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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O que os media escondem



"Em 100 anos, nunca vi um partido comunista no poder que governasse com eleições livres, com partidos políticos, com liberdade de expressão, sem exilados, sem presos políticos."
António Barreto, em entrevista à RTP 3, 21.10.2015

O contexto

António Barreto argumenta, neste trecho, que nunca, no último século, um partido comunista chegou ao poder através de eleições democráticas ou, tendo-o feito, que dessa ascensão ao poder não tenha resultado uma limitação da democracia. Barreto, sociólogo, ex-presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, enumera as características de uma democracia (eleições, partidos políticos, liberdade de expressão) e as limitações às liberdades que resultariam da presença no Governo de forças comunistas (exilados, presos políticos). Barreto pensava, possivelmente, nas características dos Governos comunistas que, no século XX, instauraram regimes que limitaram determinadas liberdades individuais e de organização política no Leste da Europa, na então URSS (Rússia e restantes países da Ásia Central) e na China. António Barreto, ele próprio, foi exilado na Suiça e não consta que fosse vítima de algum partido comunista no poder em Portugal. Mas o ex-comunista António e o ex-socialista Barreto gosta de participar em campanhas de conveniência. E ou é doutorado em ignorância ou mentiroso compulsivo. Então, há 100 anos? Contra essa professoral afirmação há outras evidências. Vejamos algumas, de uma lista não exaustiva, e começando pelas mais recentes.

Os factos que ao media não divulgam

No regime presidencialista do Chipre, um dos membros da União Europeia (por si só uma caução de valores democráticos), o AKEL, Partido Comunista do Chipre, venceu as eleições presidenciais de 2008, fazendo de Dimitris Christofias o Presidente do país até 2013, com assento no Conselho Europeu e tendo mesmo assumido, na segunda metade de 2012, a presidência rotativa da UE.
Mas não é caso único na União Europeia. O Partido Comunista de França esteve várias vezes no Governo. A última das quais entre 1997 e 2002, indicando dois ministros no Executivo liderado pelo socialista Lionel Jospin, durante a presidência do conservador Jacques Chirac. Já o fizera em governos de François Mitterrand (81-86). E mais atrás, mas dentro dos “100 anos” que Barreto aponta: 1936, 1945 e 1946, dando início aliás ao conceito de “frente popular” aplicado às alianças entre socialistas e comunistas. O mesmo se passou em Espanha, onde uma coligação deste tipo governou até à vitória das forças de Francisco Franco na Guerra Civil em 1939, há 76 anos.
Voltando ao passado muito recente, e à União Europeia, o Partido Comunista da Dinamarca integra agora a “Aliança Verde Vermelha” que apoiou o primeiro Governo da social-democrata dinamarquesa Helle Thorning-Schmidt entre 2011 e 2014.  E este não é o último exemplo na União Europeia… Até na Grécia, onde os comunistas são refractários a entendimentos mesmo com a esquerda radical (Syriza), há uma experiência governativa que os incluiu, em 1989.
Na Áustria, no Luxemburgo e na Finlândia os partidos comunistas chegaram ao Governo logo após a II Guerra Mundial, através de eleições. Em Helsínquia, o comunista Mauno Pekkala  (1946-48) foi Presidente. Na Suécia, normalmente apoiaram, no Parlamento, o partido social-democrata, dando-lhe suporte.
Fora da Europa, basta lembrar dois exemplos: o Partido Comunista do Brasil tem 57 prefeitos eleitos e faz parte da coligação que elegeu Lula e Dilma para o Planalto. Há 40 anos, o Partido Comunista do Chile, que hoje em dia tem cinco governadores estaduais, fez parte do Governo da Unidade Popular (70-73) liderado por Salvador Allende, que venceu as presidenciais, tendo sido assassinado pelo golpe militar de Augusto Pinochet.
E um último exemplo que junta duas curiosidades: o estado alemão da Turíngia tem um ministro-Presidente comunista. Bodo Ramelow, do partido Die Link (que junta os antigo partido comunista da Alemanha de Leste, o PDS, com outros sectores de esquerda), ficou em segundo lugar nas eleições estaduais de 2014, atrás da candidata conservadora da CDU, o partido de Merkel. Mas formando uma aliança com o SPD (partido-irmão do PS português) e os Verdes, Ramelow formou um Governo de coligação maioritário do Parlamento estadual.
Em nenhum destes exemplos há suspeitas da supressão de liberdades individuais, direitos políticos ou repressão.

