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domingo, 4 de outubro de 2015

Faleceu José Vilhena


SEMPRE ACTUAL

José Vilhena 1927 - 2015

Reflitam filhos! Reflitam!

É dia de votos! Até ao fecho das urnas exige-se silêncio nas intenções e isenção nas abordagens. A esta hora, meio dia e tal, os títulos  do portal do Sapo, são estes:

Clica na imagem para ampliar
Como se pode ver não se favorece nenhuma força política, não se fala de partidos, nem de candidatos a deputados. 
Não, fala-se apenas dum pararelismo entre a vida de duas figuras - cujos egos estão acima dos partidos e cujas ideias estão acima da democracia - que são, na versão dos "comentólogos" do sistema, candidatos a primeiro ministro - não candidatos a deputados, os dois únicos, segundo as análises independentes que não precisam das eleições para saber os seus resultados. 
E, já agora, fala-se também duma menina de olhos azuis para os dois não ficarem sozinhos no écran e dar uma ar de isenção e democracia à edição. 
Não se esqueceram de ninguém, pois não??
Também se se esqueceram, não é grave, hoje a política vale pouco, é dia de eleições.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

SONDAGENS - Legislativas 2015


Que temos em Portugal uma comunicação social ao serviço do sistema que vigariza, rouba e explora os portugueses não é novidade. A novidade é que nunca aconteceu a referida comunicação social se empenhar tanto em proceder a “lavagens ao cérebro” dos portugueses como nesta campanha eleitoral. A prova está a ser facultada pela CISION - fornecimento de serviços para planeamento, contacto, monitorização e análise dos media - que contabilizou 32 horas das rádios e televisões em Portugal a falar de sondagens, “em apenas 10 dias”.

A influência que tal empenho vai produzir no eleitorado vai ser demonstrado (ou não) na noite do próximo dia 4. Independentemente de ficar provado que a saturação e abuso de informações constantes sobre sondagens foi (é) uma operação de "lavagem ao cérebro" que neste caso se pode considerar como uma tentativa de aliciar vantagens para a coligação do regime Cavaco-Passos-Portas. (Redação PG)

Informa a CISION:

Nos últimos 10 dias, as rádios e televisões portuguesas passaram, aproximadamente, 32 horas a falar sobre o tema “sondagens”.

Muito se tem debatido sobre a multiplicação de sondagens que têm marcado a campanha eleitoral, e pautado a agenda mediática dos órgãos de comunicação social portugueses, durante a presente corrida para as legislativas 2015. Com o dia de eleições marcado para o próximo domingo, 4 de Outubro, a Cision procurou saber qual o espaço editorial, e o tempo de antena ocupado, pelo tema “sondagens”, no total de notícias divulgadas sobre as legislativas 2015, nos meios de informação portugueses – rádio, televisão, media online e imprensa nacional.

Os resultados do estudo da Cision são reveladores e parecem de alguma forma demonstrar que, de facto, o país parece ter parado para ouvir, ver, e ler sobre estas eleições: em apenas 10 dias, concretamente entre os dias 20 e 30 de Setembro, foram produzidos 11.137 conteúdos noticiosos registados sobre as Eleições Legislativas. Destes, 1625 abordaram o tema “sondagens”. Ou seja, neste período, aproximadamente 15% do total de conteúdos produzidos pelos meios de comunicação social relativos às eleições legislativas portuguesas foi precisamente sobre “sondagens”.

Relativamente ao tempo de antena total de rádio e televisão dedicado às eleições legislativas portuguesas de 2015 foi, nestes 10 dias, de 452 horas. Destas, 32 horas foram precisamente a falar sobre sondagens: a análise às mesmas, os debates sobre a proliferação de resultados diários, as previsões, as percentagens, os rankings e as tracking pools – assuntos e termos que têm definitivamente marcado esta campanha eleitoral.

O objeto de análise deste estudo realizado pela Cision - empresa líder global em serviços e software de pesquisa, monitorização e análise de media - são todas as notícias sobre as eleições legislativas portuguesas 2015, veiculadas no espaço editorial português, em mais de 2000 meios de comunicação social.

O período temporal sobre o qual incidiu o estudo foi o período decorrido entre os dias 20 e 30 de Setembro de 2015.

A Cision é líder global no fornecimento de serviços para planeamento, contacto, monitorização e análise dos media.

Como reagir a tanta ausência de ética?



































Lança-se a "notícia": 
"PSD avisou PCP...".
Pegou!
Expande-se.
"Comunistas negam prentoriamente."
Que importa?
Expanda-se com mais força!

