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sábado, 29 de agosto de 2015

40 Dicas (sarcásticas, QB...) para o argumentário anti-comunista

40 Dicas para Anti-Comunistas
Criado em 28 de Julho de 2010
Escritas por J. Slavyanski
(traduzido por Guilherme da Fonseca-Statter)
1. Insista constantemente que o Marxismo está desacreditado, desactualizado e completamente morto e enterrado. Depois prossiga para um lucrativa carreira, para o resto da sua vida, malhando nesse «cavalo» supostamente morto.
2. Lembre-se que qualquer morte não natural que ocorra sob um regime «comunista» é não só atribuível aos dirigentes do Estado mas também ao Marxismo como ideologia. Ignore as mortes que ocorram pelas mesmas razões em países não-comunistas.
3. O comunismo ou o marxismo é aquilo que você quiser que seja. Esteja à vontade para classificar como «comunista», países, movimentos e regimes, independentemente de coisas como os seus objectivos reais, ideologia proclamada, relações diplomáticas, política económica ou relações de propriedade.
4. Se houve um conflicto envolvendo comunistas, esse conflicto e todas as mortes resultantes podem ser atribuídas ao comunismo. Cuidado quando se aplica isso à Segunda Guerra mundial. Os movimentos fascistas que lutaram contra os Soviéticos ou os resistentes comunistas «está bem», mas tente não elogiar abertamente a Alemanha Nazi. Se tiver que ser, guarde isso para conversas privadas.
5. É você quem decide o que «significa mesmo» Marxismo, e quem eram os dignos representantes do comunismo. Finja que tem interesse em que, de alguma forma, Estaline tirou o poder a Trotsky, apesar de você também o odiar.
6. Fale constantemente sobre George Orwell. Cite o livro «Animal Farm» ou «1984». Não se preocupe com o facto de que Orwell nunca pôs os pés na União Soviética e que aqueles livros são novelas.
7. Cite enormes números de mortes, sem qualquer consideração pela demografia ou consistência: 3 milhões de morte pela fome? 7 milhões? 10 milhões? 100 milhões no total?... Não precisa de se preocupar que alguém vá confirmar se você fez alguma verificação disso, o que é bom para si, pois que provavelmente não o fez.
8. Quem quer que alguma vez foi preso sob um regime comunista estava muito provavelmente inocente de qualquer crime. Os comunistas só prendiam poetas inocentes e profetas políticos que tinham uma bela mensagem a partilhar com o mundo.
9. Tudo aquilo que Estaline fez ou deixou de fazer tinha qualquer motivo sinistro e oculto, Tudo.
10. Mantendo-se no espírito da dica Nº 9, lembre-se de que Estaline era um ser omnipotente, (talvez uma incarnação da divindade Hindu Vishnu), que tinha conhecimento total de tudo aquilo que acontecia na União Soviética e controle total sobre tudo que ocorreu entre 1924 e 1953. Tudo o que aconteceu durante aquele tempo foi por vontade de Estaline. Estaline sabia os detalhes exactos de cada acto criminoso que aconteceu durante aquele tempo e por causa da sua crueldade sem limites mandou matar toneladas de pessoas inocentes, independentemente de onde estavam e qual a sua posição na vida. Sendo omnipotente, não dependia da informação que era dada por dezenas de milhares de subordinados.
11. Ataque constantemente os regimes «comunistas» por acções que correram até ao dia de hoje em regimes capitalistas.
12. Proclame que o marxismo é utópico por fazer uma descrição de uma possível sociedade futura. Alternativamente proclame que o marxismo falhou porque nunca fez uma descrição detalhada que como seria uma sociedade comunista. Não ligue à enorme contradição disto.