A conclusão

Ao contrário do que afirma António Barreto, há vários exemplos, alguns atuais, de um “partido comunista no poder que governasse com eleições, com partidos políticos, com liberdade de expressão, sem exilados, sem presos políticos”.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

E a Palestina Senhor!...

De humanismo à trela, as centrais que abastecem os media de acordo com os seus interesses nacionais ou geoestratégicos, determinam em que sentido orientar a sensibilidade das multidões. O empolamento de qualquer acontecimento nacional ou internacional pode servir como instrumento de alienação, catalisador ou encobridor de outra realidade.

E assim, as almas brandas, gente muito preocupada com os Direitos Humanos, apóstolos e defensores da liberdade e de cegueira seletiva, seguem os acontecimentos que enchem jornais e écrans de televisão sem se aperceberem que estão a ser manipulados.

Os nazissionistas esta semana já assassinaram meia centena de palestinos, continuando o genocídio programado, Israel controla os media a nível internacional, apresentando-se como vítima, criminosos que são.

Todo o atentado à Liberdade deve ser rechaçado, Todo!
E não só o que insidiosamente nos sugerem.
Detesto os fariseus.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

E a NATO não responde?!

É por estas e por outras que já valeu a pena. Estou verdadeiramente emocionado com este pequeno contributo do DN para mover águas e atirar areias para os olhos dos leitores. A NATO que se cuide e escolha bem os concelhos de desembarque se não querem sair daqui atolados.
Pergunta:
- Há um mês atrás o título teria sido este?


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

domingo, 18 de outubro de 2015

Os milagres dos cravos


 (Escultura de Jorge Pé-Curto)
(do Inimigo Público)

Valeu a pena. Não há cão nem gato ou bicho careta que nas suas crónicas ou arrotos não refira o PCP, alguns até lançam bitates e dão recados, como é o caso do tresloucado(?) Vasco Pulido Valente que alerta: “Parece que não passou despercebido ao PC que no resto da Europa o apoio ao PS acabou por desfazer os partidos comunistas”. Os tabloides nas primeiras páginas recordam Cunhal e os confrontos com Soares, bem entendido, uma olhadela pelos editoriais e ressalta a sigla PCP assim como em muitos parágrafos de várias páginas. Nestas duas últimas semanas o Partido Comunista Português e a sua sigla PCP, já foram mais referidos em todos os media e redes sociais do que desde o início deste século.

O partido incinerado pela comunicação social renasce das cinzas.

Ele há milagres!...




sábado, 17 de outubro de 2015

Uma imagem tanto pode valer mil palavras como milhares de palavrões.



Na página 6 do Público de 16/10/2015, fotografia a três colunas documenta a apresentação do candidato apoiado pelo PCP. É elucidativa por nos dar a conhecer o jornal e os seus desígnios, e para Edgar Silva e o PCP aferirem uma vez mais que os media em geral são alheios aos princípios elementares de ética ou à tão propalada isenção, que têm os seus candidatos e que não basta promove-los, é imperativo eliminar os concorrentes.

Razão  tem Edgar Silva que é necessário voltar a 
Abril

Também sei manipular a informação da TV


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A CAMPANHA E O GANG de boas famílias

































Quantos Donos Disto Tudo 
é que por aí andam, 
assustados, feridos,
... perigosos?

Inadmissível manipulação

Um canal de televisão resolveu fazer um chamado inquérito pedindo "a sua opinião". Estaria no seu direito, e talvez até, a cumprir a sua função informativa não fosse
  • a incorrecta e deformativa (e deseducativa) formulação
  • a evidente manipulação



Antes do Presidente da República dar posse ao governo tem de nomear um Primeiro Ministro; antes de nomear este tem de ouvir os partidos representados na Assembleia da República e tem de ter em conta os resultados eleitorais.

