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domingo, 16 de agosto de 2015

As manifestações (e as bombas) de que não se fala

Manifestantes se concentram em frente ao Instituto Lula em São Paulo

Manifestantes se reuniram para o ato em defesa da democracia, em frente ao Instituto Lula, no bairro do Ipiranga, na capital paulista. O objetivo do encontro é proteger a sede da instituição de possíveis atentados, como o que aconteceu recentemente quando o prédio foi atingido por uma bomba, devido às manifestações dos setores reacionários que acontecem neste domingo (16).



Marcelo Camargo/Agência Brasil
Manifestantes estão acampados há uma semana em frente ao Instituto para protegê-lo de novos atentados e defender a democraciaManifestantes estão acampados há uma semana em frente ao Instituto para protegê-lo de novos atentados e defender a democracia

O ato terá atividades culturais, apresentação da escola de samba Colorados do Brás, música, debate e comidas típicas. Segundo Adi dos Santos Lima, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado de São Paulo, os manifestantes querem mostrar o repúdio ao ataque, ocorrido no último dia 30, quando uma bomba caseira foi lançada no prédio do instituto.

Manifestantes estão acampados, em frente ao instituto, desde a última segunda-feira (10). “Queremos deixar um recado muito claro para essa gente que não aceita a democracia no país como um regime. Não vamos abrir mão da liberdade de ir e vir, da liberdade de expressão. O atentado ao instituto foi um atentado à democracia”, disse Adi.

Além da CUT, participam do ato o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), o Sindicato dos Bancários, o Sindicato dos Químicos e movimentos sociais.

“Esse ato tem uma simbologia muito grande, queremos refletir sobre a conjuntura econômica, política e social que estamos vivendo no país. E nada melhor que fazer esse contraponto com aqueles que querem dar um golpe no regime democrático, no resultado das eleições de 2014”, afirmou Adi.


Fonte: Agência Brasil

Informação alternativa


Ressaca das sondagens do referendo na Grécia

«Aumenta o descrédito nos meios de comunicação ditos de referência. Cada vez mais se conclui que é necessário encontrar alternativas. Na Alemanha a página de crítica e acompanhamento da informação mediática local NachDenkSeiten (NDS), duplicou o número de seguidores e assiste-se a um crescente acesso a blogues especializados ou independentes procurando pontos de vista de maior credibilidade desmascarando a imprensa corporativa.»

sábado, 15 de agosto de 2015

Notícias escondidas, perdidas e/ou maltratadas



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... postas a descoberto ONDE?





Notícias perdidas, escondidas e/ou maltratadas

Escândalo do netzpolitik
Procurador alemão demitido
O ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, destituiu, dia 4, o procurador federal da Alemanha, Harald Range, responsável pela abertura de uma investigação por «alta traição» contra o blog de investigação jornalística, netzpolitik.org.
A decisão foi anunciada na sequência de uma vaga de protestos, por parte de partidos e sindicatos, contra uma investigação que representava um atentado à liberdade de imprensa.
Na véspera, o porta-voz do governo alemão, Christiane Wirtz, já tinha vindo a público defender a liberdade de imprensa como um «bem valioso e sensível», manifestando dúvidas sobre o processo aberto pela procuradoria-geral.
Por seu turno, o procurador reagiu, acusando o governo de «interferir numa investigação porque os possíveis resultados da mesma não parecem oportunos», atitude que qualificou de «intolerável para a independência do poder judicial».
No final de Julho, o blog netzpolitik.org foi notificado da instauração de um processo por «alta traição», por haver publicado extractos de documentos confidenciais dos serviços secretos (BfV), que revelavam a formação de uma unidade de vigilância da Internet.
Dias depois, já sob uma chuva de protestos, o procurador suspendeu a investigação e pediu uma peritagem aos documentos, de modo a certificar-se se constituíam ou não matéria de segredo de Estado.
A resposta terá sido positiva, mas o Ministério da Justiça, segundo Harald Range, ordenou a paragem do processo.

Alemanha beneficiou
com crise grega

A Alemanha ganhou mais de cem mil milhões de euros (3% do PIB) com a crise na Grécia, revelou, dia 10, um estudo do Instituto de Investigação Económica Leibniz.
«Nos últimos anos, sempre que surgiram notícias negativas sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram, e sempre que as notícias da Grécia foram boas, estas subiram».

Os benefícios que a Alemanha obteve por esta via «excedem os custos da crise». «Mesmo que a Grécia não devolva um cêntimo, o erário público alemão já beneficiou financeiramente», constata o estudo, lembrando que os cofres germânicos investiram cerca de 90 mil milhões de euros em pacotes internacionais de financiamento
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... encontradas onde?


 - Edição Nº2176  -  13-8-2015
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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Liberdade, Informação e Coragem



«Os Edward Snowden aparecem-nos com a frequência do cometa Halley»

Pela publicidade merecida que venho fazendo ao livro “O Caso Snowden”, permito-me(?), transcrever o discurso de Snowden, ao receber o Prémio dos Informadores, atribuído pela Associação Internacional dos Juristas contra as Armas Nucleares e pela Federação dos Cientistas Alemães, publicado no final do livro.

