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terça-feira, 22 de setembro de 2015

COMUNICAÇÃO ASSOCIAL

A terapia aplicada a Portugal nestes os últimos 39 anos causou-lhe danos profundos, não obstante, continua a resistir com natural estoicismo.
 

O tratamento com sanguessugas mesmo se moderado causa sempre repugnância, mas como os doutores se digladiam para continuarem a sugar o enfermo, o resultado está à vista.

Aproxima-se o 4 de outubro e os físicos procuram através de maquilhagens várias, melhorar-lhe a aparência, publicitando que está mais rosadinho, que já dá alguns passinhos e até sorri. Esforço inglório, a anemia já não permite disfarces, a solução está em demitir todo o corpo clínico assim como o diretor alojado em Belém, e eleger nova equipa que livre o paciente das sanguessugas que já não suporta e que
O PS é uma “espécie de genérico:
tem os mesmo princípios ativos do PSD e do CDS”.
Heloísa Apolónia


Os desempregados melhoraram o seu cabaz de compras e não me admiro que antes de 4 de outubro se publicite que estejam abrir contas poupança. Tudo é possível no reino dos tartufos.



13 é para a ‘construção’ o número da sorte, finalmente sai da recessão técnica que é uma janela que os construtores têm nas traseiras das suas preocupações deixando por precaução as portas emparedadas.
Prometem-nos mais milagres até 4 de outubro, o das rosas fanadas e o das laranjas bichadas, produtos para os quais é cada vez mais difícil encontrar quem os compre. Ou não?

CUIDADO COM A PUBLICIDADE ENGANOSA VEICULADA PELA COMUNICAÇÃO “SOCIAL”!

Notícia? Parece que não...

O armazenamento de armas nucleares dos Estados Unidos na Alemanha, contra tudo e contra todos, parece não ser notícia. A agência RT acha que é, e muito importante.




... isto no Dia Internacional da Paz!

Notícia?

do sapo:

«Twitter: 

António Costa é o líder de partido 

com mais menções negativas

Hugo Séneca 

21/09/2015 20:06
(...)
Até 17 de setembro, o Popstar apurou que António Costa contabilizou 37,2% das menções negativas veiculadas no Twitter; Passos Coelho agrega um total de 32,1% de menções negativas na mesma rede social. O diferencial chegou a ser ainda mais negativo para o líder do PS: quando tomou posse como secretário-geral, António Costa abarcou 70% das menções negativas do Twitter, enquanto Pedro Passos Coelho não superava 33% (um tweet pode dizer mal de mais de uma pessoa e por isso é possível superar os 100% somando as percentagens de menções dos dois líderes partidários). Paulo Portas, presidente do CDS-PP, é o único que consegue ombrear com Passos e Costa, com 19,8% das menções negativas a 17 de setembro.
Demasiado longe para disputarem os lugares cimeiros da negatividade figuram Jerónimo Martins, líder do PCP, com 2,5% de menções negativas; e Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda (analisada ainda com João Semedo, o outro membro da extinta liderança bicéfala), com 8,1% dos tweets negativos.
(...)»

Oh, Séneca,,, ele há cada engano!...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sobre "La international del terror mediático. Vernos com nuestros proprios ojos"



A Agência de Notícias Prensa Armenia entrevistou, recentemente, o jornalista uruguaio e fundador do canal Telesur Aram Aharonian para falar sobre o seu novo livro “La internacional del terror mediático. Vernos con nuestros propios ojos” [A internacional do terror midiático. Vermo-nos com nossos próprios olhos], na qual aborda o papel dos meios e do jornalismo, a partir de uma perspetiva latino-americana.

 
Aram Aharonian trabalhou com Eduardo Galeano, Rodolfo Walsh, Paco Urondo, Juan Gelman e Miguel Bonasso, entre outros.

Por que elegeste como figura simbólica “a guerra” para representar “a guerra simbólica”, “batalha ideológica” ou os meios hegemônicos como “unidades militares”?