13. Comece a referir-se ao marxismo como sendo uma espécie de fé religiosa, messiânica ou qualquer outra tralha espiritualista de que se lembre. Quando alguém lhe lembrar as semelhanças entre virtualmente qualquer ideologia política e outras religiões, ignore-os.
14. Lembre-se do ataque «um-dois» do anti-comunismo: Ataque o sistema económico pós-Estaline em bases económicas e proclame que simplesmente não funciona. Dada a possibilidade de que um opositor informado muito provavelmente vá lembrar que, durante o tempo de Estaline, a economia socialista de facto funcionava e que funcionava muito bem, ataque esse período com base em direitos humanos.
15. Duas palavras – natureza humana. O que é a natureza humana? Para os seus objectivos, a natureza humana é uma explicação rápida para que estejam erradas as ideias ou sistemas políticos de que você não gosta.
16. As revoluções bolcheviques foram levadas a cabo com violência e derrame de sangue. As revoluções burguesas foram todas levadas a cabo por meio de referendos democráticos e não houve qualquer violência.
17. Use constantemente palavras como «liberdade» e «democracia». Não aceite qualquer desafio para definir estes termos.
18. Os comunistas podem ser contra ou a favor o que quer que seja, na sua área em particular. Se você estiver a pregar para uma audiência de direita conservadora, os comunistas são a favor dos degenerados e da homosexualidade. Se você estiver a pregar para uma audiência mais centrista, os comunistas são homofóbicos. Essencialmente os comunistas são moralistas mas favorecem a degradação moral. Mais uma vez não ligue à contradição.
19. Malhe constantemente em Estaline acerca do acordo Molotov-Ribbentrop, ignorando por completo o suporte maciço e colaboração com a Alemanha nazi, a Itália fascista e o Japão imperial por parte dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, muito antes da guerra e mesmo depois em alguns aspectos. Como de costume não permita ao seu opositor que examine o contexto do pacto de não agressão.
20. Elogie a nova «liberdade» da Europa Oriental. Ignore a redução maciça da população por via da emigração, queda brutal das taxas de nascimento, enormes problemas de alcoolismo e droga, instabilidade política, guerras civis, limpeza étnica, tráfico sexual e prostituição infantil, crime organizado, elevadas taxas de suicídio, desemprego, doenças, etc. Quem é que se preocupa com tudo isso quando se tem liberdade de expressão?!...
21. Fale constantemente acerca da cultura de medo nos países comunistas, acerca daquele «bater à porta» no meio da noite. Ignore o «pontapé na sua porta no meio da noite, o cano de uma pistola nas suas costas, forçado a sair da sua cama, etc.», se for suspeito de negociar drogas, uma ocorrência banal na guerra às drogas nos Estados Unidos.
22. Ataque os comunistas pela supressão da religião. Ataque os fundamentalistas islâmicos por não serem laicos. Qual contradição?!...
23. Passe por cima da ironia de os EUA estarem envolvidos numa guerra incrivelmente dispendiosa e condenada, contra opositores que financiaram, apoiaram e a quem devem a sua primeira vitória no Afeganistão.
24. Que é que deverá dizer quando confrontado com todos os problemas, que não acabam, no mundo de hoje e que precisam de solução?... LIBERDADE!!!... (Repetir tanto quanto necessário até que o seu opositor desista).
25. Não pode confiar em nada que venha dos «Comunistas». A menos que, de uma maneira ou de outra, isso possa resultar a seu favor, como o «discurso secreto» de Khrushchev em 1956, ou qualquer coisa que Trotsky tenha escrito.
26. Os dirigentes comunistas tinham a «paranóia» de dedicar tanto tempo à segurança por causa da contra-revolução. Ignore as montanhas de provas, incluindo a restauração do capitalismo no Bloco de Leste, de que esse perigo de facto existia.