Isto é REPUGNANTE!
 .

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

AS FRASES ESCOLHIDAS!

Para começar o dia, ao consultar os emails, lá temos a ilustração dos mui criteriosos critérios editoriais. O Expresso curto teria milhentas frases ditas ou escritas para escolher. Escolheu meia dúzia: duas com o carimbo BE, duas com a etiqueta PàF/Passos Coelho, mais duas para comporem a selecção de sentido e interpretação pessoal.

«FRASES


"É tão de fiar nas contas de Maria Luís como a contagem das emissões de gases da Volkswagen", Catarina Martins, a propósito da polémica Parvalorem


"Todas as campanhas têm o seu picantezinho, hoje também o há", Passos Coelho, sobre o mesmo assunto


"A campanha mostrou que há muitas feridas por sarar no PS", António Capucho, ao I



"O mais normal é que os resultados das eleições tenham consequências dentro dos partidos", Passos Coelho



"Podemos dividir o país que vai votar entre dois sentimentos prevalecentes: a indignação e o medo", João Cardoso Rosas, no Diário Económico



"É como se tivessem instalado em Portugal uma espécie nova, um espécie de gente, predadores naturais com ar sisudo à espera do sangue fresco da manada, um tal 'Homo troikensis'. E o "Homo troikensis' é perigoso, muito perigoso", Franscisco Louçã, num comício em Coimbra.»


terça-feira, 29 de setembro de 2015

A DITADURA MEDIÁTICA (transcrição)

No site do CLUBE de JORNALISTAS:

A ditadura mediática

28 DE SETEMBro DE 2015

A deriva à direita do sistema mediático europeu já tem mais de duas décadas, mas a trajectória acentuou-se neste século com a intervenção acelerada do capital financeiro. Bancos, holdings, multimilionários, têm adquirido posições dominantes nos media um pouco por toda a Europa. As consequências são conhecidas: concentração empresarial, despedimentos, substituição de directores, encerramento de publicações, inflexão editorial à direita, orientação populista de conteúdos.

Os serviços públicos de rádio e televisão não têm sido poupados. O governo de direita que levou a Grécia ao desastre chegou ao ponto de encerrar a rádio e a televisão públicas, para eliminar um fluxo informativo rigoroso e independente.

O conceituado investigador Vicenç Navarro alerta para o facto de nenhum dos principais media de Espanha ser de esquerda ou de centro esquerda. O mesmo acontece em Portugal.

Em França, estão à vista os resultados da ofensiva financeira. O grupo L’Express está debaixo de fogo de Patrick Drahi e só a redacção do magazine que lhe dá o nome vê sair 40% dos trabalhadores. Enquanto isso, outro multimilionário muito activo no sector dos media, Vincent Bolloré, tomou conta do Canal+, que adoptou em poucas semanas uma orientação “simpática” para com a FN de Marine Le Pen.

A estes factos e opiniões junto dois textos de José Pacheco Pereira e Joaquim Vieira, que ajudam a entender a realidade portuguesa. É, sem dúvida, uma discussão em aberto, mas incontornável.

João Alferes Gonçalves

» É mau, mas quem é que quer saber? (José Pacheco Pereira)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A PROPÓSITO DE FORMAÇÃO CÍVICA

E TAMBÉM A PROPÓSITO DE FORMAÇÕES CIENTÍFICAS E TÉCNICAS EM PROL DO PROGRESSO DOS POVOS...

TEMPO DE FORMAÇÃO
Fernando Buen Abad Domínguez
Rebelión / Universidad de la Filosofia
(tradução de Guilherme da Fonseca-Statter)