Primeiro, porque esta é a mesma luta: o que mudou foram as armas. Guerra convencional, guerra de guerrilhas, guerra cultural: o inimigo é o mesmo, a utopia continua sendo a mesma. O que muda é o cenário, os ferros. O inimigo antes – há quatro décadas – usava as forças armadas para impor um modelo político, econômico e social (com mortos, desaparecidos, torturados). Hoje, não necessita de baionetas nem de tanques; basta o controle dos meios massivos de comunicação. E assim nos bombardeiam com informação, publicidade, entretenimento (séries de televisão, jogos cibernéticos, por exemplo), 24 horas por dia, com sua mensagem e imagem única, na sala ou no dormitório das nossas próprias casas.
Hoje, o campo de batalha é simbólico. Estamos em plena batalha cultural: a guerra por impor imaginários coletivos se dá através dos meios cibernéticos, audiovisuais, gráficos. E, para lutar essas batalhas pela democratização da palavra e da imagem, das nossas sociedades, é preciso aprender a usar essas novas armas, as câmeras, Internet, microfones…


Reflexões que AQUI se transcrevem sobre a comunicação social e... o ambiente (des)informativo

A partir da leitura de um artigo no Público, saíram-me estas reflexões, que publiquei no meu anónimo. Ao revê-las pareceu-me que teriam cabimento aqui:

Na permanente preocupação de arrumar ideias (e informações), li ontem um artigo-estudo no Público que para isso ajudou. Margarida Gomes, que não sei quem seja ou se já alguma vez li escritos seus, abalança-se a fazer um balanço e titula-o de Legislativas ganham-se em cinco distritos: três a norte e dois a sul.
A abordagem é aliciante, e o artigo foi lido sem pressupostos ou preconceitos. E foi claramente revelador da maneira como a comunicação social  trata desta questão das legislativas num quadro de democracia “à maneira” que se reduz à homologação do executivo, da governança.
A correcção que se poderia prever no título – as legislativas ganham-se em distritos – é anulada no texto que abandonou as legislativas como eleição para 230 deputados para se focar na disputa PS-PàF (ou PSD-PS, ou Passos/Portas-Costa) em "todo o terreno".
Assim se esbate, até ao apagamento, a perspectiva política que encararia como a distribuição demográfica regional-distrital condiciona as opções de fundo. Em todo o trabalho (com algum interesse, embora enviesado pelo “pecado" original e universal), apenas se faz referência às candidaturas CDU e BE no caso de Lisboa, juntando-as de raspão (e indevidamente!) dizendo que partem (juntas!!!) com 8 deputados (e não 5 + 3!) e, nem em Setúbal, onde a CDU tem 4 deputados e pode, em 18, vir a subir, se escreve mais que uma talvez (?!) venenosa referência às seis eleições consecutivas em que, há muitas eleições passadas, a coligação APU foi a primeira força.
Nem sequer se anota, entre os tais cinco concelhos (a que se poderia juntar Leiria e Coimbra), há previsões da CDU perder o deputado por Braga mas subir em Lisboa e Porto e entrar em Aveiro. Coimbra e Leiria, além de outras previsões que confirmariam a implantação regional da coligação CDU numa eleição para escolha dos representantes do povo na Assembleia da República. 
A coligação PCP-PEV ☭❂ existe e faz prova de vida que a comunicação social procura ignorar.

c.q.d.

domingo, 20 de setembro de 2015

As boas sondagens



«A segunda sondagem diária da Universidade Católica para a RTP revela…» - “A segunda sondagem diária!?…” É obra!

No espetáculo tauromáquico eleitoral, as sondagens representam as chocas que forçam o eleitorado tresmalhado ou renitente a voltar ao curro, são o capote que engana, os aplausos quando das bandarilhas mais bem conseguidas no debate televisivo, impelindo os espetadores de tomar partido.
As sondagens são o cavalo que abrilhanta o cavaleiro e elemento indispensável aos comentadores que se dirigem aos aficionados.
As sondagens são a poeira que se solta do redondel e se propaga por todos os que recusando a realidade e aceitam a imagem que dela lhes dão.
As sondagens são o tapa-olhos a que sujeitam o eleitorado até à boca das urnas.
E SE OS SONDÁSSEMOS?

Jerónimo Só?, não... de Sousa, dos Sousas e de outros

Aproveita-se este recorte já com sublinhados e tudo (obrigado, Samuel) para ilustrar como a comunicação social de referência (:-)!) resume as campanhas.


