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domingo, 20 de dezembro de 2015

Um documento extraordinário do nosso tempo...



Como se fosse um destino
António Guerreiro
18/12/2015

Há dias, não resisti à curiosidade de ouvir a gravação de um plenário da redacção do jornal i, onde um administrador, em vias de se tornar director, apresentou um programa “salvífico” que implica o sacrifício, a retirada e a renúncia voluntária de uma parte considerável dos jornalistas. É um documento extraordinário do nosso tempo: tem uma dose de loucura e outra de crueldade a roçar a perversão.
 Ler no Público (aqui)

sábado, 19 de dezembro de 2015

'jornalistas dispostos a lutarem'


(Rogério Ribeiro)

A coragem de dizer não
17 de Dezembro de 2015
«Nunca foi tão importante para um jornalista em início de carreira ter a coragem de dizer não. Não às listas inúteis, aos gatos e aos anúncios natalícios sentimentais» – alertou o jornalista Fábio Monteiro, prémio Gazeta Revelação 2014, na cerimónia de entrega dos prémios, ontem, em Lisboa.
Não é a primeira vez que o melhor discurso da noite pertence ao vencedor do prémio Revelação. E essa revelação paralela é a garantia de que a indústria jornalística pode estar doente, mas que há novos jornalistas dispostos a lutarem para que o jornalismo não perca os valores que o tornam um pilar fundamental da democracia e da evolução. [leia aqui o discurso na íntegra]
Também o presidente do Clube de Jornalistas, Mário Zambujal, chamou a atenção para «os problemas com que se debate o jornalismo português», o «lado amargo» da profissão, num dia de festa.
«Sucedem-se ondas de despedimentos numa época de acontecimentos históricos, em Portugal, na Europa e no Mundo», lembrou. «Encolhemos e enfraquecemos quando a necessidade da boa informação cresce, para defesa da cidadania e da democracia. NÃO FAZ SENTIDO.»
Os jornalistas despedidos não foram esquecidos por todos os premiados, que, de uma maneira ou outra, manifestaram a sua solidariedade.
Fernando Paulouro Neves, distinguido com o Gazeta de Mérito, sublinhou que «vivemos agora dias que parecem voltar a ter eco no poema de Alexandre O’Neill sobre a sociedade portuguesa, quando os seus versos diziam “o medo toma tudo”. Aí o temos de novo, com pezinhos de lã ou nem tanto: o medo de pensar em voz alta (nas redacções também, não vá o diabo tecê-las…), o medo da precariedade do emprego e da pobreza, o medo de existir, como escreveu José Gil.»
O ministro da Cultura, João Soares, que presidiu à cerimónia, assegurou que o governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para preservar a liberdade de imprensa e travar a destruição de postos de trabalho.
O presidente da Caixa Geral de Depósitos chamou a atenção para a importância do sector bancário, hoje sob fogo cerrado, e fez um apelo aos jornalistas para informarem com precisão e rigor sobre as instituições bancárias.

Uma linguagem perversa e embrutecedora a que é preciso resistir
17 de December de 2015

Os manuais de jornalismo já não servem para nada,
empacotem a deontologia.
Nasceu uma novilíngua noticiosa em Portugal.
É preciso desenrascar, é preciso fazer o que se pode.
Giras, leves, curtas e, como não podiam deixar de ser, sexys. Estes são alguns dos adjetivos utilizados hoje para descrever o que é uma boa notícia, dentro de muitas, para não dizer todas, as redações. A reportagem é falada como uma espécie em vias de extinção: os outros fazem, os outros podem, alguém copia, ninguém lê.
Nada disto é por acaso.
Esta linguagem neoliberal, perversa, embrutece qualquer país.
Quando o mérito é medido com base no números de cliques por peça, a plastificação das notícias é só o primeiro passo. Aos jornalistas, pede-se humildade, dedicação.
É difícil não aderir ao porreirismo, modo inato de sobrevivência português. Questionar é pecado, por em causa é um ato de presunção.
Não, não, não. Nunca foi tão importante para um jornalista em início de carreira ter a coragem de dizer não. Não às listas inúteis, aos gatos e aos anúncios natalícios sentimentais.
Não a mediocrizar esta profissão.
A precariedade assusta, mete medo. O desemprego ganha contornos de fobia. Estarei a ser dramático? Vim hoje aqui receber um prémio, que muito agradeço, cujo último vencedor que conseguiu ficar a trabalhar a tempo inteiro, em Portugal, foi o de 2008.
Desculpem-me por não partilhar o otimismo do Garcia Marquez sobre o jornalismo ser a melhor profissão do mundo.
Muito pelo contrário: acho que o jornalismo é uma das profissões mais perigosas, e não só pelas razões óbvias.
Deixamos de ser o Fábio, o Pedro, a Catarina, para ser o/a Jornalista. É esta a identidade que por vezes morre, quando se é despedido.
O desespero de não poder continuar a escrever, filmar ou fotografar, é gigante. E pode levar a situações limite, como bem sabemos.
É por isso que muitos fazem cedências, que passam a encarar os seus postos de trabalho como um privilégio, em vez de um direito. Principalmente os jovens, como eu. A utopia do grande jornalismo foi deixada para os idealistas, cuja sanidade mental é sempre posta em causa, por aqueles que se adaptam.
É imperativo ter a coragem de dizer não. Essa é a minha única esperança. Porque há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não. Os que resistem, os que dizem não, os que estão aqui presentes, esses são os jornalistas.
Fábio Monteiro
16 dezembro 2015

