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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Os dez candidatos


Há candidatos e candidatos, a comunicação social que o diga! Mas diga-se também que não é com a ajuda dela que eu vou lá!... É demasiado evidente a sua dependência e o seu propósito de ocultar informação! Se assim não fosse não passaria o tempo a tentar justificar a sua independência e a sua missão de informar.

Sei que são dez, já não é mau saber o número! Por direito, deveriam todos ter direito a igual consideração. Não é o caso no que toca a informação disponível, pelo que estou muito confuso.
No entanto, tirando uma daqui e outra dali, já sei quem são os dez.

Gosto da gravata e do mediatismo do  Paulo Morais.
Aprecio a pureza e os ideais do Edgar da Silva.
Dá-me gozo ver um tipo empreendedor e com a dureza do Henrique Neto.
Sinto prazer e afeto ao olhar para a Marisa Matias e para a sua sinceridade.
Emociona-me a lata, a laca e a fragilidade da Maria de Belém.
Admiro gente académica e que veste bem como o Sampaio da Nóvoa.
Fico contente por conhecer desconhecidos como o Jorge Cerqueira.
Entusiasma-me o sonho e a autenticidade do Tino de Rans.
Fico perplexo com as motivações do Cândido Ferreira.
Mas do que gosto mesmo,
que aprecio,
que me dá gozo e prazer,
que me emociona,
que admiro e me põe contente, 
que me entusiasma e me deixa perplexo,
é a humildade e a independência do Professor Doutor Marcelo!
Há tanto tempo que conheço o homem e nunca me tinha apercebido dessas suas qualidades!
Afinal a cobertura mediática das campanhas ainda serve para alguma coisa!

E só não voto nele, porque não estou convencido que alguém verdadeiramente humilde e independente alguma vez se lembre de se candidatar a Presidente do Reino!


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A falta do ponto e vírgula vermelho


Esta é a foto-montagem de fundo de um dos muitos balanços que a comunicação social faz do ano de 2015.  É a que vem, hoje, no sapo-on line, de origem na renascença e atrás do título 2015. O ANO DAS VÍRGULAS COR DE ROSA.
Tem António Costa como centro (está certo!), Sócrates em baixo (mas a estrebuchar...), ladeado por duas figuras do espectáculo desportivo, o incontornável (!) Jorge Jesus e um guarda-redes que terá defendido um penalti. Na fileira de cima tem-se, a sair pela esquerda alta do espectador (não deveria ser pela direita baixa?), Cavaco Silva, Catarina Martins em alto relevo, Paulo Portas e Passos Coelho encabulados (e teriam bastos motivos se tivessem vergonha... então depois do episódio Banif!) e Mariana Mortágua a espreitar.
É uma amostra das evidências personalizadas do ano. Ao friso, acrescentar-se-ia, justamente, Maria Luís e Carlos Costa.
Mas, falando sério, não é escandalosa a ausência de uma referência, neste friso, de um personagem qualquer identificável com o PCP (Jerónimo, João Oliveira, Miguel Tiago, Edgar Silva)?, não será esta mais uma gritante prova da intenção de o apagar do leque das referências, da manipulação ideológica da/pela comunicação social?!  

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

“A Intoxicação Linguística” - Vicente Romano


A Intoxicação Linguística”[DERIVA] de Vicente Romano (pág. 11 do Primeiro Capítulo).