Por  um lado, desvirtuam-se as eleições para 230 deputados, tratando-as como se fossem para escolher um homem só: O 1º MINISTRO.
Ao mesmo tempo, e por outro lado, ao resumir a campanha que bem procura corrigir esse propositado erro (!), nas mesmas páginas redu-la ao que faz o secretário-geral de um dos partidos de uma coligação e chamam-lhe campanha de um homem só.
Deturpar tem, ou devia ter, limites.
Quantos de nós podemos testemunhar que esta campanha da CDU não é de um homem só... ainda que sempre muito e muito bem acompanhado? Quantos de nós já participámos em acções da campanha... até a partir aqui do teclado do computador? Quantos de nós já andámos em feiras e mercados, e à porta de fábricas e estaleiros, a distribuir propaganda e a conversar com gente gente, sem que por centenas de quilómetros perto estivesse o Jerónimo? Quantos de nós já participámos em colóquios e debates que, explicitamente, foram acções de campanha, ou nisso se tornaram, sem que Jerónimo estivesse presente ou sequer as sonhasse? Quantas de tantas essas, ou quase todas, foram do conhecimento da comunicação social, sem que a elas prestasse qualquer atenção... porque não havia Jerónimo... talvez para lhe perguntarem o que nada tinha a ver com a iniciativa?  

Os meios de comunicação social e as sondagens

Não somos "clientes" contumazes e acríticos do facebook e até confrontamos, no seu uso e abuso, alguns motivos de desconfiança e efeitos desviantes de uma informação... formativa. O que não quer dizer que não lhe encontremos (e a semelhantes expressões de "redes sociais") fortes virtualidades de simples e directa comunicação e informação interessantes não obstante todas as perversidades.
Por exemplo, consideramos nesta campanha eleitoral, como em outras campanhas eleitorais, que o facebook pode ser veículo de perigosa manipulação das sondagens, que se tornaram uma verdadeira "arma" da batalha eleitoral, 
Achamos verdadeiramente inaceitável a decisão do canal público de televisão acompanhar a campanha de uma "informação" diária de sondagens que vão, directamente, influenciar opções cidadãs a partir de "informações" da maior inconsistência... ainda que, nalguns casos, fundamentadas em critérios técnicos fiáveis mas de cuja fiabilidade o cidadão comum não conhece os intrínsecos limites. Depois, há o seu aproveitamento manipulador, que se diria uma segunda linha de manipulação. E isto num ambiente de esclarecimento (ou de falta de...) em que se quer tornar a democracia num "mercado do voto", reduzindo o cidadão à condição de eleitor.
Servem estas reflexões (ou pretendem servir) para introduzir a reprodução desta mensagem retirada de um "amigo facebookiano" (que, aliás, já era amigo bem antes de haver facebook...) que compara as "previsões", a partir de sondagens no mesmo dia, em canais diferentes, com a "ameaça" do canal público - o da esquerda... - ir fazer a mesma "graça" todos os dias com o guião sobe um ponto este, desce um ponto aquele, aqueloutro mantém-se... 
   

sábado, 19 de setembro de 2015

Faz-nos bem ouvir (ou ler) coisas destas, assim escritas e ditas... só que...

... só que raros (e raras!) têm esse privilégio:

Discurso de Ana Margarida de Carvalho,
no Encontro de Jerónimo de Sousa com as Mulheres,
na Casa do Alentejo

