da página facebook "truques da imprensa portuguesa"
sábado, 5 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
O que fica da notícia
O discurso a imagem
e o
"Terrorismo doméstico”
«Um homem de nacionalidade americana e uma mulher até
este momento de nacionalidade desconhecida são os autores do massacre que deixou
14 mortos e 17 feridos num centro de assistência para pessoas com necessidades
especiais.»
«O porta-voz do FBI disse que
ainda não se sabe se este foi um ataque terrorista mas acredita que se trata de
um "terrorismo doméstico".»
A notícia fez manchete nos mídia em todo o mundo, o
discurso diluiu-se no caudal da verborreia a que nos sujeitam, mas só a imagem associada
ao “terrorismo islâmico” ficou retida.
O “terrorismo doméstico” a que o FBI se refere já
causou este ano milhares de vítimas e é fruto de uma sociedade doente onde cada
lar é um fortim bem provido de armas.
Ver
e pensar
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
O Expresso é assim
Os truques da imprensa portuguesa é uma página no Facebook que, tal como o próprio nome indica, se dedica a desmontar e expor as mais variadas artimanhas que nos vão sendo servidas pela nossa comunicação social. Numa das suas mais recentes publicações, esta página faz referência a uma notícia publicada no Expresso a poucos dias das Legislativas, que vinha dar força ao embuste pré-eleitoral da “devolução” da sobretaxa, na qual era afirmado que, apesar da projecção governamental de uma “devolução” na casa 35% do valor da sobretaxa em 2015, as contas do Expresso iam mais longe e referiam que essa devolução se situaria entre os 60% e os 100%.
Algumas semanas depois, um dos autores da referida notícia, João Silvestre, assina uma nova peça onde se pode ler
Pois, ao contrário do que o Governo andou a prometer e daquilo que levavam a crer as contas de João Silvestre e do Expresso, e que ainda devem ter valido uns quantos votos extra à coligação PSD/CDS-PP. Felizmente não os suficientes para termos que os aturar por mais 4 anos.
do blogue Aventar
domingo, 29 de novembro de 2015
PARA NOS DEFENDERMOS DA AGRESSÃO MEDIÁTICA
A VIOLAÇÃO
DAS MASSAS PELA PROPAGANDA POLÍTICA
(Le viol des foules par la
propagande politique)
Serguei Tchakhotine
Este livro tem uma história bastante
movimentada. Já a sua primeira edição, em 1939, na França, dois meses antes da
guerra, não se fez sem incidentes. Depois de todas as correções, o autor
recebeu as últimas provas – para autorizar a impressão – sem que viessem
acompanhadas das anteriormente corrigidas. Para sua grande surpresa, verificou
que o livro, nesse meio tempo, tinha sido censurado (na França! onde a censura
não existe): todas as passagens desagradáveis a Hitler e Mussolini estavam
suprimidas (e isso dois meses antes da guerra), da mesma forma que a
dedicatória, assim redigida: “Dedico este livro ao gênio da França, por ocasião
do 15O° aniversário de sua Grande Revolução.” Soube-se, em seguida, que a
censura havia sido feita pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, então o Sr.
Georges Bonnet, no que concerne à dedicatória. O Ministro dos Negócios
Estrangeiros da Terceira República achou que “estava fora de moda”! E isso no
ano em que o mundo inteiro festejava esse aniversário!
Mediante protesto do autor que,
firmado na lei francesa, reagiu, as frases e as idéias suprimidas foram
recolocadas e o livro apareceu na forma original. Dois meses depois de sua
aparição, quando a guerra já estava declarada, a polícia de Paris apreendeu-o
nas livrarias. Finalmente, em 1940, tendo os alemães ocupado Paris,
confiscaram-no e o destruíram.
Nesse ínterim edições inglesas
(entre outras, uma popular feita pela seção editorial do Partido Trabalhista),
americanas e canadenses, difundiram as idéias enunciadas e, depois da guerra,
uma nova tiragem francesa se impôs. Aparece esta edição, totalmente revista e
ampliada, uma vez que a ciência da psicologia objetiva, base deste livro, havia
acumulado um grande número de novos fatos de primeira importância e os
acontecimentos políticos tinham mudado consideravelmente a face do mundo. O
autor acreditou útil ilustrar esta nova edição com uma vasta bibliografia, com
gráficos, que facilitam a compreensão dos fatos e das leis científicas
enunciadas.
