As
regras do “novo” jornalismo que abandona a mediação pela “leitura” da rede e a
pretensa “participação” nela, acabam por substituir uma actividade crucial na
democracia por um reforço da demagogia. (José Pacheco Pereira)
domingo, 10 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
Manifesto 74: que nunca se diga que o capital é ingrato
Manifesto 74: que nunca se diga que o capital é ingrato: A campanha presidencial em curso tem sido muito desvalorizada, especialmente, por aqueles a quem convém que fique tudo mais ou menos na m...
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
do blog anónimo séc.xxi (informação)
Esclarecimento sobre questão no debate Edgar-Marisa
Recebemos este mail, que esclarece uma questão delicada, e se reproduz:
«No debate de Marisa Matias com Edgar Silva levantou-se o problema do sentido de voto daquela eurodeputada na resolução que abriu caminho à intervenção na Líbia.
A eurodeputada pôs termo ao diferendo com a recomendação de consulta da acta.
Consultando a acta, afinal, vê-se que «Matias» votou a favor.
No Parlamento Europeu, em março de 2011, foi votada uma resolução imediatamente entendida como o abrir caminho para uma intervenção militar na Líbia (Resolução RC-B7-0169/2011, de 10/03/2011).
Essa resolução, além do seu evidente caráter geral de ingerência, continha um parágrafo decisivo (§ 10), aí incluido para justificar, legitimar e promover a intervenção militar, inseparável, como no Iraque, do objetivo do controlo do petróleo líbio.
O respetivo parágrafo, ao solicitar aos Estados-membros e à Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança a disponibilidade para a consideração da imposição de uma zona de exclusão aérea (com a justificação demagógica de impedir o regime de atacar a população civil), incentivou e desencadeou a posterior intervenção militar, e a sua cobertura pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, visto que, como todos perceberam, não se poderia impor uma zona de exclusão aérea sem o intermédio de meios militares.
Na verdade, a "zona de exclusão aérea" foi o pretexto para a agressão militar, para os mísseis, a aviação e o bloqueio naval dos EUA, França, Reino Unido, Canadá e da NATO, para o bombardeamento de populações inocentes, o apoio às forças revoltosas, a deposição do regime e a precipitação do país num caos infernal de que nunca mais saíu, de guerra de facções armadas, fundamentalismos religiosos e conflitos tribais, terrorismo e tráficos ilegais, perseguições e generalizada violação dos direitos humanos, repressão dos direitos cívicos e sociais, destruição da economia nacional e vagas massivas de refugiados que, para sobreviver, fogem do país e da guerra, aportando nomeadamente à Europa.
O fatídico parágrafo foi tão polémico que foi previamente votado à parte. A Marisa Matias, tal como os eurodeputados do PCP, votaram contra. Mas a posição foi muito minoritária e o parágrafo não foi retirado da resolução.
A resolução, com a inclusão do parágrafo crucial, foi então submetida a votação final e aprovada com o voto favorável da Marisa Matias, que nem sequer se absteve, e o coerente voto contra dos eurodeputados do PCP.
A resolução final aprovada, com o parágrafo aí disposto para abrir caminho à intervenção militar, contou inequivocamente com o voto favorável (nem sequer a abstenção) da Marisa Matias. Ao contrário do que esta afirmou e reiterou no debate televisivo com Edgar Silva, que tinha razão.
(cf. Resolução RC-B7-0169/2011, de 10/03/2011, § 10:
resultado da votação na p. 6:
Obrigado, amigo
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Observadores estrábicos
Novo Banco. João
Galamba ao lado do BE na nacionalização
4/1/2016, 17:31475 PARTILHAS
O
vice-presidente da bancada parlamentar do PS põe-se ao lado do Bloco de
Esquerda na solução para o Novo Banco, defendendo a sua manutenção na esfera do
Estado e defende que há alternativa à venda.
João Galamba,
deputado e porta-voz do PS, foi rápido a responder à esquerda e põe-se ao lado
do Bloco de Esquerda e do PCP, defendendo que o Novo Banco se deve manter sob o
controlo do Estado. “A existência de um sistema bancário composto
essencialmente por bancos privados criou um problema. Convém evitar que as
regras europeias criem novos problemas”, defende o socialista, mostrando-se
crítico das atuais diretrizes europeias.
Num artigo de
opinião publicado no site do jornal Expresso, João Galamba, responsável
nacional do PS pela comunicação, afirma que a “socialização dos custos”
na queda de um banco “nunca pode ser totalmente eliminada” porque esta
atividade não é possível sem uma “garantia implícita do Estado e dos
contribuintes”. Por isso, e contra as normas europeias agora em vigência,
Galamba defende, tal como BE e PCP, que bancos como o Novo Banco “devem ser
tratados como bancos públicos e vendidos apenas se e quando o Estado os quiser
vender”.
Se o Estado for obrigado a vender, então as regras deixarão de ser apenas
sobre recuperação e resolução bancária, passando a constituir uma forma
inaceitável de penalização da propriedade pública. (…) O Estado pode não ter
alternativa a intervir, mas tem de ter alternativa a vender”, escreveu João
Galamba.
Na linha
deste artigo, também Jorge Costa, dirigente do Bloco de Esquerda, escreve esta
segunda-feira no esquerda.net, site oficial do partido, questionando qual é a
maioria que o PS vai seguir na resolução do Novo Banco. O dirigente bloquista
afirma que se trata de um “projeto político” e que António Costa vai precisar
de “instrumentos fortes de banca pública” para condicionarem todo o sistema
bancário. “É por isso que o Novo Banco não deve ser vendido”, afirma o bloquista,
consubstanciando a exigência da manutenção do Novo Banco na esfera pública,
condição apresentada por Catarina Martins para a viabilização do Orçamento
Retificativo.