Bem-vindas e bem vindos! Obrigada por terem vindo, para mim, acreditem, é uma grande honra estar aqui.
Eu, enquanto jornalista e escritora, gosto muito de palavras mas, sem querer parecer a Maria Luís Albuquerque, nem querer maçar-vos demasiado, venho aqui falar-vos de números.
 (só para estabelecer o cenário dos últimos 5 anos, e que me faz acreditar que vivemos hoje num país em estado de emergência, fruto de um ciclo recessivo e de uma maldição que não nos abandona, a da dança das cadeiras PS/PSD, e que em tão pouco tempo empobreceu o país e o fez regredir em termos sociais, em termos de direitos laborais, de igualdade de direitos, e culturais também, de mentalidades… enfim, em termos civilizacionais teremos regredido uma década e meia: Vamos ver os anos que demorará a nossa sociedade a sarar, a cicatrizar, e esta geração hipotecada a recompor-se… )
E os números são estes:
-meio milhão de empregos destruídos,
-meio milhão de emigrados,
-800 mil portugueses em estado de pobreza,
-600 mil crianças a quem foi retirado o abono de família,
E mais: famílias assaltadas, famílias amputadas, capital social delapidado, cortes trágicos na cultura, na educação e na saúde, e uma quantidade de jovens, não só jovens, adultos também, que vivem a ilusão de um emprego, em estágios não remunerados, ou remunerados a níveis atentatórios da dignidade, em situações abusivas, numa espécie de escravatura consentida. Que é como quem diz, «olha, mais vale isto que nada»… «mais vale andar entretido»….
Não. O «antes isso que nada» não pode ser admitido, com o paternalismo com que dantes se dizia «olha, pelo menos não se mete na droga».
Os nossos patamares estão tão rasteiros, nivelaram-nos tanto por baixo, que já se toleram raciocínios destes como se fossem normais. E não, não é normal.
Noutro dia, uma colunista dizia que não se devia falar de desemprego mas de «entre-projectos». E não se esqueçam de outros léxicos, novas semânticas, expressões ultrajantes: quando nos chamaram «piegas», quando nos mandaram «sair para fora da zona de conforto» (isto queria dizer emigração), quando aquele caridosa senhora veio falar dos «profissionais da pobreza». Tudo isto aconteceu. E não, o «antes isto que nada» não é normal. Assim como não é normal, passados 41 anos de democracia, termos de voltar a insistir e a defender o óbvio.
Não valem a pena os eufemismos, nem estas requalificações, reajustamentos (lembram-se que se usava esta expressão «reajustamento» quando se queriam referir a diminuição de salários): agora somos nós que dizemos não aos vossos reajustamentos lexicais e aos vossos inconseguimentos. O que está em causa tem nome e vem no dicionário: chama-se desemprego, chama-se pobreza, chama-se indigência, chama-se miséria, chama-se afronta à dignidade.
O trabalho é uma coisa muito séria, não se trata de uma entretenga, ou de um hobby nem de um passatempo, é fonte de riqueza de um país, deve ser encarado como um direito: à realização pessoal de cada um, um direito a uma realização colectiva.
Ora, eu queria incidir a minha intervenção na questão das mulheres neste mundo de precariedade. E desse bem raro que é um emprego, sobretudo quando é digno, estável e compatível com a nossa formação e habilitação.
Muitas vezes me têm perguntado como é ser jornalista e mulher, como é ser escritora e mulher? E o que me parece inadmissível e me deixa com um desgosto considerável é como é que, no século XXI, em plena Europa, num Estado de Direito, esta questão ainda se coloca. Mas coloca.
E o que eu posso dizer sobre isso é que as mulheres, neste mundo de precariedade, têm de esforçar o dobro para conseguir metade.
E apercebi-me disto justamente quando cheguei ao mercado de trabalho. Até aí tinha andado distraída, não fui educada assim, na minha família, eu e os meus primos, rapazes e raparigas, tínhamos as mesmas tarefas e andávamos todos calçados com botas iguais. Agora basta ver: nos jornais, redacções maioritariamente femininas, e raramente ouvimos falar de uma directora de jornal, quanto muito editoras e subdiretoras. Os directores são homens.