«Numa entrevista concedida no Outono de 1952 ao New York Times, Albert Einstein explicava por que não podia ser criadora de ciência a pessoa carente de visão do mundo e de consciência histórica. Não basta ensinar uma especialidade, afirmava. Dessa forma até se pode ser uma máquina proveitosa, mas nunca uma pessoa valiosa. O que importa é perceber aquilo a que vale a pena aspirar. De outra forma, com todo o conhecimento especializado, fica-se mais parecido com um cão treinado do que com uma personalidade harmonicamente dotada.
O cientista tem de conhecer as motivações dos seres humanos, aprender a conhecer as suas aspirações e as suas dores, adquirir uma atitude correcta diante do próximo e da comunidade. (Albrecht, 1979:9)
Estas preciosas qualidades adquirem-se no contacto entre as pessoas e não apenas nos livros de texto e através da especialização precoce. Isto é o que constitui, essencialmente, a cultura.
Entre os traços fundamentais de uma educação conta-se o desenvolvimento de uma consciência crítica nos jovens, um pensamento que conduza a uma vontade democrática. Perante isto, caberia questionar: a) se a crescente especialização implica o distanciamento dos cientistas e especialistas relativamente à filosofia; b) que contributo dão hoje os cientistas para o desenvolvimento de uma imagem efectivamente cientifica do mundo. (5)
Quanto melhor se entenda a relação entre cosmovisão, pensamento e conhecimento, tanto mais se facilitará a compreensão do devir histórico desta relação. “Mas o pensamento teórico” – apontava Engels na Dialéctica da Natureza – “não é uma qualidade inata, segundo a disposição. É preciso desenvolver, educar essa disposição e para tal educação não existe até hoje melhor recurso do que o estudo da filosofia. O pensamento teórico de cada época, e também o da nossa, é um produto histórico que adopta formas e conteúdos muito diferentes em tempos diferentes. A ciência do pensamento é, pois, como qualquer outra, uma ciência histórica, a ciência do desenvolvimento do pensamento humano”.
A linguagem, como terrorismo, dirige-se aos civis e gera medo, exerce violência simbólica ou psicológica. Produz efeitos que vão para além do significado. As palavras são como doses minúsculas de veneno que podemos engolir sem nos darmos conta. À primeira vista não parecem provocar efeito, mas ao fim de um tempo acaba por manifestar-se a reacção tóxica. “O homem é tão propenso ao efeito hipnótico dos lemas como às doenças contagiosas”, dizia Köestler. A mais letal das armas é a linguagem. Sem palavras não há guerra.»


(5) A recente (2007) disposição governamental – de um Executivo auto-denominado socialista – que suprime a específica de Filosofia no final dos estudos pré-universitários em Portugal dir-nos-á muito sobre este crucial ponto sublinhado por Vicente Romano (NT).


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Lá como cá

«A mídia não reconhece quando 20 mil trabalhadores e trabalhadoras do campo vão às ruas em uma postura ativa cobrar seus direitos, lutar por mais políticas públicas. Prefere sempre se deixar pautar pela estiagem, procurando cenas de gado morto e chão rachado, figuras que sempre encontram espaço privilegiado nos noticiários regionais e nacionais. Em algumas regiões do semiárido brasileiro, 2015 já se encerra como o quinto ano consecutivo de seca. Porém não foi registrada nenhuma morte em consequência da estiagem, nenhum saque e o êxodo rural não cresceu. A vida do povo do semiárido melhorou. Mas isso não é pauta na mídia comercial.

A comunicação no Brasil e no semiárido continua concentrada nas mãos de poucos grupos econômicos que ditam as pautas. Aqueles que não pertencem aos grupos hegemônicos não têm direito à voz, não expressam seus pensamentos, têm direito apenas de ouvir e ver.»

domingo, 20 de dezembro de 2015

Um documento extraordinário do nosso tempo...



Como se fosse um destino
António Guerreiro
18/12/2015

Há dias, não resisti à curiosidade de ouvir a gravação de um plenário da redacção do jornal i, onde um administrador, em vias de se tornar director, apresentou um programa “salvífico” que implica o sacrifício, a retirada e a renúncia voluntária de uma parte considerável dos jornalistas. É um documento extraordinário do nosso tempo: tem uma dose de loucura e outra de crueldade a roçar a perversão.
 Ler no Público (aqui)

sábado, 19 de dezembro de 2015

'jornalistas dispostos a lutarem'


(Rogério Ribeiro)