27. Os regimes comunistas nunca foram populares. Se lhe apresentarem provas de vários casos a mostrar o contrário, clame que nesses casos as pessoas tinham sofrido «lavagem ao cérebro». Não perca tempo a considerar os constrangimentos orçamentais e logísticos de um tal esforço.
28. A propaganda comunista é rude e primitiva. Se alguém mencionar «Red Dawn» ou pior, ou se mencionarem a série de banda desenhada patrocinada por J. Edgar Hoover conhecida como «The Godless Communists», fuja...
29. Elogie o secularismo em nome da «liberdade» e do «pluralismo», até que se confronte com um comunista. Nesse caso jogue então a cartada da religião.
30. As atrocidades e outras coisas más que aconteceram sob regimes não-comunistas foram por culpa de «pessoas más» individuais. Tudo de mau que aconteça sob um regime «comunista» é por culpa da ideologia do sistema. E do Estaline, claro.
31. Ser anti-comunista significa que não precisa de qualquer espécie de consistência ideológica. Pregue pseudo-socialismo populista de esquerda 90% do tempo e depois compare o sistema capitalista com a «Rússia de Estaline» (se nunca tiver de facto estudado o tema, basta ler «1984» e o «Animal Farm»). Fale sobre o capitalismo 99% do tempo, mas rosne se alguém sugerir o comunismo como uma alternativa. Fascismo de extrema direita?... Fale constantemente acerca da degradação cultural sob o capitalismo, mas fique sempre fanaticamente oposto ao marxismo, por nenhuma razão especial a não ser que tenha afinidades com o nacionalismo histórico.
32. Se você for um anarquista, fale sempre do «falhanço» do marxismo deixando de lado o facto de a sua ideologia ter uma taxa de insucesso de 100% através de toda a História. Culpe os comunistas por esses insucessos, ou poderes militares mais poderosos. Ignore o facto de que a mais maravilhosa sociedade não vale nada se não se conseguir defender da reacção.
33. Neo-Nazi? O comunismo é Judeu!... Acabou o debate.
34. Neo-Hipie? Tibete!...
35. Condene constantemente o genocídio que alegadamente ocurreu sob Mao, deixando de lado, ao mesmo tempo, as relações dos EUA com a China estabelecidas por Nixon, e o papel maciço que a China tem desempenhado na moderna economia dos EUA. Quando quiser dizer algo positivo sobre a China, é o um país capitalista. Se precisar de criticar, ainda é «comunista».
36. Proclame que o Marxismo não é empírico. O neo-liberalismo, a «democracia» ou a «liberdade» também não são. Mas não se preocupe com isso.
37. Insista sempre que, apesar da localização, país, era histórica, experiência passada e todos os outros factores, os comunistas têm que querer recriar uma cópia actual da Rússia de Estaline e de tudo o que isso implica de acordo com a sua opinião. Não se preocupe com a idiotice inerente neste conceito como, por exemplo, o seu país já ser um país industrializado, e não ter uma problema grave de atraso histórico.
38. Aprenda a usar a palavra mágica «totalitarismo». Esta palavra permite-lhe arranjar uma ligação entre duas ideologias opostas: comunismo e fascismo.
39. Ignore o facto de que os países socialistas viram os seus problemas aumentar em paralelo com o numero de reformas de mercado que fizeram.
40. Quando desafiado acerca de números ou contexto histórico, recorra a rótulos como «tirano impiedoso», «assassino cruel» e coisas assim. Lembre-se de que as pessoas como Estaline eram assassinos em massa por causa de todas as pessoas que mataram e sabemos que eles mataram todas essas pessoas porque eram assassinos em massa. Nunca falha.