Antes do 25 de Abril, as mulheres ganhavam menos 40% do que os homens. Há 41 anos, não foi assim há tanto tempo (o salto de duas gerações), as mulheres não tinham direitos de cidadania, eram impedidas de coisas tão básicas que, hoje, nos parecemos transportados para tempos ainda mais remotos ou para outras latitudes… O marido podia proibir que a mulher trabalhasse fora de casa, podia rescindir-lhe o contrato; por mais que estudassem elas não tinham acesso à carreira da magistratura, diplomática, militar, polícia… A carreira de enfermeiras ou hospedeiras implicava limitações e restrições de direitos, como o de casar… Podia ser repudiada pelo marido no caso de não ser virgem, o marido tinha direito de lhe abrir a correspondência, mães solteiras não tinham protecção legal, havia a distinção de «filhos ilegítimos», se o marido apanhasse a mulher em flagrante adultério e a matasse podia até não ir preso…
E falamos de taxas de analfabetismo, nos anos 70, na ordem dos 33, 6%. Passo a ler, com bastante repugnância e sei que vai ser doloroso, algumas palavras de Salazar. Referia-se ele aos países e aos lugares onde a mulher casada concorria com o trabalho do homem (vejam só, tamanho atrevimento)…: «a instituição da família, pela qual nos batemos, como pedra fundamental de uma sociedade bem organizada, ameaça ruína. E Portugal é um país conservador, paternalista – e Deus seja louvado- atrasado, termo que eu considero mais lisonjeiro do que pejorativo».
E são verdadeiramente terríveis estas ressonâncias, estes ecos que ficam do discurso de agora, o discurso do país dos pobrezinhos, do sacrifício, dos obedientezinhos…
O famoso artigo 13ª da constituição (todos são iguais perante a lei) chegou em 1976. Pois, mas não: a trabalho igual continua a não corresponder salário igual - um princípio que nos parece tão elementar.
E no entanto, mais números:
- em média as mulheres ganham menos 18% de remuneração base do que os homens (na UE, as mulheres ganham menos 16,2% do que os homens )
E podem até perguntar: Estas disparidades salariais são mais elevadas entre profissões de menor qualificação? Não, pelo contrário. Mais estudos equivalem a menos salários. As disparidades aumentam entre os quadros superiores, e entre licenciados. Aqui as mulheres auferem, segundo dados recentes, menos 27,8% a 30,2% do que os homens.
Claro que nos cargos de níveis salariais muito altos as mulheres estão sub-representadas (refiro-me aos cargos de decisão nas empresas). Apenas 9% de mulheres ocupa, por exemplo, cargos de administração nas empresas do PSI 20. Muito menos de chefia.
 Para ganhar o mesmo que os homens ganham num ano, as mulheres teriam de trabalhar mais 65 dias.
Porém:
O número de doutoradas duplicou; subiu em flecha, a partir de 2001, sensivelmente ao longo da primeira década do anos 2000 ,o número de investigadoras 120% (são hoje 45% do total nacional).
As desigualdades salariais agravaram-se.
E no entanto:
 O ensino superior é frequentado em 57% por mulheres e 42 % por homens.
No ranking mundial de igualdade de direitos entre homens e mulheres, Portugal encontra-se em 34º lugar. Nada de que nos possamos orgulhar.
 Como vêem, não é só a Luísa, a tal a do António Gedeão, que continua a subir a calçada, sobe, que sobe, Luísa, sobe a calçada.
A doutora Luísa, a engenheira Luísa, a professora doutora Luísa também sobem a sua rampa. E nunca, mas nunca (se continuarem estas políticas e esta mentalidade) chegarão lá acima.
E estas minhas palavras são um pouco amargas e um pouco zangadas. Mas é impossível não ficar zangada ou revoltada com o estado em que deixaram um país com tanto passado, e agora um presente tão precário, como um chão carunchoso onde que não se pode pisar... Eu não queria terminar assim. Até porque acredito numa alternativa, e acredito na importância, e até na urgência, em alargar e fortalecer o grupo parlamentar do PCP: temos muito tempo a recuperar, muita energia, muito património, muito optimismo perdido, muitos direitos a resgatar…
E, há pouco tempo, estive a ler umas palavras de Álvaro Cunhal sobre a importância da alegria, de nunca perder a alegria, de como a alegria é fundamental para um povo. E sobre o humor, em A Arte, o Artista e a Sociedade: «Faz falta permanentemente à sociedade como elemento de descontracção de tensões e silenciamentos, como elemento promotor da reflexão, como incisiva chamada crítica, rompendo constrangimentos, hesitações e temores».
E há um cantautor, que agora está na moda citar em discursos, que tem uma música chamada Dias Úteis: «Por pretextos talvez fúteis a alegria é o que nos torna os dias úteis».

