manipulação como vício - Correia da Fonseca
A manipulação como vício
Foi no passado domingo, no decurso
do serão televisivo que se seguiu imediatamente ao conhecimento das primeiras
sondagens. Como era previsível, desde cedo ficou clara a possibilidade da
vitória à primeira volta de Marcelo Rebelo de Sousa. É certo que a escassa
votação conseguida pelos dois candidatos apoiados por figuras do PS poderia dar
algum regozijo aos pêèssedaicos em geral e, em especial, aos que fazem o seu
trabalho nos estúdios de televisão, mas foi óbvio que esse reconforto não
bastava para lhes saciar o vício da manipulação que aparentemente se tornou a
sua mais forte característica profissional, fenómeno cuja gravidade se agrava
quando ocorre na operadora pública de TV, paga pelos cidadãos de direita ou de
esquerda. Assim, os telespectadores foram impedidos de ouvirem integralmente o
comentário proferido por qualquer comunista, por muito que ele tenha sido
convidado precisamente para comentar o acto eleitoral e os seus resultados a
partir do estúdio: sempre surgiu um pretexto para o interromper, para acudir
com urgência a um qualquer pedaço de reportagem algures, para de facto exercer
alguma censura «justificável». É de esperar, naturalmente, que esse tão
esforçado trabalho, essa tão óbvia vocação para a função de colocador de
mordaças invisíveis mas perceptíveis, seja reconhecido e recompensado no plano
das carreiras profissionais. Como já aqui foi registado não há muito tempo,
«Roma» já paga a traidores; não espantará que pague também a servidores de
relevo menor.
O triste
«show» da noite
É claro, e ninguém o negará, que os
resultados alcançados por Edgar Silva ficaram aquém do desejado e do que era
legítimo esperar. Esse facto, porém, implica que lhe busquemos as causas e,
assim, que nestas colunas, por obrigação especialmente atentas ao que vai
acontecendo nos ecrãs dos nossos televisores, registemos a permanente cruzada
anticomunista que na TV portuguesa vai decorrendo dia após dia, toda ela feita
de distorções e de maiores ou menores calúnias explícitas ou implícitas, por
vezes animadas por uma transparente hostilidade por parte de um ou outro dos
profissionais que lhes dão voz e imagem. No serão do passado domingo, a
actuação do quase emblemático José Rodrigues dos Santos avizinhou-se do
caricatural: o sujeito exibia-se num estado de grande excitação perante a
expectativa de a votação em Edgar Silva ser superada pela votação em Vitorino
da Silva, Tino de Rans. De poucos em poucos minutos, à chegada de mais
resultados parciais vindos sobretudo do Norte, José Rodrigues dos Santos
embandeirava em arco, digamos assim, esbracejava numa espécie de foguetório
gestual. Quando, com a chegada de mais e mais substanciais resultados, Edgar
Silva passou para a frente de Tino, como seria expectável e normal, o Santos
calou a informação durante largos minutos numa clara exibição de mau perder,
má-fé e mau profissionalismo. Há gente assim, é claro, que não se enxerga, como
dizem os brasileiros. Na verdade, o minúsculo «show» de José Rodrigues dos
Santos foi o mais ridículo apontamento da noite, mas era evidente que o homem
não se continha. Teve, porém, um mérito: ao nível da caricatura, foi a denúncia
da militância anticomunista que integra a respiração quotidiana da televisão
portuguesa. Que decerto não explica tudo, mas que seguramente explica alguma
coisa.
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Correia da Fonseca
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