Tal como deve ser (ainda que nem sempre tenha sido assim) as universidades públicas devem dar prioridade à intervenção comunitária e a valorização honesta da produção social do saber, com soluções, em todas as instâncias sociais de base. Especialmente quando se trata de formar líderes com o claro intuito de assegurar que os povos se assegurem a si mesmos da consistência teórica e prática daqueles que comandarão obedecendo. É o que acontece na Universidade Nacional de Lanús, dirigida por Nerio Neirotti no programa FORMARNOS (Formação de Quadros em Gestão Pública e Social)1.
É já um «lugar comum», no qual se deleitam muitas incapacidades e ineficiências, exigir a criação de «escolas de quadros», como uma fórmula mágica para conjurar fraquezas perante as tarefas que a dinâmica histórica vem constantemente exigindo.
O programa FORMARNOS parece uma resposta fundamental que revela que não se pode pôr em marcha uma formação de lideranças se não houver vontade de fazer da vida em colectivo um sentir e um significado tão profundos como a própria humanidade com os seus melhores valores sociais. Não se podem fabricar as condições em que emergem os líderes, mas devem-se promover as competências e sensibilidades com que hão-de servir os novos líderes. Para isso temos formar-nos.
Este projecto FORMARNOS vai em busca de um diálogo entre a vocação, as necessidades históricas e o imaginário que quer um mundo onde prevaleça a justiça social, onde impere um acordo democrático para a acção permanente e em que seja possível partilhar esses sonhos que sonhamos quando se quer um planeta com felicidade e sem amos. É uma quixotada do concreto, funcionando operacionalmente ao longo de seis meses, para que se fique habilitado no exercício de abrir asas e planear voos de dignidade dirigidos ao presente e ao futuro. Todos podem entrar, não há requisitos de graus académicos e tem as portas abertas a organizações comunitárias, cooperativas, empresas culturais, organizações políticas, funcionários públicos e agências do Estado, a nível provincial, nacional, municipal... que tenham a vontade e a responsabilidade de se envolverem na sua formação política e na acção directa e imediata. É pago com os impostos pagos pelo povo argentino e desenvolve-se em aulas presenciais e virtuais.
FORMARNOS é um exemplo de acção concreta professada como práxis que sintetiza o objectivo e o subjectivo de um método revolucionário relevante que consiste em intervir sobre os problemas. Isso é parte da luta, e por isso é exemplar - e inesquecível - essa práctica que envolve vínculos afectivos, intelectuais e de luta, numa relação de fraternidade e de solidariedade, necessárias e urgentes nesta hora. Aprender para agir.
Com esta iniciativa, que nasceu de necessidades sociais concretas e não de iluminismos elitistas, todos contam com um espaço para ter acesso a conceitos e métodos organizacionais de que os povos se apropriam na luta pela sua liberdade política, contra a exploração e o saque, a barbárie, a miséria e a alienação. Um exemplo e um mandato universitário que se identifica com uma moral de luta e triunfo indispensáveis quando é necessário ser útil nos caminhos da igualdade, integração, e unidade em que «a Pátria é o Outro» nos seus valores filosóficos mais profundos.
FORMARNOS é um caminho que articula o seu compromisso com a emancipação dos explorados determinados a emanciparem-se de forma organizada, a partir de baixo e com formação pertinente e adequada nas horas críticas de um mundo em ebulição e com vontades de mudança por todo o lado. Entre as muitas lições ensinadas no FORMARNOS está a de dilatar o direito de alegria inteligente com as mil maneiras de viver – diariamente - e saborear os seus métodos de aplicação concreta e de classe. Nas mãos de quem estuda no FORMARNOS está uma filosofia da práxis que se converte em alegria e dignidade, geradas de serem contagiosas. Eu vi-os a celebrar os seus resultados.
O trabalho do FORMARNOS, pleno de sorrisos e satisfações extraordinárias, é uma atitude perante a vida e perante os seres humanos, perante as relações sociais e os métodos para emancipação em crescimento pleno. Trabalha-se para intervir na unidade indissolúvel com uma vocação científica empenhada em resolver os problemas dos povos com os meios e métodos de melhorar as condições de existência. Por isso, tem a sua vigência, porque se luta para aumentar a consciencialização, para elevar o nível do debate, para elevar as condições de vida e elevar os padrões de felicidade social. Aqui e agora, todos os dias, com a razão e prática, com inteligência e paixão... com el amor loco e a paixão revolucionária.
Temos de «dar de beber» e aprender do FORMARNOS que é, também, uma florescência baseada no desenvolvimento de talentos em pleno exercício dos melhores debates da razão, para ser revolucionário na busca da plenitude social. Quase não há problema científico, político ou metodológico que não se resolva com prazer e com base numa identificação, não condescendente, com uma intervenção na teoria e na prática.
FORMARNOS ajuda a não nos deixarmos levar pela indiferença ou pelo individualismo, ajuda-nos a ser receber a energia do instinto dos povos que recuperam a política com dignidade, para fazer revoluções e para nos formar entre afectos, ideias e tarefas em cima da luta política.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A imagem da campanha