Poder-se-ia talvez reprovar o autor,
por não se ter limitado a expor as idéias e as demonstrações científicas
essenciais do principio da “violação psíquica das multidões”, bem como por se
haver arriscado a fazer referência à atualidade política do momento histórico
em que vivemos e, até mesmo, por tomar posição (um crítico, aliás benevolente,
acusou-o de ser “sistemático”). Justificando-se, o autor desejaria dizer que,
na sua opinião, a melhor demonstração da justeza das idéias enunciadas, que
transforma a “hipótese” em “teoria”, é precisamente a possibilidade de fornecer
provas extraídas do passado (nesse caso, por exemplo, a história da luta de
1932, na Alemanha) e esboços do futuro, corroborando essas idéias, seguindo
logicamente a aplicação das leis enunciadas, nas realizações pressupostas,
pode-se verificar o valor das primeiras.
Por outro lado, a análise da
existência atualmente, por meio das novas normas, dá a impressão da “tomada ao
vivo” da realidade concreta. Ademais, parece-nos que, fazendo uma crítica
puramente abstrata, teórica, abandonamos o leitor a meio caminho, insatisfeito,
pensativo. A crítica deve vir sempre acompanhada de propostas de soluções
práticas, para ser construtiva. Enfim, cada ato humano deve ter, em nosso
entender, um elemento social, um incitamento à ação, dirigido a outrem – se
quisermos – um pouco de psicologia, que promova, que crie o élan otimista,
fonte de progresso.
Ah!, o mundo está dividido hoje em
dois campos hostis, que têm mútua desconfiança, que se preparam para se arrojar
um sobre o outro e transformar esta terra maravilhosa que viu a aventura humana
e onde tantos milagres do pensamento, da arte, da bondade se realizaram em um
braseiro que só deixará ruínas fumegantes...
Ah!, tudo se polariza hoje em uma ou
outra direção. Este livro procura ser objetivo, imparcial, e denunciar aos dois
campos os fatos sem circunlóquios, perseguindo dois únicos objetivos: a verdade
científica e a felicidade de todo o gênero humano. Pode-se, deve-se alcançar
isso!
O autor sente-se feliz em agradecer
cordialmente aos seus amigos M. Ch. Abdullah, M. St. Jean Vitus, que o ajudaram
a rever o manuscrito, no que respeita à redação em língua francesa.
Serguei Tchakhotine
Doutor em Ciências
Professor Universitário.
Paris, 1° de setembro de 1952.
Serguei Tchakhotine
Doutor em Ciências
Professor Universitário.
Paris, 1° de setembro de 1952.
Extrato:
«É
o roteiro a seguir. Ao lado dessa ideia, uma outra, a da Paz, assume igual
importância: é preciso dizer ao homem desde a infância que a guerra é
abominável, que é um crime. Enfim, é preciso propagar, criar o mito da
Liberdade, ideia sublime da Revolução Francesa, cujas centelhas iluminaram, a
uma distância de mais de cem anos, a grande flama libertadora da Revolução
Russa e da Revolução Chinesa, que abalaram todo o hemisfério Leste, acordando a
maior parte das massas humanas do mundo, deixando-as seguir por um novo
caminho, associando-as ao progresso da cultura. Pois, os benefícios da cultura
são e devem ser o apanágio de todos os povos e de todos os homens, sem qualquer
distinção. Que certas classes sociais e certos povos se arroguem o direito de
monopolizá-los em seu proveito, abandonando os demais a um estado de
inferioridade e de carência, não é razão para estes negarem a cultura, desejar
aboli-la, “quebrar as máquinas”.»
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
Data funesta
25 DE NOVEMBRO
por César Príncipe
O golpe iniciou-se em Novembro, dia 25. Prolongou-se pela
madrugada de 26. Corria o Ano da Desgraça de 1967. Oliveira Salazar presidia ao
Governo. Américo Tomás presidia à República. Santos Júnior era ministro do
Interior. Deus, ao que se presumia e alardeava, tinha Portugal sob custódia há
oito séculos. Fátima acabava de ser visitada, no 13 de Maio, pelo papa Paulo VI
que (pelo sim, pelo não) evitou escalar Lisboa. Temeu maus encontros. Diz-se
que não quis comprometer-se com o regime do Império e de Deus, Pátria, Família. E certamente teria os seus presságios quanto
a trombas humanas e pluviométricas. No tocante ao resto, ao que se
propagandeava, imperava a Ordem e a Tranquilidade. Vivíamos em paz. De facto, só estávamos em guerra policial contra a
população civil desde 1926. Na realidade, só estávamos em guerra militar contra
os movimentos armados de libertação desde 1961.