Constituição da República Portuguesa

CAPÍTULO II
 Formação e responsabilidade 
 Artigo 187.º
 (Formação) 
1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais. 
2. Os restantes membros do Governo são nomeados pelo Presidente da República, sob proposta do Primeiro-Ministro. 

Depois, as três alternativas que o canal coloca para "nossa" escolha e opinião são, claramente redutoras e falsificadoras, ignorando as eleições realizadas e desconhecendo uma coisa chamada Assembleia da República, que - essa sim! - foi escolhida por nós e que perante nós responde. Tal como o Presidente da República.



Síndromas e mais...

 Dá gosto (repousa...), nesta "altura do campeonato", ler e transcrever um texto como este... e ouvir um pouco de silêncio:
Valdemar Cruz
Por Valdemar Cruz
Jornalista

16 de Outubro de 2015

O Síndroma de John Cage



Para outono, tem estado um verão bem quente. O país sobrevive submetido a altas temperaturas noticiosas e ninguém quer ficar mal na fotografia. Desde logo Cavaco Silva. O Presidente da República, cansado de ver tanta gente a assenhorar-se dos seus silêncios, viu-se obrigado a vir esclarecer o óbvio e garantir ser alheio aos cenários construídos nos últimos dias pela imprensa.

O ritmo noticioso e opinativo tem sido frenético. O país, em particular os seus alicerces morais, éticos e políticos, estão sob ameaça. Nem sou eu quem o diz. Basta ouvir e ler os discursos editoriais hegemónicos. Estamos a caminho do caos e constroem-se as mais diversas teorias da conspiração, quase sempre assentes na consagração, recordou-o Augusto Santos Silva, de um direito divino da direita a governar em Portugal, mesmo quando não consegue ter a maioria eleitoral.

Com os acontecimentos a atropelarem-se ao minuto, vivemos uma nova era comunicacional. Depois do jornalismo opinativo, passamos pelo jornalismo interpretativo, e estamos agora na fase do jornalismo adivinhativo, ontem explorado pelo jornal I, entre outros, e hoje retomado pelo Sol com o seu "Cavaco deve dar posse a Passos". Vale a pena, por isso, tomar atenção ao artigo assinado por António José Teixeira no Expresso Diário, pelo seu equilíbrio e ponderação.

Costa anda agastado com quem, no PS, fala sem conhecimento de causa. Não por acaso, creio, a foto escolhida pelo Expresso para acompanhar esta notícia mostrava Francisco Assis, cuja oposição aos entendimentos à esquerda têm gerado muitos comentários, a favor e contra, em particular nas redes sociais. Apostado numa batalha de esclarecimento, Costa quis ser ele próprio a entregar o retrato da situação aos seus congéneres socialistas europeus e deixar garantias quanto às balizas das negociações encetadas à esquerda.

A situação é complexa e ecos do que por cá se passa já chegaram ao estrangeiro, como reporta a revista francesa Marianne, ao assegurar que o PS encontrou pontos de convergência com o PCP "e o partido de esquerda".

Por cá, Passos Coelho, que lá por fora recebeu o apoio da família política do PPE, aguarda com natural ansiedade o início e o fim das conversas de Cavaco Silva com os partidos, agendadas para as próximas terça e quarta-feira, e, diz o Público hoje em chamada à primeira página, espera ser indigitado primeiro-ministro.

Uma das singularidades das duas últimas semanas passa por uma constatação: os principais dirigentes políticos têm procurado falar pouco e, pelo contrário, nos jornais, nas rádios e nas televisões, há infindáveis oráculos em atividade frenética. O quadro pintado é de susto. Vêm aí os saneamentos, presume-se que também o Gulag, é preciso ter cuidado com as criancinhas, os mercados vão entrar em transe. Depois há a Nato, como muito bem lembrou o Presidente da República no início do processo. Pois é, a Nato. Esquecíamo-nos da Nato e da importância histórica da Nato na opção de voto dos portugueses.