MIL PALAVRAS ou PALAVRÕES?
Uma imagem vale por mil palavras? É corrente afirmar-se que sim. Assim sendo, quantas palavras contém esta imagem da campanha eleitoral em curso num matutino dito de referência? Não se trata de uma fotografia destinada a uma exposição ou concurso fotográfico, mas sim a de um candidato a primeiro-ministro (ou será que só o PS e o PSD constitucionalmente podem ter primeiros-ministros?) de uma coligação que democraticamente não pode nem deve ser achincalhada.
«Mas nunca saberemos qual seria a configuração do novo Parlamento depois de 4 de Outubro se a Constituição fosse cumprida, isto é, se as eleições fossem verdadeiramente democráticas e todas as candidaturas tivessem tido “igualdade de oportunidades” para se darem a conhecer e às suas propostas.» Publicado em 18/9/2015  Prof. Doutora Maria Estrela Serrano.
É isto, preto no branco: «se a Constituição fosse cumprida» e os media, propriedade dos que manejam a dupla candidata a primeiro-ministro, não apostassem nesses muares emparelhados à sua carroça.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Comunicação social? Jornalismo?



«CDU dramatiza: 
“Que não se perca nenhum voto”»

Esta foto (de Marcos Borga), em que, metaforicamente, Jerónimo de Sousa aponta para uma saída de emergência - não para baixo mas para a esquerda!... -, foi tirada num comício em Samora Correia e encabeça, como o título acima, uma reportagem que consideramos paaradigmática.

Começa a autora do texto, Rosa Pedroso de Lima, por escrever que "Jerónimo falou em Samora Correia para uma plateia de convertidos"...  e não se diria que começa mal porque começa por dar o tom para um texto inqualificável. 
Desde essa designação de "convertidos", todo o texto tem intenções pejorativas, ou até insultuosas, de quem vê aquela plateia a deitar por fora "de cima", desprezivelmente. Um texto que - desgraçadamente a juntar a tantos outros - não faz jornalismo mas servil serviço a interesses e forças de classe.
No corpo do texto deixa-se insinuada a versão de que foram os mesmos que acompanharam Jerónimo no almoço no Couço, na arruada no Entroncamento, no comício em Samora, transportados em camionetas. O que é falso e não consegue diminuir a plateia repleta pelo que a "jornalista" apelida de "militantes convictos", "só eleitores da CDU" e outros mimos, a quem Jerónimo de Sousa teria alertado que o "risco de fuga de votos úteis à esquerda tornou-se um perigo", pelo que teria centrado a intervenção no ataque (ou contra-ataque) ao PS "é aos socialistas que Jerónimo dedica parte das suas críticas".
Que excelente oportunidade teve RPL de fazer jornalismo se tivesse aproveitado o esclarecimento - repetido mas sempre com coisas novas - de Jerónimo de Sousa sobre a questão da moeda única. Jerónimo até mostrou que no programa do PS está incluído um cenário em que coloca a saída do euro e da UEM que (segundo esse cenário) pode implodir. Mas o texto, em vez de implodir, tem escrito implorar (!!!) o que revela a total ignorância de quem escreveu sobre um tema que parece só a CDU encarar seriamente, como gente séria que é, embora outros encarem, inconsequentemente, como cenário para que se dispensam de se preparar e de preparar o povo português. O que é indispensável pelas suas graves consequências. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Textos multimodais: a nova tendência na comunicação



Textos multimodais: a nova tendência na comunicação
Por  Silvio Porfirio, Francisco E.B. de Souza e Luis Carlos Cipriano

Com a disseminação das novas tecnologias, o texto vem adquirindo cada vez mais novas configurações, que transcendem as palavras, as frases e, acima de tudo, a modalidade escrita da linguagem. Dizendo de outro modo, a proliferação tecnológica tem instigado a promoção de novas composições textuais, sendo estas constituídas por elementos advindos das múltiplas formas da linguagem (escrita, oral e visual).
De acordo com Nascimento et al. (2011), nas práticas corriqueiras do dia-a-dia da sociedade contemporânea, o espaço concedido à imagem ampliou-se consideravelmente. Os documentos textuais presentes nas práticas cotidianas trazem consigo não apenas a linguagem verbal escrita, mas também um amplo contingente de recursos visuais. Partindo desse pressuposto, há um infinito contingente de elementos imagéticos e visuais, que podem ser empregados na composição textual com fins a acarretar determinados efeitos de sentido, como é o caso, da seleção das cores empregadas em um dado texto, da seleção do tipo de letra, do formato e da cor etc. A materialização de todo esse contingente de elementos revela as particularidades dos propósitos comunicativos do autor, como postula Silva (2014). * ler mais (aqui)