Os acontecimentos do 25 de Novembro levaram o estado de
calamidade a parte da capital e da região envolvente. Tudo começou com medonhos
trovões, fortes rajadas, chuvas diluvianas. Os céus desabaram. As águas
ocuparam ruas e casas, berços e campas. O saldo foi pavoroso. As autoridades
reconheceram a custo e a conta-gotas a existência de 462 mortos. No entanto, as
estatísticas revelar-se-iam mais pesadas. A história regista outros números:
cerca de 700 vítimas mortais e mais de 1000 desalojados. A Censura afadigava-se
para manter a verdade nos varais. Emanava ordens patéticas e categóricas para
os órgãos de comunicação. Por exemplo, para a Rádio Clube Português: A partir de agora não morreu mais ninguém.
Por exemplo, para o Jornal de Notícias: Urnas
e coisas semelhantes: não adianta nada e é chocante. Não falar do mau cheiro
dos cadáveres (nem) das actividades
beneméritas dos estudantes. É altura de acabar com isso. É altura de pôr os
títulos mais pequenos. Somente o clandestino Avante! (Dezembro de 1967) não
acatava directivas da Censura: As
inundações não teriam originado semelhante tragédia se o governo se tivesse
preocupado em resolver da habitação para os trabalhadores, se tivesse cuidado
da regulamentação dos rios e da defesa das populações ribeirinhas, se tivesse
tomado as medidas de emergência que as circunstâncias impunham (...) porque não foram destruídos pelas chuvas
diluvianas os bairros residenciais de Lisboa, mas sim os bairros de Urmeira,
Olival Basto, Pombais...Quinta do Silvade, Odivelas (…) os bairros arrasados encontravam-se em zonas
baixas, circundadas de colinas, facilmente inundáveis, construídos de tábuas e
lata (…) desde há muito que se clama
contra o assoreamento dos rios, contra a falta de diques. Desde há muito que se
protesta contra os fenómenos de erosão…Nem a mais pequena verba para a
regularização das águas do Tejo (…)
E afinal qual a justificação final e oficial para a
catástrofe? Ei-la (e não pasmem!), pois continua revista e actualizada: nada tinha a ver com condições sociais,
urbanizações precárias ou ilegais, assoreamentos, ribeiras encanadas,
colectores bloqueados, deficiências de socorro. Insignes figuras políticas e
religiosas remeteram as responsabilidades para a esfera divina. E sabe-se: a cólera dos deuses é milenar. De resto,
na linha do jesuíta Gabriel Malagrida que debitou o terramoto de 1 de Novembro
de 1755 na conta-corrente dos pecados do marquês de Pombal e dos seus sequazes.
Ao fim e ao cabo, também na linha de Calvão da Silva, ministro da Administração
Interna, sucessor de Santos Júnior, que a respeito das inundações da Albufeira
(2015) logo detectou a mão das forças
demoníacas, aceitando como item da teologia pragmática a insensibilidade do
Criador: Deus nem sempre é amigo. No
afã desculpacionista, apenas cometeu um deslize de angariador de apólices:
aconselhou os portugueses a confiar mais nas Companhias de Seguros do que no
Omnipotente e Misericordioso. Demonstrou, contudo - vá lá - visionária
compaixão ao referir-me ao morto de Boliqueime: Entregou-se a Deus. No fundo, CS, apesar de tantas sanhas e
indiferenças das potestades, andou com sorte: apenas foi rejeitado, com o
demais lote governamental, pela Assembleia da República. E idêntico e benévolo
despacho mereceu SJ, o ministro das cheias de 1967, o ministro da brutal
repressão das manifestações estudantis e operárias de 1962, o ministro da PIDE
(1961-1969), a que assassinou o general Humberto Delgado, obviamente com a sua
chancela, em 1965. SJ foi dispensado pelo marcelismo. Sinais dos tempos: evolução na continuidade. O Júnior deu
lugar ao Rapazote. Pior destino teve Malagrida, alvo de auto-de-fé: (…) que com baraço e pregão seja levado pelas
ruas públicas desta cidade à Praça do Rossio e que nela morra morte natural de
garrote, e que depois de morto seja seu corpo queimado e reduzido a pó e cinza,
para que dele e sua sepultura não haja memória alguma.
Novembro, 25.
Data funesta.
domingo, 22 de novembro de 2015
"informação" manipuladora
Este é um exemplo esclarecedor (para quem se quiser esclarecido...) de uma comunicação social matreira, desinformativa ao confundir informação com opinião ou presunção (nalguns casos com água benta...), manipuladora, não só para manter a expectativa do passante que apenas espreita os escaparates dos quiosques e, quiçá, criar reacções primárias ao primário sujeito que ocupa o lugar de Presidência da República.
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