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domingo, 10 de janeiro de 2016

Pacheco Pereira e os ‘media’

As regras do “novo” jornalismo que abandona a mediação pela “leitura” da rede e a pretensa “participação” nela, acabam por substituir uma actividade crucial na democracia por um reforço da demagogia. (José Pacheco Pereira)

sábado, 9 de janeiro de 2016

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

do blog anónimo séc.xxi (informação)

Esclarecimento sobre questão no debate Edgar-Marisa

Recebemos este mail, que esclarece uma questão delicada, e se reproduz:

«No debate de Marisa Matias com Edgar Silva levantou-se o problema do sentido de voto daquela eurodeputada na resolução que abriu caminho à intervenção na Líbia.
A eurodeputada pôs termo ao diferendo com a recomendação de consulta da acta.

Consultando a acta, afinal, vê-se que «Matias» votou a favor.
No Parlamento Europeu, em março de 2011, foi votada uma resolução imediatamente entendida como o abrir caminho para uma intervenção militar na Líbia (Resolução RC-B7-0169/2011, de 10/03/2011).
Essa resolução, além do seu evidente caráter geral de ingerência, continha um parágrafo decisivo (§ 10), aí incluido para justificar, legitimar e promover a intervenção militar, inseparável, como no Iraque, do objetivo do controlo do petróleo líbio.
O respetivo parágrafo, ao solicitar aos Estados-membros e à Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança a disponibilidade para a consideração da imposição de uma zona de exclusão aérea (com a justificação demagógica de impedir o regime de atacar a população civil), incentivou e desencadeou a posterior intervenção militar, e a sua cobertura pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, visto que, como todos perceberam, não se poderia impor uma zona de exclusão aérea sem o intermédio de meios militares.
Na verdade, a "zona de exclusão aérea" foi o pretexto para a agressão militar, para os mísseis, a aviação e o bloqueio naval dos EUA, França, Reino Unido, Canadá e da NATO, para o bombardeamento de populações inocentes, o apoio às forças revoltosas, a deposição do regime e a precipitação do país num caos infernal de que nunca mais saíu, de guerra de facções armadas, fundamentalismos religiosos e conflitos tribais, terrorismo e tráficos ilegais, perseguições e generalizada violação dos direitos humanos, repressão dos direitos cívicos e sociais, destruição da economia nacional e vagas massivas de refugiados que, para sobreviver, fogem do país e da guerra, aportando nomeadamente à Europa.
O fatídico parágrafo foi tão polémico que foi previamente votado à parte. A Marisa Matias, tal como os eurodeputados do PCP, votaram contra. Mas a posição foi muito minoritária e o parágrafo não foi retirado da resolução.
A resolução, com a inclusão do parágrafo crucial, foi então submetida a votação final e aprovada com o voto favorável da Marisa Matias, que nem sequer se absteve, e o coerente voto contra dos eurodeputados do PCP.
A resolução final aprovada, com o parágrafo aí disposto para abrir caminho à intervenção militar, contou inequivocamente com o voto favorável (nem sequer a abstenção) da Marisa Matias. Ao contrário do que esta afirmou e reiterou no debate televisivo com Edgar Silva, que tinha razão.

(cf. Resolução RC-B7-0169/2011, de 10/03/2011, § 10:
resultado da votação na p. 6:


Obrigado, amigo

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Observadores estrábicos

Novo Banco. João Galamba ao lado do BE na nacionalização
4/1/2016, 17:31475 PARTILHAS
O vice-presidente da bancada parlamentar do PS põe-se ao lado do Bloco de Esquerda na solução para o Novo Banco, defendendo a sua manutenção na esfera do Estado e defende que há alternativa à venda.
·         Catarina Falcão
João Galamba, deputado e porta-voz do PS, foi rápido a responder à esquerda e põe-se ao lado do Bloco de Esquerda e do PCP, defendendo que o Novo Banco se deve manter sob o controlo do Estado. “A existência de um sistema bancário composto essencialmente por bancos privados criou um problema. Convém evitar que as regras europeias criem novos problemas”, defende o socialista, mostrando-se crítico das atuais diretrizes europeias.
Num artigo de opinião publicado no site do jornal Expresso, João Galamba, responsável nacional do PS pela comunicação, afirma que a “socialização dos custos” na queda de um banco “nunca pode ser totalmente eliminada” porque esta atividade não é possível sem uma “garantia implícita do Estado e dos contribuintes”. Por isso, e contra as normas europeias agora em vigência, Galamba defende, tal como BE e PCP, que bancos como o Novo Banco “devem ser tratados como bancos públicos e vendidos apenas se e quando o Estado os quiser vender”.
Se o Estado for obrigado a vender, então as regras deixarão de ser apenas sobre recuperação e resolução bancária, passando a constituir uma forma inaceitável de penalização da propriedade pública. (…) O Estado pode não ter alternativa a intervir, mas tem de ter alternativa a vender”, escreveu João Galamba.
Na linha deste artigo, também Jorge Costa, dirigente do Bloco de Esquerda, escreve esta segunda-feira no esquerda.net, site oficial do partido, questionando qual é a maioria que o PS vai seguir na resolução do Novo Banco. O dirigente bloquista afirma que se trata de um “projeto político” e que António Costa vai precisar de “instrumentos fortes de banca pública” para condicionarem todo o sistema bancário. “É por isso que o Novo Banco não deve ser vendido”, afirma o bloquista, consubstanciando a exigência da manutenção do Novo Banco na esfera pública, condição apresentada por Catarina Martins para a viabilização do Orçamento Retificativo.

