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sábado, 8 de agosto de 2015

Os padrões da manipulação - Perseu Abramo


 Perseu Abramo

Os padrões da manipulação

1 - Padrão de Ocultação - É o padrão que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção da Imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação. Isto é, no "momento" das decisões de planejamento da edição, da programação ou da matéria particular daquilo que na Imprensa geralmente se chama de pauta.
A ocultação do real está intimamente ligada àquilo que freqüentemente se chama de fato jornalístico. A concepção predominante - mesmo quando não explícita - entre empresários e empregados de órgãos de comunicação sobre o tema é a de que existem fatos jornalísticos e fatos não-jornalísticos. E que, portanto, à Imprensa cabe cobrir e expor os fatos jornalísticos e deixar de lado os não-jornalísticos. Evidentemente, essa concepção acaba por funcionar, na prática, como uma racionalização a posteriori do padrão de ocultação, na manipulação do real.
Ora, o mundo real não se divide em fatos jornalísticos e não-jornalísticos, pela primária razão de que as características jornalísticas, quaisquer que elas sejam, não residem no objeto da observação, e sim no sujeito observador e na relação que este estabelece com aquele. O "jornalístico" não é uma característica intrínseca do real em si, mas da relação que o jornalista - ou melhor, o órgão do jornalismo, a Imprensa - decide estabelecer com a realidade. Nesse sentido, todos os fatos, toda a realidade pode ser jornalística, e o que vai tornar jornalístico um fato independe das suas características reais intrínsecas, mas sim das características do órgão de imprensa, da sua visão de mundo, da sua linha editorial, do seu "projeto", enfim, como se diz hoje.
Por isso é que o Padrão de Ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato "não é jornalístico", não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência, através da Imprensa. O fato real foi eliminado da realidade, ele não existe. O fato real ausente deixa de ser real para se transformar em imaginário. E o fato presente na produção jornalística, real ou ficcional, passa a tomar o lugar do fato real, e a compor, assim, uma realidade diferente da real, artificial, criada pela imprensa.

(Próximo post -   Padrão de Fragmentação

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

"O Significado político da manipulação na grande imprensa” Perseu Abramo



(Perseu Abramo, 1º post)

Alertar o leitor paraO Significado político da manipulação na grande imprensa” é um dos nossos objetivos, divulgando autores e livros que melhor nos possam esclarecer.
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O público - a sociedade - é cotidiana e sistematicamente colocado diante de uma realidade artificialmente criada pela Imprensa.
Por Perseu Abramo
1
.     A Manipulação

2.     Uma das principais características do jornalismo no Brasil, hoje, praticado pela maioria da grande Imprensa, é a manipulação da informação.
O principal efeito dessa manipulação é que os órgãos de imprensa não refletem a realidade. A maior parte do material que a Imprensa oferece ao público tem algum tipo de relação com a realidade. Mas essa relação é indireta. É uma referência indireta à realidade , mas que distorce a realidade. Tudo se passa como se a Imprensa se referisse à realidade apenas para apresentar outra realidade, irreal, que é a contrafação da realidade real. É uma realidade artificial, não-real, irreal, criada e desenvolvida pela Imprensa e apresentada no lugar da realidade real. A relação que existe entre a Imprensa e a realidade é parecida com a que existe entre um espelho deformado e um objeto que ele aparentemente reflete: a imagem do espelho tem algo a ver com o objeto, mas não só não é o objeto como também não é a sua imagem: é a imagem de outro objeto que não corresponde ao objeto real.
Assim, o público - a sociedade - é cotidiana e sistematicamente colocado diante de uma realidade artificialmente criada pela Imprensa e que se contradiz, se contrapõe e freqüentemente se superpõe e domina a realidade real que ele vive e conhece. Como o público é fragmentado no leitor ou no telespectador individual, ele só percebe a contradição quando se trata da infinitesimal parcela de realidade da qual ele é protagonista, testemunha ou agente direto, e que, portanto, conhece. A imensa parte da realidade ele a capta por meio da imagem artificial e irreal da realidade criada pela Imprensa; essa é, justamente, a parte da realidade que ele não percebe diretamente, mas aprende por conhecimento.
Daí que cada leitor tem, para si, uma imagem da realidade, que na sua quase totalidade, não é real. É diferente e até antagonicamente oposta à realidade. A maior parte dos indivíduos, portanto, move-se num mundo que não existe, e que foi artificialmente criado para ele justamente a fim de que ele se mova nesse mundo irreal.

A manipulação das informações se transforma, assim, em manipulação da realidade.