Também o PCP é a favor da manutenção deste banco por
parte do Estado, com o Comité Central do partido a insistir no final de
dezembro que “a melhor solução para o Novo Banco, que o colocará de facto ao
serviço da economia nacional e das famílias portuguesas, é ficar sob controlo
público e não ser vendido a um ou mais grupos privados”, segundo noticiou a
Lusa.
AH!
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Eles sabem e o povo também
A luta pelo controle da informação
«A
Lei dos media foi aprovada em 2009
pelo Congresso argentino e estabeleceu uma cadeia de veículos de comunicação
comunitários, criou o primeiro canal de TV pública e restringiu a quantidade de
licenças de TV a cabo e serviços abertos. A medida obrigou muitas empresas a
devolverem o excesso de licenças, e incomodou grandes grupos de mídia, dentre
eles o Clarín, que iniciou uma batalha na Justiça para contestar a legislação.
Em 2010, a Suprema Corte declarou que a lei é constitucional.»
sábado, 2 de janeiro de 2016
A entrevista - Correia da Fonseca
A entrevista
O jornalista é profissional de larga
experiência, repórter que bem se pode dizer das arábias mas também de ucrânias,
de grécias e de quaisquer outros lugares onde seja preciso fazer uma leitura
ocidental e atlântica dos acontecimentos, jornalista benquisto e apreciado nas
duas margens do oceano. Além do mais, estava como que em sua casa naquele canal
público agora redecorado e que por vezes parece ter-lhe sido entregue, ou aos
seus cuidados, para que ali possa fazer intensa prova pública dos seus méritos,
que não são poucos nem subestimáveis.
Não obstante, com tudo isto e o mais
que aqui se nos escapa, acontecia que o rosto do jornalista estava todo
contraído, encarquilhado numa expressão de aparente incompreensão que tenta
ultrapassar-se, da estranheza de quem encara um fenómeno raro e de compreensão
difícil. Contudo, diante dele apenas estava um homem a ser entrevistado. Para
mais, o entrevistado não oferecia dificuldades especiais, não era daqueles que
se entrincheiram por detrás de fórmulas pomposas e confusas: respondia
abertamente e com nitidez. Quase se poderia dizer que cumpria a antiga
exigência de Mateus: «seja a tua palavra sim sim, não não, tudo o que vier a
mais é malícia.» Ainda assim, porém, não parecia que o jornalista estivesse a
gostar ou, talvez mais provavelmente, a entender.
É que o entrevistado tinha uma dupla
característica, digamos assim, que talvez dificultasse o entendimento: era
comunista e durante vários anos havia sido padre, para mais não dando quaisquer
sinais de arrependimento por esse seu passado.
Sólidos
Acresce que dizer que o entrevistado
era comunista é, na circunstância, dizer pouco: o entrevistado era o candidato
à presidência da República que o Partido Comunista Português apoia. Aliás,
ouvindo-o era fácil reconhecer essa sua circunstância ou pelo menos a sua
inteira compatibilidade com ela. Lá estava a clara denúncia da exploração do
homem pelo homem, verdadeiro pecado original da sociedade capitalista em que
por enquanto vivemos; lá estavam o sentido da partilha e da fraterna
solidariedade que é o objectivo último do projecto comunista; lá estava a
indignada denúncia dos fariseus e dos seus crimes, dos vendilhões e da sua
ganância, dessa denúncia decorrendo necessariamente a justeza de expulsar tal
gente do amplo templo que é a sociedade em que vivemos.
Decerto por tudo isto, o rosto do
jornalista, coitado, exibia-se contraído e como que intrigado, talvez
incrédulo, porventura curioso. De qualquer modo, ele não estava ali para
facilitar a prestação pública de um candidato comunista, não será decerto para
isso que lhe pagam, e por isso decidiu confrontar um pouco o entrevistado com o
seu passado e, implicitamente, com as suas presumíveis convicções, pretéritas
ou actuais. Foi um mau caminho. É que, pelos vistos o jornalista não sabe nem
sonha que o comunismo tem valores, princípios e objectivos não apenas
compatíveis com a ética de um verdadeiro cristão mas até coincidentes com ela.
É que ser cristão não é tanto ser especialmente devoto de uma santa ou de um
santo quanto ser fiel à solidariedade com o nosso próximo, isto é, com o nosso
camarada.
Na ignorância disto, porque decerto
nunca lho ensinaram, estava o jornalista com aquele ar um pouco pasmado. Nem é
absurdo supor que estivesse preocupado: o entrevistado estava a sair-se muito
bem, quem o ouvisse até poderia votar nele. Tentou então colocar o entrevistado
em contradição com uma conhecida síntese marxista parecendo-lhe que por aí
conseguiria algum êxito. Aconteceu, porém, que o entrevistado lhe explicou com
paciência verdadeiramente evangélica o conteúdo da fórmula utilizada por Marx.
Decididamente, aquela não seria uma entrevista feliz para o combativo
jornalista. O final do diálogo aconteceu pouco depois e ele lá ficou, talvez a
recuperar do desaire. Talvez a aperceber-se concretamente de que os comunistas
são sólidos.
Correia da
Fonseca
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Contexto
O
principal mecanismo da desinformação dos nossos media consiste em obviar o contexto adequado para se compreender
uma notícia. Recorrer a um dado ou outro, um facto ou outro a acompanhar uma
notícia, leva a que o leitor fique com uma ideia totalmente oposta. E isto
escapa a muita gente.
(texto aqui) Pascoal
Serrano, in ‘Mundo Obrero’.
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