Também o PCP é a favor da manutenção deste banco por parte do Estado, com o Comité Central do partido a insistir no final de dezembro que “a melhor solução para o Novo Banco, que o colocará de facto ao serviço da economia nacional e das famílias portuguesas, é ficar sob controlo público e não ser vendido a um ou mais grupos privados”, segundo noticiou a Lusa.


AH!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Eles sabem e o povo também


A luta pelo controle da informação
«A Lei dos media foi aprovada em 2009 pelo Congresso argentino e estabeleceu uma cadeia de veículos de comunicação comunitários, criou o primeiro canal de TV pública e restringiu a quantidade de licenças de TV a cabo e serviços abertos. A medida obrigou muitas empresas a devolverem o excesso de licenças, e incomodou grandes grupos de mídia, dentre eles o Clarín, que iniciou uma batalha na Justiça para contestar a legislação. Em 2010, a Suprema Corte declarou que a lei é constitucional.»

sábado, 2 de janeiro de 2016

A entrevista - Correia da Fonseca




A entrevista

O jornalista é profissional de larga experiência, repórter que bem se pode dizer das arábias mas também de ucrânias, de grécias e de quaisquer outros lugares onde seja preciso fazer uma leitura ocidental e atlântica dos acontecimentos, jornalista benquisto e apreciado nas duas margens do oceano. Além do mais, estava como que em sua casa naquele canal público agora redecorado e que por vezes parece ter-lhe sido entregue, ou aos seus cuidados, para que ali possa fazer intensa prova pública dos seus méritos, que não são poucos nem subestimáveis.
Não obstante, com tudo isto e o mais que aqui se nos escapa, acontecia que o rosto do jornalista estava todo contraído, encarquilhado numa expressão de aparente incompreensão que tenta ultrapassar-se, da estranheza de quem encara um fenómeno raro e de compreensão difícil. Contudo, diante dele apenas estava um homem a ser entrevistado. Para mais, o entrevistado não oferecia dificuldades especiais, não era daqueles que se entrincheiram por detrás de fórmulas pomposas e confusas: respondia abertamente e com nitidez. Quase se poderia dizer que cumpria a antiga exigência de Mateus: «seja a tua palavra sim sim, não não, tudo o que vier a mais é malícia.» Ainda assim, porém, não parecia que o jornalista estivesse a gostar ou, talvez mais provavelmente, a entender.
É que o entrevistado tinha uma dupla característica, digamos assim, que talvez dificultasse o entendimento: era comunista e durante vários anos havia sido padre, para mais não dando quaisquer sinais de arrependimento por esse seu passado.
Sólidos
Acresce que dizer que o entrevistado era comunista é, na circunstância, dizer pouco: o entrevistado era o candidato à presidência da República que o Partido Comunista Português apoia. Aliás, ouvindo-o era fácil reconhecer essa sua circunstância ou pelo menos a sua inteira compatibilidade com ela. Lá estava a clara denúncia da exploração do homem pelo homem, verdadeiro pecado original da sociedade capitalista em que por enquanto vivemos; lá estavam o sentido da partilha e da fraterna solidariedade que é o objectivo último do projecto comunista; lá estava a indignada denúncia dos fariseus e dos seus crimes, dos vendilhões e da sua ganância, dessa denúncia decorrendo necessariamente a justeza de expulsar tal gente do amplo templo que é a sociedade em que vivemos.
Decerto por tudo isto, o rosto do jornalista, coitado, exibia-se contraído e como que intrigado, talvez incrédulo, porventura curioso. De qualquer modo, ele não estava ali para facilitar a prestação pública de um candidato comunista, não será decerto para isso que lhe pagam, e por isso decidiu confrontar um pouco o entrevistado com o seu passado e, implicitamente, com as suas presumíveis convicções, pretéritas ou actuais. Foi um mau caminho. É que, pelos vistos o jornalista não sabe nem sonha que o comunismo tem valores, princípios e objectivos não apenas compatíveis com a ética de um verdadeiro cristão mas até coincidentes com ela. É que ser cristão não é tanto ser especialmente devoto de uma santa ou de um santo quanto ser fiel à solidariedade com o nosso próximo, isto é, com o nosso camarada.
Na ignorância disto, porque decerto nunca lho ensinaram, estava o jornalista com aquele ar um pouco pasmado. Nem é absurdo supor que estivesse preocupado: o entrevistado estava a sair-se muito bem, quem o ouvisse até poderia votar nele. Tentou então colocar o entrevistado em contradição com uma conhecida síntese marxista parecendo-lhe que por aí conseguiria algum êxito. Aconteceu, porém, que o entrevistado lhe explicou com paciência verdadeiramente evangélica o conteúdo da fórmula utilizada por Marx. Decididamente, aquela não seria uma entrevista feliz para o combativo jornalista. O final do diálogo aconteceu pouco depois e ele lá ficou, talvez a recuperar do desaire. Talvez a aperceber-se concretamente de que os comunistas são sólidos.

Correia da Fonseca

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Contexto




O principal mecanismo da desinformação dos nossos media consiste em obviar o contexto adequado para se compreender uma notícia. Recorrer a um dado ou outro, um facto ou outro a acompanhar uma notícia, leva a que o leitor fique com uma ideia totalmente oposta. E isto escapa a muita gente.
(texto aqui) Pascoal Serrano, in ‘Mundo Obrero’.