Portanto, não percam a dignidade; não deixem que vos roubem a alegria… 

  

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

há uma OUTRA comunicação social






E ALGUMA COM UM PASSADO E UMA RESPEITABILIDADE 
RELEVANTISSIMOS 
QUE HONRAM NO DIFICIL PRESENTE
  

“NA AMÉRICA LATINA HÁ BASES MILITARES E BASES MEDIÁTICAS”

Entrevista conduzida por Héctor Bernardo, para o “Diario Contexto”

 Fernando Buen Abad, filósofo mexicano:

“NA AMÉRICA LATINA HÁ BASES MILITARES
E BASES MEDIÁTICAS”


Fernando Buen Abad é doutor em filosofia, semiólogo, escritor, especialista em meios de comunicação. Foi consultor de vários presidentes, entre os quais Hugo Chávez e Manuel Zelaya. Numa extensa entrevista – que fará parte de um livro sobre pensadores de Nuestra América -, o intelectual de origem mexicana analisa o papel dos media, afirma que a comunicação é um problema de segurança regional e garante que “os meios de comunicação são na realidade armas de guerra ideológicas”

-  O que o leva a dizer que a comunicação é hoje um problema de segurança regional?

-         Só nos poucos anos decorridos desde o começo do século XXI, já contamos cinco golpes de Estado na América latina, e todos eles tiveram como ariete as estruturas monopólicas mediáticas. O alerta está aí, mas a nossa reacção tem sido tardia.

-         Qual foi o papel da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) nesses acontecimentos?

-         No caso da SIP, procuro não exagerar o seu papel, embora se trate de uma aliança de empresários de meios de comunicação. O problema não reside no facto de os empresários se organizarem, o problema é terem na capa a marca e o currículo de uma antologia do terror. Cada um deles é um compêndio de horrores espantosos, não só a nível individual, mas pelos meios que representam e pelos projectos que têm em mente. Contudo, creio que continuam a ser um problema muito menos urgente do que a megaprojecto global de dominação mediática, esse sim um projecto imperial. Neste contexto, a SIP é apenas um peão que faz coisas horrorosas, mas que representam  tão só uma parte desse megaprojecto. Digo isto para que tenhamos a noção da dimensão real do que a SIP representa, mas à sua escala aqueles que a integram são autores de enormes malfeitorias.  Foram o ariete do projecto a que chamámos O Plano Condor Comunicacional.

-         Quais seriam as implicações do Plano Condor Comunicacional?

-         Nos últimos anos desenvolveu­-se uma “metástase” das bases militares na América Latina. Esta questão foi analisada com grande precisão por Atilio Boron e Ana Esther Ceceña, que desenharam rigorosamente o mapa das bases militares na região. O Estados Unidos, que sempre viram o México como parte do seu anel de segurança, agora querem que todo o continente desempenhe esse papel, tanto mais que se trata de um território de segurança com 500 milhões de pessoas cativas do projecto estado-unidense de ampliação de mercado. Uma forma de controlar todo o tipo de resistência é a capacidade de desembarque acelerado de forças militares na região. A fórmula já a vimos no Iraque, já a vimos na Líbia, na Síria, na Ucrânia. O ariete, a ponta de lança de tudo isto, são os meios de comunicação. Trata-se de começar a acusar de serem ditadores  todos os desalinhados que estão ali no poder, convencer o mundo de que “alguém tem de fazer alguma coisa”, e que no dia em que isso aconteça o mundo aplauda e diga: “Finalmente, já derrubaram esse ditador”. Esta fórmula não é nova. É a fórmula que está apontada a Nicolás Maduro e foi apontada a Hugo Chávez. É a fórmula que apontam a Evo Morales, a Daniel Ortega, a Rafael Correa, a Raul Castro, a Dilma Rousseff e a Cristina Fernández. Está claro quem são os inimigos para eles neste cenário.

éctorEntrevista cond

-         Que papel desempenham os meios de comunicação num tal contexto?