Mais glórias do jornalismo português ou...

Um dos problemas da blogosfera é o de se repetir. Por isso, está dito, está dito.
A voz ao "tempo das cerejas":
... quando um truque infantil é premiado com uma manchete




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Abusos!

Questionado sobre as presidenciais, pressionado sobre a possibilidade de um eventual candidato do PCP desistir, logo à 1.ª volta, para inviabilizar a vitória de um candidato não "de esquerda", Jerónimo de Sousa respondeu, na TVI:

"No passado, o PCP nunca regateou um apoio, uma solução, para bem da democracia, da Constituição, colocando na Presidência da República quem pudesse dar essa contribuição positiva”, e acrescentou "para aqueles que acusam o PCP de ser sectário, de não querer entendimentos, as presidenciais são bem o exemplo daquilo que é o partido (sempre que) esteja em causa a democracia, a Constituição, o PCP não faltará, não fará apelos ao voto em branco. Terá uma intervenção ativa. Tudo fará para que os objetivos que sempre defendeu sejam alcançados".

Que conclui o director do Expresso, de serviço ao Expresso-curto?
Peremptório: "Pois bem, o que isto quer dizer – atenção Maria de Belém – é que o PCP pode apoiar Sampaio da Nóvoa ainda na primeira volta, se achar que isso impede a vitória de um candidato à direita."

Isto é o que se chama abuso do direito de interpretar o que os outros dizem. Não é informar  nem comentar, é concluir que foi respondido o que se queria que respondido tivesse sido.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A FUNÇÃO DA IMPRENSA - Karl Marx




"A função da imprensa é ser o cão-de-guarda, o denunciador incansável dos opressores, o olho onipresente e a boca onipresente do espírito do povo que guarda com ciúme sua liberdade. [...] O dever da imprensa é tomar a palavra em favor dos oprimidos a sua volta. [...] O primeiro dever da imprensa é minar todas as bases do sistema político existente."
Karl Marx – A liberdade de imprensa (aqui)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Eleições, informação e pluralismo


A pré-campanha eleitoral está na estrada ou autoestrada para alguns e beco para outros.

O jornal do Belmiro é a expressão acabada de ética e descomprometimento político:

Primeira página: Devolução IRS e chamada para os 1000 milhões do Costa – 2ª e 3ª páginas Maria Luís Albuquerque com fotografia. 26X17 em pose ministerial.
 
4ª página - “Universidade de Verão do PSD” (5ª anúncio)
6ª e 7ª páginas - A terceira carta de António Costa aos eleitores, a promessa dos mil milhões e três fotografias duas da arruada em Lisboa e mais o logótipo do PS.

8ª página - Quintanilha candidato do PS e Rosa Mota mandatária distrital da candidatura e esta enorme fotografia (20X14)  plena de boa disposição.

9ª página - num quarto de página a fotografia de Jerónimo de Sousa 2,5X2,5 estilo fotomaton com cara de poucos amigos, característica própria a qualquer comunista, mas a maroteira, a canalhice está no modo como é apresentada a notícia onde o que sobressai é a sigla PS.

Para fechar o ramalhete na penúltima página, um artigo de opinião de António Costa com direito a foto, bem entendido.
isenção e democracia

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Ainda o Brasil e a comunicação social - o feitiço a virar-se contra os feiticeiros?

No Público de domingo:

"um dos opositores mais ferozes
 de  Dilma Rousseff"
(homem muito ligado à comunicação social,
sobretudo rádio).

domingo, 23 de agosto de 2015

Que os americanos nos protejam!

A propósito da notícia do dia que fala de um atentado terrorista que não aconteceu.

Um amigo alertou-me para o facto de diariamente os nossos telejornais terem sempre uma notícia que nos leva aos Estados Unidos da América. Tenho confirmado notando que a maior parte dos dias a notícia nem sequer tem um conteúdo político ou cultural que nos possa levar a pensar em teorias imperialistas, não passando dum registo aparentemente banal sobre acontecimentos bizarros, ou pura e simplesmente corriqueiros, que fazem parte do quotidiano da vida do mundo ocidental: uma cadela que atravessava sempre na passadeira mas que mesmo assim foi atropelada; uma mulher que deu à luz dois gémeos sendo um branco e o outro preto; um ex-astronauta que morreu num trágico acidente num bimotor; um homem que comeu 300 hamburgers num só dia. O que é importante é que não nos esqueçamos um único dia que os Estados Unidos existem e que é lá que as coisas acontecem. 

Lá ou por via dos de lá.

Não espanta portanto que sobre uma viagem de comboio, algures em França, onde comprovadamente entrou um homem armado que alegadamente era muçulmano e que supostamente queria fazer sangue, surjam como heróis salvadores dos europeus três norte-americanos e um britânico. 

Enquanto a nacionalidade desses homens surge como um dado importante da informação, não deixa de ser curioso que o jornalismo português lhe acrescente a importância dum deles ser militar na base das Lages. Preparem-se açorianos para a devida homenagem!