Na cerimónia de entrega dos Prémios Gazeta 2014

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Estratégias de governos e do Pentágono



CURADORIA DE NOTÍCIAS
Estratégias de governos e do Pentágono
Aumenta a pressão internacional sobre a mídia independente
02/12/2015 na edição 879

Duas importantes tendências no exercício do jornalismo em diversas partes do mundo foram identificadas e detalhadas por organizações de direitos civis nos Estados Unidos e publicadas em sites como a rede Global Investigative Journalism Network e o Journal of Democracy.
As duas tendências são o aumento das pressões de governos sobre organizações da sociedade civil e o uso pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos de órgãos da imprensa em países afetados pelo terrorismos em estratégias publicitárias contra entidades como o Estado Islâmico e a al Qaida.
Segundo a Global Investigative Journalism Network, entre 2004 e 2010 mais de 50 países, especialmente na África e Ásia endureceram as restrições impostas a organizações não governamentais (ONGs) como controle de doações vindas do exterior. As ONGs preocupadas com direitos humanos e liberdade de informação e expressão foram as mais duramente atingidas.
Estas limitações coincidiram com a tendência identificada por Douglas Rutzen, num artigo onde ele analisa a relação entre as estratégias publicitárias do Pentágono e o aumento dos subsídios a emissoras de rádio, jornais locais e sites na internet em países como Síria, Iraque, Etiópia, Irã, Líbano, Afeganistão, Paquistão e emiratos, contrários ao Estado Islâmico. O artigo “Authoritarianism Goes Global (II): Civil Society Under Assault”, publicado pelo Journal of Democracy, destaca o caso da Etiópia, que passou a controlar severamente todas as iniciativas de imprensa independente , inviabilizando a cobertura jornalística das atividades dos serviços secretos norte-ameircano neste pais africano.
Publicamos a seguir extratos (em inglês) do informe “The Pentagon, Propaganda and the Independent Media”, publicado pelo Global Investigative Journalim Nertwork:
The U.S. Defense Department has long had an uneasy relationship with independent media. On the one hand, it needs the trusted voice of media to portray U.S. military activities in a positive light, both to maintain the support of citizens at home and to help fight its battles abroad. And to the extent that U.S. military intervention serves as a lever to encourage and create democracies, the support of free and independent media in those countries should be part of the plan. On the other hand, an unfettered media may be critical of the U.S. military and its allies, making its operations more difficult, losing it support at home or overseas, and even giving comfort to the enemy.
Such tensions came into sharp focus during the heat of the U.S. military’s participation in the wars in Iraq and Afghanistan when the U.S. military felt the need to use media to shape the battlefield. While the U.S. State Department and USAID, as well as European governments and NGOs, were working to create free and independent media outlets in these countries, the U.S. military’s information operations at times were at odds with their efforts.
Concern mounts over “an increasing shift away from supporting genuinely independent media towards what might be termed counter-propaganda”
A report issued by the Center for International Media Assistance in 2010, The Pentagon, Information Operations, and International Media Development, covered in great detail information operations activities of the Department of Defense (DoD) that caused tensions and difficulties for independent media and its developers. The activities included creating “good news” stories under fictitious bylines and placing them in media in Iraq; paying handsome sums to fledgling radio stations in Afghanistan to run military messaging, in some cases eroding their credibility; creating eight news and information websites targeting global conflict regions, an action thought by some to have veered way too far into the realm of public diplomacy, the province of the State Department or the Broadcasting Board of Governors. These and other activities occurred while—and perhaps because—the information operations apparatus at DoD was becoming an octopus with tentacles in a dozen agencies, with no one person in charge, and a budget that was nearly impossible to track and parse.
O texto integral do informe “The Pentagon, Propaganda and the Independent Media, pode ser acessado aqui.
O texto integral do artigo “Authoritarianism Goes Global (II): Civil Society Under Assault” está disponível aqui.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Para garrotar a verdade


Prioridade do governo de extrema-direita:

Concentração em Buenos Aires na emblemática “Plaza de Mayo” pela defesa da “Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual”, denominada também como a “Lei dos Mídia”.

Ainda mal se ajeitou na poltrona do Poder, a direita revanchista coloca de imediato na mira o controlo da informação.

Os mídia são o porta-estandarte do poder
e (aqui)