A coragem de dizer não
17 de Dezembro de 2015
«Nunca foi tão importante para um jornalista em início de carreira ter a coragem de dizer não. Não às listas inúteis, aos gatos e aos anúncios natalícios sentimentais» – alertou o jornalista Fábio Monteiro, prémio Gazeta Revelação 2014, na cerimónia de entrega dos prémios, ontem, em Lisboa.
Não é a primeira vez que o melhor discurso da noite pertence ao vencedor do prémio Revelação. E essa revelação paralela é a garantia de que a indústria jornalística pode estar doente, mas que há novos jornalistas dispostos a lutarem para que o jornalismo não perca os valores que o tornam um pilar fundamental da democracia e da evolução. [leia aqui o discurso na íntegra]
Também o presidente do Clube de Jornalistas, Mário Zambujal, chamou a atenção para «os problemas com que se debate o jornalismo português», o «lado amargo» da profissão, num dia de festa.
«Sucedem-se ondas de despedimentos numa época de acontecimentos históricos, em Portugal, na Europa e no Mundo», lembrou. «Encolhemos e enfraquecemos quando a necessidade da boa informação cresce, para defesa da cidadania e da democracia. NÃO FAZ SENTIDO.»
Os jornalistas despedidos não foram esquecidos por todos os premiados, que, de uma maneira ou outra, manifestaram a sua solidariedade.
Fernando Paulouro Neves, distinguido com o Gazeta de Mérito, sublinhou que «vivemos agora dias que parecem voltar a ter eco no poema de Alexandre O’Neill sobre a sociedade portuguesa, quando os seus versos diziam “o medo toma tudo”. Aí o temos de novo, com pezinhos de lã ou nem tanto: o medo de pensar em voz alta (nas redacções também, não vá o diabo tecê-las…), o medo da precariedade do emprego e da pobreza, o medo de existir, como escreveu José Gil.»
O ministro da Cultura, João Soares, que presidiu à cerimónia, assegurou que o governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para preservar a liberdade de imprensa e travar a destruição de postos de trabalho.
O presidente da Caixa Geral de Depósitos chamou a atenção para a importância do sector bancário, hoje sob fogo cerrado, e fez um apelo aos jornalistas para informarem com precisão e rigor sobre as instituições bancárias.

Uma linguagem perversa e embrutecedora a que é preciso resistir
17 de December de 2015

Os manuais de jornalismo já não servem para nada,
empacotem a deontologia.
Nasceu uma novilíngua noticiosa em Portugal.
É preciso desenrascar, é preciso fazer o que se pode.
Giras, leves, curtas e, como não podiam deixar de ser, sexys. Estes são alguns dos adjetivos utilizados hoje para descrever o que é uma boa notícia, dentro de muitas, para não dizer todas, as redações. A reportagem é falada como uma espécie em vias de extinção: os outros fazem, os outros podem, alguém copia, ninguém lê.
Nada disto é por acaso.
Esta linguagem neoliberal, perversa, embrutece qualquer país.
Quando o mérito é medido com base no números de cliques por peça, a plastificação das notícias é só o primeiro passo. Aos jornalistas, pede-se humildade, dedicação.
É difícil não aderir ao porreirismo, modo inato de sobrevivência português. Questionar é pecado, por em causa é um ato de presunção.
Não, não, não. Nunca foi tão importante para um jornalista em início de carreira ter a coragem de dizer não. Não às listas inúteis, aos gatos e aos anúncios natalícios sentimentais.
Não a mediocrizar esta profissão.
A precariedade assusta, mete medo. O desemprego ganha contornos de fobia. Estarei a ser dramático? Vim hoje aqui receber um prémio, que muito agradeço, cujo último vencedor que conseguiu ficar a trabalhar a tempo inteiro, em Portugal, foi o de 2008.
Desculpem-me por não partilhar o otimismo do Garcia Marquez sobre o jornalismo ser a melhor profissão do mundo.
Muito pelo contrário: acho que o jornalismo é uma das profissões mais perigosas, e não só pelas razões óbvias.
Deixamos de ser o Fábio, o Pedro, a Catarina, para ser o/a Jornalista. É esta a identidade que por vezes morre, quando se é despedido.
O desespero de não poder continuar a escrever, filmar ou fotografar, é gigante. E pode levar a situações limite, como bem sabemos.
É por isso que muitos fazem cedências, que passam a encarar os seus postos de trabalho como um privilégio, em vez de um direito. Principalmente os jovens, como eu. A utopia do grande jornalismo foi deixada para os idealistas, cuja sanidade mental é sempre posta em causa, por aqueles que se adaptam.
É imperativo ter a coragem de dizer não. Essa é a minha única esperança. Porque há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não. Os que resistem, os que dizem não, os que estão aqui presentes, esses são os jornalistas.
Fábio Monteiro
16 dezembro 2015

Na cerimónia de entrega dos Prémios Gazeta 2014