Os padrões da manipulação

A manipulação da realidade, pela Imprensa, ocorre de várias e múltiplas formas. É importante notar que não é todo o material que toda a Imprensa manipula sempre. Se fosse assim - se pudesse ser assim - o fenômeno seria autodesmistificador e autodestruidor por si mesmo, e sua importância seria extremamente reduzida ou quase insignificante. Também não é que o fenômeno ocorra uma vez ou outra, numa ou noutra matéria de um ou outro jornal; se fosse esse o caso, os efeitos seriam igualmente nulos ou insignificantes.
A gravidade do fenômeno decorre do fato de que ele marca a essência do procedimento geral do conjunto da produção cotidiana da Imprensa, embora muitos exemplos ou matérias isoladas possam ser apresentados para contestar a característica geral.
Essa característica geral pode ser observada quando se procura tipificar as formas mais usuais de manipulação. E isso permite falar em Padrões de Manipulação observáveis na produção jornalística. Os padrões devem ser tomados como padrões, isto é, como tipos ou modelos de manipulação, em torno dos quais gira, com maior ou menor grau de aproximação ou distanciamento, a maioria das matérias da produção jornalística.
É possível distinguir e observar, portanto, pelo menos 4 padrões de manipulação gerais para toda a Imprensa e mais um específico para o Telejornalismo, e que a seguir vão delineados.
(próximo post: Padrão de Ocultação)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Os TOP10 da TV no 1º semestre

No "post" ontem publicado sobre o tempo ocupado nos canais  de televisão, os números dos Top10 são tão reveladores que merecem repetição e o acrescento de uma tabela e de um gráfico que ajudema mostrar, por todas as formas possíveis, como neste ano eleições legislativas se utiliza a comunicação social, mormente a televisiva, para influenciar a chamada opinião pública, os eleitores. 

Tabela

Cavaco, Passos, Portas & 3 ministros PSD/CDS  63,2
António Costa & presidente GPPS 22,6
Catarina Martins 7,5
Jerónimo Sousa 6,7

Gráfico
Observações ou sublinhados
  • No 1ºsemestre de um ano de eleições, entre os 10 que mais nos invadiram em notícias estão o 1º ministro, o proposto alternante, mais três ministros, o PdaR e o presidente do Grupo Parlamentar do PS num total de 85,8% do tempo desses top10 para os "troikulentos" e quemtan tanto os apoiou.
  • Nos 14,2% sobrantes estão a coordenadora do BE e o secretário gerala do PCP.
  • Anote-se ainda que a ordem é esta, tendo Catarina Martins mais 12% do tempo de antena geral que Jerónimo de Sousa.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Leitura para férias… e não só.


Snowden o Herói consciente.

Porque de comunicação se trata e ao mais alto nível.

«O Caso Snowden - Como os EUA Espiam o Mundo», de Antoine Lefébure, que inclui um capítulo extra com informação atualizada, concebido pelo autor para a edição portuguesa.

«"O Caso Snowden" é uma reflexão sobre a dimensão sem precedentes da vigilância americana. Reconstituindo o percurso de Edward Snowden e as reacções dos governos mundiais e da NSA, esta obra realça os princípios em nome dos quais Snowden pôs a sua vida em perigo e demonstra que a moral e a ética são noções obsoletas para a mente dos governantes. Uma obra de fôlego que ganha maior amplitude ao traçar um historial da vigilância das telecomunicações, passando pela NSA e pelo programa PRISM, e ao evocar o papel ambíguo dos serviços secretos.»

Férias, feriados e outros gozos

Bastará uma pequena pesquisa para deparar com contradições como as que a imagem documenta. Estão aqui quatro títulos, arranjaríamos com facilidade quarenta.
 
Comparar números de dias de férias ou feriados é mais ou menos como comparar pilas, cada país tem as suas características sazonais, as suas configurações laborais, a sua história, a sua soberania(?) e o assunto é mesquinho. 
O que leva então a comunicação social a fazer estes títulos? Eram demais em 2011 e são de menos em 2015? Foram os quatro feriados e os quatro(?) dias de férias que nos roubaram que determinaram uma mudança de posição extrema?
Concerteza que não! Em 2011 era preciso fabricar números que justificassem o corte nas férias e feriados. Em julho de 2015 é preciso deixar pairar a ideia que isso já não é bem assim e que os quatro podem vir a ser dois depois das eleições. Entretanto o pessoal fica contente apesar do balanço negativo dos gozos.
Balanço final: a comunicação social está ao serviço de quem?!...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Líderes do PSD e PS ocupam 42% do tempo...



Líderes do PSD e PS ocupam 42% do tempo dos dez políticos mais noticiados na TV
31 de July de 2015
Passos Coelho e António Costa ocuparam 58 horas do total da informação televisiva no primeiro semestre deste ano. Este número, só por si, não tem grande significado. Tal como não o tem o facto de terem sido os dois primeiros do “top ten” dos políticos mais noticiados. Mas o caso muda de figura quando verificamos que os tempos somados dos líderes do PSD e do PS correspondem a 42% da totalidade do tempo dos dez mais noticiados. Fruto dos critérios editoriais que têm sido invocados como garantia da cobertura isenta e pluralista da próxima campanha eleitoral. Note-se que a quantificação não inclui o tempo de debates e entrevistas. (JAG)