-         Os meios de comunicação são realmente armas de guerra ideológicas e têm-se reposicionado no continente. Na América Latina há bases militares e bases mediáticas. As bases mediáticas apresentam diversas vantagens sobre as outras. Têm maior capacidade de articulação, de maneira mais rápida e ubíqua. Emitem um comentário difamatório na Venezuela, nessa mesma manhã esse comentário é repetido numa rádio de um bairro em Buenos Aires e com isso marcam a agenda no território, ao mesmo tempo que o grupo espanhol Prisa reproduz a mesma nota em Madrid, a CNN replica-a nos Estados Unidos, o mesmo faz no México a Televisa enquanto na Argentina o Clarin faz a sua parte. Ou seja, há velocidade e sincronismo, elementos básicos de estratégia militar. Há uma luta territorial ao mesmo tempo que uma luta semântica. A isso chamo eu o Plano Condor Comunicacional. Porque agora as forças de repressão comunicacional têm uma capacidade de virulência e coordenação muito rápida. Cheguei há pouco de uma cidade que se chama Azul, e enquanto tomava o pequeno almoço no hotel, a senhora que atendia dizia estar muito preocupada ao ver que “os russos voltaram a ser o demónio” e que “Putin é um Satanás que ameaça o mundo inteiro”. Essa senhora, enquanto atendia os clientes naquele hotel humilde, já tinha a carga ideológica em sincronia com o que ao mesmo tempo se dizia em grande parte do planeta. É esse o Plano Condor Comunicacional, que já realizou a tarefa de se posicionar no campo do imaginário colectivo.

-         Como estrutura?

-         Estou certo de que se tivéssemos dinheiro e instituições fortes para realizar essas tarefas de investigação, identificaríamos estruturas semânticas e sintácticas idênticas. Uma em que trabalhei é a seguinte: quando Peña Nieto ganhou as eleições no México, ele disse: “Lançámos à terra uma semente, e dela nascerá uma árvore, da qual colheremos os frutos”. É a mesma frase dita na  Venezuela por Henrique Capriles, quando perdeu  as eleições para Hugo Chávez, e também na Argentina, em Tigre, Sergio Massa disse exactamente a mesma frase num dos seus discursos: “Estamos a semear uma semente, da qual crescerá uma árvore, que nos dará os frutos”. Se tivéssemos a possibilidade de fazer uma “tomografia computorizada”  do discurso que aquelas bases mediáticas continentais fazem correr na América Latina, veríamos que há matrizes que têm uma orientação e que passam pelo Grupo Random da Colômbia, pela CNN nos Estados Unidos e que vêm do Grupo Prisa, onde se encontram os laboratórios de guerra ideológica e psicológica mais poderosos do mundo.

(Tradução de Armando Pereira da Silva)
http:www.telesurtv.net/bloggers/En-America-Latina-hay-bases-militares-y-bases-mediaticas-200150601-0002.html




Ao café da manhã - "Nasceu Novo e era (para ser) Bom"

Do Expresso-curto desta manhã:

«

Pedro Santos Guerreiro
por Pedro Santos Guerreiro
Diretor Executivo

16 de Setembro de 2015

Nasceu Novo e era Bom


Um prejuízo é um prejuízo. Não evaporou ao sol do verão, não voa com o vento do outono, não se afogará na chuva do inverno. Um prejuízo paga-se. Perde-se. Hoje, amanhã ou depois. Estes, aqueles ou nós. Se o processo do Novo Banco foi abortado porque a venda traria um prejuízo de pelo menos dois mil milhões de euros (o Público fala em três mil milhões), reabilitá-lo para vender até à primavera não fará florir proveitos no lugar de perdas. Este processo foi um fracasso. Foi para o lixo. Começa-se de novo. E, sem explicar nada do que se passou, volta a prometer-se tudo sobre o que se vai passar.
(...)»

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A nossa comunicação social de (suas) excelência(s)

Debater, com ar de enorme (quase solene) seriedade, a questão da justiça em Portugal no canal público de televisão, a partir de uma "boca" de um dirigente político que o mais adequado a dizer é que foi "eleitoralista" e "foleira", e com 3-advogados-3, 2-jornalistas-2 (um dos quais ex-advogado) e o responsável por uma fundação criada por um grupo económico, sem a participação de alguém pela investigação policial, do ministério público, da magistratura, lembra procurar detectar um cancro por palpação e curá-lo com massagens.