 Discurso de Edward Snowden na entrega do Prémio dos Informadores
Ser reconhecido como um defensor das liberdades por ter revelado a verdade é uma honra tremenda. No entanto, essas honras deveriam recair sobre os indivíduos e as organizações que, por todo o mundo, ultrapassaram as barreiras geográficas e linguísticas para defenderem, juntos, a nossa vida privada. Não fui eu, mas sim o público, quem permitiu que o mundo tomasse consciência de até que ponto o segredo de Estado reduzia os nossos direitos constitucionais essenciais. Não fui eu, mas sim o jornais de todo o mundo, quem se insurgiu para exigir aos poderes políticos que se interrogassem acerca do que estava em jogo, enquanto responsáveis poderosos tentavam travá-los através do boato e do insulto. E não fui eu, mas sim alguns corajosos, quem propôs novos limites, novas proteções e resguardos para impedir que a nossa vida privada não fosse atacada novamente.
A todos aqueles que explicaram aos seus amigos e à sua família porque é que é importante interrogar-se acerca desta vigilância insuspeita, ofereço o meu enorme reconhecimento. Ofereço a este homem que, apesar do calor, tem uma máscara para cobrir o rosto numa manifestação, a esta mulher que desfila com um letreiro, apesar da chuva, a este estudante do secundário que faz desenhos de contestação ao fundo da sala de aula. Todas estas pessoas sabem que a mudança começa através da mensagem lançada por um homem ou uma mulher. Os poderes políticos deveriam, então, dar-nos reconhecimento, pois, quando eles tomam verdadeiras decisões que fazem as coisas andar, é graças a nós. O povo não deverá estes direitos e esta liberdade senão a si próprio, não ao poder político.
Ainda assim, a alegria que me dá esta recompensa é diminuta por uma constatação: o caminho foi longo para chegar até aqui. Atualmente, nos Estados Unidos, o equilíbrio entre transparência e a confidencialidade foi alterado pelas fracas proteções jurídicas de que beneficiam os informadores, por leis más que não defendem o interesse do público e pela imunidade de que gozam as autoridades que infringem a lei. Como consequência disso, manter os fundamentos da nossa democracia liberal, informando os cidadãos, arrasta, atualmente, sanções desmedidas: por ter dito a verdade, os informadores perderam a sua liberdade, a sua família, o seu país.
Esta situação não é proveitosa nem para os Estados Unidos nem para o resto do mundo. Não é necessário ser um grande intelectual para compreender que assimilar os actos necessários dos informadores a ameaças relativas à segurança nacional conduz, inelutavelmente, à ignorância e à insegurança. A sociedade que cai na armadilha que consiste em «matar o mensageiro» descobrirá depressa que não terá mais mensageiros nem mais mensagens de esperança. É necessário que as pessoas se interroguem acerca da pertinência de tais políticas e dos seus efeitos perversos. Se o preço a pagar por aquele que esclarece os cidadãos ao dar a conhecer a verdade é mais pesado do que por aquele que divulga informações secretas a países estrangeiros, não se está a encorajar antes os espiões mais do que os informadores? Podemos falar de transparência quando a intimidação e a repressão têm um lugar maior numa sociedade do que a investigação e a difusão de informações? Onde se encontra a fronteira entre a segurança nacional e o interesse público? E como podemos nós confiar neste equilíbrio, quando apenas é definido exclusivamente por membros do poder político?
Tais questões não conseguem encontrar resposta senão graças a debates públicos alargados, como o de hoje. Nunca devemos esquecer-nos das lições da História quanto aos excessos dos dispositivos de vigilância e à nossa capacidade de os modificar em benefício de todos. O nosso caminho é difícil, mas leva-nos em direção a uma vida melhor. Juntos, podemos garantir às gerações futuras um mundo mais seguro e mais justo. A todos os que participaram neste debate, do mais alto responsável ao cidadão de base, agradeço.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Padrão de Fragmentação - Perseu Abramo




Perseu Abramo

post
2. Padrão de Fragmentação - Eliminados os factos definidos como não-jornalísticos, o "resto" da realidade é apresentado pela Imprensa ao leitor não como uma realidade, com suas estruturas e interconexões, sua dinâmica e seus movimentos e processos próprios, suas causas, suas condições e suas consequências. O todo real é estilhaçado, despedaçado, fragmentado em milhões de minúsculos factos particularizados, na maior parte dos casos desconectados entre si, despojados de seus vínculos com o geral, desligados de seus antecedentes e de seus consequentes no processo em que ocorrem, ou reconectados e revinculados de forma arbitrária e que não corresponde aos vínculos reais, mas a outros ficcionais, e artificialmente inventados. Esse padrão também se operacionaliza no "momento" do planejamento da pauta, mas, principalmente no da busca da informação, na elaboração do texto, das imagens e sons, e no de sua apresentação, na edição.
O Padrão de Fragmentação implica duas operações básicas: a Seleção de Aspectos, ou particularidades, do Facto e a Descontextualização.
A Seleção de Aspectos do facto que é objeto da atenção jornalística obedece a princípios semelhantes aos que ocorrem no Padrão de Ocultação. Embora tenha sido escolhido como um facto jornalístico e, portanto, digno de merecer estar na produção jornalística, o facto é decomposto, atomizado, dividido, em particularidades, ou aspectos do facto, e a Imprensa seleciona os que apresentará ou não ao público. Novamente, os critérios para essa Seleção não residem necessariamente na natureza ou nas características do facto decomposto, mas sim nas decisões, na linha, no projeto do órgão de imprensa, e que são transmitidos, impostos ou adotados pelos jornalistas desse órgão.
A Descontextualização é uma decorrência da Seleção de Aspectos. Isolados como particularidades de um facto, o dado, a informação, a declaração, perdem todo o seu significado original e real, para permanecer no limbo, sem significado aparente, ou receber outro significado, diferente e mesmo antagônico ao significado real original.
A fragmentação da realidade em aspectos particularizados, a eliminação de uns e a manutenção de outros, e a descontextualização dos que permanecem, são essenciais, assim, à distorção da realidade e à criação artificial de uma outra realidade.
(Próximo post -3. Padrão da Inversão)