Costa tem tentado uma hipótese de governo diferente da habitual, mas até o representante de Deus em Lisboa acha pouco natural o que o secretário geral do PS anda a fazer. Costa está a esquecer-se do respeito pela tradição tão caro a uma instituição milenar como a igreja católica. E a tradição diz que um partido como o CDS, a quarta força do Parlamento, tem direito a estar no Governo, mas o BE, terceira força, não tem. Muito menos o PCP, é claro. De resto, e é uma dúvida que me assalta e não vi ainda ninguém lançar para cima da mesa, pelo menos desta forma tão assertiva: não deviam estes partidos ser proibidos por inúteis e inviáveis no quadro democrático construído na Europa? Um partido que só serve para enfeite, não é um partido. É uma jarra.

Com todos estes devaneios e comportamentos tão histriónicos, talvez ganhássemos todos se irrompesse por instantes uma espécie de síndroma de John Cage capaz de levar a uma geral audição de um dos seus mais impactantes concertos para piano: 4' 33''. Assim se chama uma peça onde se mostra como até o silêncio pode ser subversivo. Não há qualqquer nota. Não há qualquer movimento. Apenas o silêncio. Faz-nos falta um pouco de silêncio. Já Eugénio de Andrade glorificava o fascínio do silêncio em "Obscuro Domínio": "Quando a ternura/parece já do seu ofício fatigada,//e o sono, a mais incerta barca,/inda demora,//quando azuis irrompem/os teus olhos//e procuram/nos meus navegação segura,//é que eu te falo das palavras/desamparadas e desertas,//pelo silêncio fascinadas".

domingo, 11 de outubro de 2015

Última sondagem

Aqui em casa fez-se uma sondagem relativa às eleições presidenciais. Tinha a pretensão que fosse  a primeira mas afinal, ao que se vê, é a última... e não será a última porque nos vão inundar de mais sondagens das mais variadas origens.
Como todos os sondageiros têm o direito a publicar o resultado das suas sondagens, aqui se dá a conhecer, neste orgão de comunicação social, o actual resultado da nossa, que revelou, sem surpresa, que:

  • 50% dos inquiridos e das inquiridas vai votar - com toda a confiança - no candidato EDGAR SILVA
  • 50% das inquiridas e dos inquiridos está indecisa porque está a pensar em segundas voltas e mais reviravoltas
Pelo que se pode concluir que o candidato EDGAR SILVA, apesar de ausente das outras sondagens, pode passar logo à primeira volta. Basta que as/os indecisos votem nele, se abstenham ou façam um comentário no retrato de um dos candidatos-comentadores (basta num destes para anular os votos com comentário).
as asas de Ícaro
escultura de Rogério Ribeiro
na Junta de Freguesia do Feijó 

Continuaremos a informar,
embora não diariamente...

sábado, 10 de outubro de 2015

O MASSACRE



O MASSACRE

Ainda falta contar os votos da emigração para se dar por concluído o acto eleitoral de 4 de outubro, e já nos surgem as sondagens-massacre para as presidenciais de janeiro.

É a primeira sondagem, rasteira e falseada por omissão, sondagem em que o candidato do PCP Edgar Silva cuja apresentação oficial é pública nem sequer é referido, enquanto Rui Rio que ainda não sabe se se candidata é contemplado com 15,1% das intenções de voto.
«Na sondagem perguntou-se aos inquiridos em quem votariam se os candidatos disponíveis fossem Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio, Maria de Belém Roseira, António Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto. Marcelo seria eleito à primeira volta, a grande distância da segunda classificada, Maria de Belém, com 17%. Rio recolheria 15,1% dos votos e Sampaio da Nóvoa 10,1%. Henrique Neto, apenas 1,4%. De acordo com a sondagem, haveria 24,5% de indecisos. (Jornal “Negócios”)»

Os media chafurdam no próprio lixo cumprindo a suja missão de que estão incumbidos, cabe-nos estar atentos e protegidos da poluição demasiado tóxica que vem envenenando os estilhaços do 25 de Abril.